BRUXELAS APRESENTA HOJE MEDIDAS DE EMERGÊNCIA PARA TRAVAR IMPACTO DA CRISE ENERGÉTICA
2026-04-22 21:06:16

Ouça este artigo Clique para reproduzir Bruxelas prepara-se para avançar hoje com um conjunto de recomendações dirigidas aos Estados-membros da União Europeia (UE) para responder à subida dos preços da energia, num contexto marcado pela volatilidade dos mercados e pela pressão sobre famílias e empresas. De acordo com uma versão preliminar da comunicação da Comissão Europeia, a lógica do plano assenta numa ideia central: reduzir consumo e promover poupança energética através de alterações comportamentais e organizacionais, com impacto imediato no quotidiano dos cidadãos e das administrações públicas. Entre as medidas em destaque está a recomendação de introduzir pelo menos um dia obrigatório de teletrabalho por semana, sempre que possível, com o objetivo de reduzir a utilização de veículos privados e, consequentemente, o consumo de combustíveis. Bruxelas sugere também o encerramento de edifícios públicos quando viável, numa tentativa de diminuir gastos energéticos no funcionamento do Estado. No setor dos transportes, a Comissão Europeia propõe um conjunto de alternativas ao automóvel, incluindo maior utilização de bicicletas partilhadas, zonas sem circulação automóvel, sistemas de partilha de viaturas e reforço do transporte público, além do incentivo à mobilidade elétrica. Continue a ler após a publicidade Redução de viagens aéreas entra nas recomendações Outro ponto sensível do pacote de medidas é a aviação. A Comissão Europeia recomenda que se evitem viagens de avião sempre que possível, pedindo ainda uma redução das deslocações aéreas no setor público. Embora Bruxelas descarte, para já, cenários de escassez de combustível, o setor da aviação já admite impactos indiretos, alertando para possíveis reduções de voos e aumentos de preços caso a instabilidade no Estreito de Ormuz se prolongue. Controlo de energia em edifícios e apoio às famílias vulneráveis O plano inclui também medidas de eficiência energética em edifícios, como o ajuste dos sistemas de ar condicionado centralizado em edifícios públicos e a recomendação de manter as caldeiras domésticas abaixo dos 50°C. Continue a ler após a publicidade No que toca à proteção social, Bruxelas propõe vales de energia, regulação temporária de preços, reduções fiscais direcionadas e até uma proibição temporária de cortes de fornecimento de energia, com o objetivo de proteger os consumidores mais vulneráveis. Empresas chamadas a acelerar transição energética Para o setor empresarial, a Comissão Europeia defende um reforço da aposta em energias renováveis, sistemas de armazenamento e medidas de eficiência energética, bem como incentivos para substituir equipamentos obsoletos baseados em combustíveis fósseis. Está também prevista maior coordenação europeia na gestão de reservas estratégicas, incluindo o enchimento de armazenamentos de gás e eventual libertação de reservas de petróleo. “A energia mais barata é a que não se consome” A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já tinha sublinhado recentemente em Bruxelas a necessidade de proteger os mais afetados pela crise, defendendo que as medidas devem ser “direcionadas aos mais vulneráveis, rápidas e temporárias”. Na mesma intervenção, reforçou ainda a ideia de que “a energia mais barata é aquela que não se consome”, sublinhando a importância da redução da procura como ferramenta imediata de contenção de custos. Continue a ler após a publicidade Bruxelas admite ainda flexibilizar regras de auxílios estatais para permitir maior apoio a setores mais expostos à crise energética. Pressão dos mercados e impacto global da crise A União Europeia continua altamente dependente de importações de petróleo e gás, o que a torna particularmente vulnerável a choques externos. A atual crise energética, agravada pela instabilidade no Médio Oriente, já se reflete na volatilidade dos preços e no aumento da pressão inflacionista. Apesar de a Comissão garantir que não existem, para já, problemas de abastecimento, os efeitos económicos são já visíveis: aumento de custos para famílias e empresas, perturbações na indústria e nos transportes e maior incerteza nos mercados energéticos. Neste contexto, Bruxelas defende uma resposta combinada entre curto e longo prazo, que inclui desde medidas imediatas de contenção até uma aceleração da transição energética e da redução da dependência de combustíveis fósseis. Pedro Gonçalves