UM PROJECTO PARA A COMUNIDADE QUE CRUZA CULTURA E REFLEXÃO CRÍTICA
2026-04-22 21:06:16

Helena Mendes Pereira apresenta o MUZEU como “um projecto que serve a comunidade”, um espaço que cruza arte contemporânea e pensamento crítico, prometendo envolver diferentes públicos desde o primeiro momento A poucos dias da abertura oficial, o MUZEU apresenta-se como um projecto em construção contínua, com uma programação que pretende envolver diferentes públicos e áreas do conhecimento. “Abrir o museu é darmos seguimento àquilo que é o nosso objectivo, que é termos um projecto que serve à comunidade”, afirma Helena Mendes Pereira, curadora e directora do MUZEU. A exposição inaugural, Sejamos realistas, exijamos o impossível , patente até Outubro de 2027, reúne mais de 100 obras de 96 artistas, portugueses e internacionais, distribuídas por cerca de 3.000 metros quadrados. O título recupera o célebre slogan associado ao filósofo Herbert Marcuse e aos protestos de 1968, reflectindo “uma visão curatorial ancorada na capacidade de transformação social, política e poética da arte contemporânea”. Entre os artistas presentes na exposição inaugural encontram-se Alex Katz, Ana Vidigal, Ângela Ferreira, Annie Leibovitz, Artur Lescher, Axel Hütte, Délio Jasse, Eduardo Batarda, Fernão Cruz, Francesco Clemente, Franz West, Gary Webb, Isabel Muñoz, Jean-Baptiste Huynh, João Penalva, José Bechara, José Pedro Croft, Julian Opie, Manuel Rosa, Muntean & Rosenblum, Nan Goldin, Pedro Calapez, Peter Zimmermann, Rui Sanches, Susy Gómez, entre muitos outros. Segundo a curadora, a identidade do MUZEU materializa-se desde logo na organização expositiva, construída em torno de um “storytelling” temático que cruza gerações, geografias e linguagens artísticas. “É um modo diferente de ver a arte contemporânea, que nos permite pensar a partir dos temas que ela sugere”, explica. Além da exposição, o MUZEU aposta num programa paralelo alargado, que inclui conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas. Entre os destaques está um ciclo dedicado à política, que propõe discutir a Constituição da República Portuguesa no ano em que assinala 50 anos. No dia da inauguração, uma Manifestação Poética envolverá várias associações de Braga numa performance colectiva na Praça do Município, reforçando a ideia do museu como lugar aberto e inclusivo. O dia da inauguração continua com uma visita guiada coreografada à exposição, desenvolvida em colaboração com a Companhia Nacional de Bailado, oferecendo uma abordagem performativa do contacto com a obra de arte contemporânea. O dia terminará com a estreia de O Círculo das Contas de Filigrana Dourada: Ligações Históricas entre a Bahia e Viana do Castelo , uma performance de Rita GT, criada em colaboração com os conjuntos vocais Cantadeiras Ohùn Obìnrin e Cantadeiras do Vale do Neiva, reunindo as tradições vocais afro-brasileiras e do norte de Portugal, num diálogo transatlântico que destaca histórias partilhadas, património oral e memória coletiva. Para Helena Mendes Pereira, este é apenas o ponto de partida: “Aquilo que representa para a equipa é o início do percurso”. Um percurso que pretende afirmar o MUZEU como plataforma de encontro entre arte, pensamento e sociedade. [Additional Text]: Citação Libânia Pereira