JURAS DE AMOR ENTRE PORTUGAL E O BRASIL
2026-04-22 21:06:16

Ao lado de Lula, Montenegro enalteceu a integração “impecável” dos brasileiros rui.farinha@jn.pt ENCONTRO o primeiro-ministro, Luís Montenegro, aproveitou ontem o encontro com o presidente brasileiro para enaltecer a integração “impecável” da comunidade em Portugal e defender a política de imigração do Governo, acenando com os mais de 235 mil cidadãos brasileiros regularizados Onos últimos dois anos. Na visita-relâmpago de um dia a Lisboa, que contou com manifestações antagónicas em Belém (ler texto abaixo), Lula da Silva frisou que “se tem povo trabalhador, é o povo brasileiro” e agradeceu o “carinho” com que a comunidade do Brasil é tratada em Portugal, num contexto de alguma tensão face à legislação migratória. “às vezes, na Comunicação Social, tem-se dado eco a 1um ou outro episódio, ou mesmo a algum adulterar daquilo que é uma relação que tem corrido, de forma global, muitíssimo bem”, afirmou o primeiro-ministro, após o encontro com Lula da Silva, em São Bento.com cerca de 500 mil cidadãos a viver em Portugal, a comunidade brasileira é a mais representativa na imigração nacional. E, para Montenegro, tem tido “uma integração social e económica absolutamente impecável”. Na declaração conjunta com o presidente brasileiIO, O chefe do Governo pOItuguês revelou que o país regularizou mais de 235 mil cidadãos e rejeitou cinco mil, o que corresponde, segundo disse, a menos de 5% do total de 400 mil processos analisados. “Quando chegámos ao Governo, não tinham documentos válidos e hoje estão regularizados e cumpridores, com uma cidadania inte-gral e plena”, enalteceu. “Se tem um povo trabalhador, é o povo brasileiro, que gosta de trabalhar e aprende depressa”, garantiu Lula da Silva, brincando com um eventual confronto entre as seleções no Mundial de 2026. O presidente brasileiro destacou o que considera ser o “melhor momento” das relações bilaterais entre os dois países, apontando como exemplo o caso da Embraer em Portugal, que produz componentes aeronáuticos e emprega mão de obra qualificada. PORTA DE ENTRADA NA UE Lula da Silva aproveitou o momento para defender que Portugal deve assumir um papel central na concretização do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, nomeadamente ao nível da produção industrial associada às futuras trocas comerciais. Para o presidente brasileiro, Portugal não deve limitar-se a ser uma “porta de entrada” para empresas brasileiras REPORTAGEM André Ventura comandou protesto à porta de Belém Centenas de manifestantes dividiram-se entre apoio e contestação ao presidente brasileiro. Forte vigilância policial não permitiu desacatos De t-shirt e com palavras duras, André Ventura liderou, ontem, uma manifestação contra Lula da Silva, em Lisboa, que decorreu antes e durante a presença do presidente do Brasil Ono Palácio de Belém. Cerca de uma centena de apoiantes acompanhou o líder do Chega, entoando frases como “Lula ladrão, o teu lugar é na prisão”. Com algemas nas mãos, discursou a partir de um palanque, acompanhado pOr deputados do partido, pelaatriz Maria Vieira e POr vários cidadãos brasileiros. A poucos metros, decorria uma outra manifestação, organizada por apoiantes do Partido dos Trabalhadores (PT), em defesa de Lula. Perante o aumento da tensão entre os dois grupos, a PSP reforçou o dispositivo policial e impediu qualquer contacto direto. “Não queremos que o presidente do Brasil defenda a abertura de portas a na Europa, mas sim um território de produção e desenvolvimento. “é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída em Portugal”, considerou. Lula deslocou-se ainda ao Palácio de Belém, onde foi recebido pelo homólogo português, António José Seguro, num momento que assinala o início da relação direta entre os dois chefes de Estado. A receção decorreu na Sala das Bicas, onde ambos trocaram bre-ves palavras antes de posarem para os fotógrafos, acompanhados pelas respetivas mulheres. Lula assinou o livro de honra e seguiu depois para uma reunião com Seguro, que durou cerca de uma hora, sem declarações. criminosos em Portugal”, afirmou Ventura. Na parte de trás da t-shirt que vestia podia ler-se “André Ventua1”, peça que, segundo o próprio, lhe foi oferecida POr “um brasileiro que está preso õno seu país”. Entre os manifestantes contra Lula, Guilherme Antunes, natural de são Paulo, criticou o chefe de Estado brasileiro. "é um corrupto. No fim do dia, ainda vai comer um bacalhauzinho e beber um vinho do Porto”, afirmou. A companheira, Marta, questionou a presença de apoiantes do presidente: “Se o Brasil está assim tão bem, deviam estar a viver lá”. Do lado oposto, os apoiantes de Lula destacaram o legado político do presidente. Pedro Prola considerou-o “um dos maiores democratas da História do Brasil”, sublinhando a redução da pobreza durante os seus mandatos. “Com Bolsonaro, a fome voltou. Isso está a ser revertido”, garantiu. Já Isabel, de Brasília, defendeu o direito à manifestação e alertou para os riscos do discurso de ódio. “A democracia permite que todos estejamos aqui, mas o discurso de ódio mata. Lula foi alvo de acusações falsas e sempre promoveu justiça social, com melhores rendimentos e mais acesso a serviços”, afirmou. Os protestos decorreram sem incidentes. RUI FARINHA Luís Montenegro e Lula da Silva reforçam aliança diplomática e desanuviam tensões em torno da lei da nacionalidade P. 18 e 19 Lula da Silva e António José Seguro no primeiro encontro oficial André Ventura, líder do Chega, discursou com algemas, exigindo que Lula não tente abrir portas da imigração em Portugal 5 Luís Montenegro Primeiro-ministro “Portugal está comprometido com uma relação mais profunda e estruturada com O Brasil. Há um salto político” Lula da Silva Presidente do Brasil “Queremos construir em Portugal o que vamos vender na Europa. Se é para crescer, é para crescer juntos. Portugal tem talento” Primeiro-ministro destacou regularização de mais de 235 mil cidadãos do Brasil em dois anos Governo português promete ser parceiro na projeção da economia brasileira no continente europeu Rui Farinha