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SAAB PODE ABRIR LINHA DE MONTAGEM EM PORTUGAL DO CAÇA "FEITO À MEDIDA" PARA COMBATER A RÚSSIA

CNN Portugal Online

2026-04-23 21:03:02

A decisão sobre o sucessor dos F-16 em Portugal está longe de ser apenas uma escolha técnica. Em Linköping, na Suécia, a Saab mostra as cartas da soberania digital e da "geração velocidade" para convencer o governo português de que o Gripen E é a única resposta real à ameaça russa e à dependência americana A fabricante sueca Saab admitiu a possibilidade de instalar uma linha de montagem final em Portugal do Gripen E caso Portugal escolha este caça para a substituição da frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa. A empresa revelou ainda, esta quinta-feira, que várias tecnológicas e industriais portuguesas já estão integradas na cadeia de produção global do caça "feito à medida" para combater a Rússia. Questionada sobre se a dimensão da encomenda, seja uma esquadra inteira ou uma frota mista com outros aviões, alteraria o nível de compromisso industrial, a Saab confirmou à CNN Portugal que a proposta é flexível. "Esse tipo de parceria poderia desenvolver-se de diferentes formas, seja com uma frota mista ou não", explicou Johan Segertoft, diretor da unidade de negócio Gripen da Saab, admitindo que o modelo pode evoluir para uma linha de montagem final em território nacional.  O gigante industrial sueco encontra-se numa acesa corrida pela venda do substituto do F-16 em Portugal, apesar da preferência da Força Aérea Portuguesa pelo F-35 da Lockheed Martin. Ainda assim, os executivos da Saab garantem que a parceria com a indústria da defesa não está dependente da compra. Existem já três empresas nacionais a contribuir para a cadeia de fornecimento de peças para o Gripen E: a Vangest, que fabrica moldes e plásticos, a Kristaltek, de mecânica de precisão, e a ThyssenKrupp Ibéria são as três empresas em solo nacional que já estão a colaborar no fabrico da aeronave. Caso o Governo português avance para a compra, a Saab admite não só manter estes contratos, mas escalar a operação para que as OGMA assumam a submontagem de partes da fuselagem, aproximando o país do modelo industrial que a empresa já opera com a Embraer no Brasil. Esta integração já se faz sentir na área tecnológica, onde a Saab revelou uma cooperação estreita com a Critical Software. De acordo com Daniel Boestad, vice-presidente da unidade Gripen, a relação com a tecnológica nacional é uma autêntica "história de amor" entre engenheiros, sendo que a empresa já desenvolve atualmente o simulador de treino para os pilotos do caça. O domínio deste "cérebro" digital é, para a Saab, o fator que permitiria ao Gripen ser "feito à medida" para enfrentar o cenário de ameaça russa, permitindo atualizações de software em semanas para responder a novas táticas do adversário, uma agilidade que os suecos consideram impossível nos sistemas fechados americanos. Para Jussi Halmetoja, piloto de testes e conselheiro operacional da Saab, esta flexibilidade é o que garante a sobrevivência num conflito de alta intensidade. "O F-35 não foi desenhado para gerar a massa de combate que o Gripen entrega. Portugal quer ter diferentes níveis de capacidade para proteger o território de ataques aéreos e de mísseis", explica o piloto à CNN Portugal, sublinhando que o Gripen foi desenhado para aterrar em estradas e voltar ao céu em dez minutos. "O Gripen nasceu e foi criado a partir desse cenário de ameaça [de um ataque russo]. Estamos muito próximos dessa ameaça. (...) Toda a gente sabe quem é esse inimigo, é a Federação Russa. Não é segredo. É a ameaça para a qual desenhámos todos os nossos produtos de defesa para combater ao longo de décadas", assume o piloto. Nota: a CNN Portugal viajou até Linköping a convite da empresa sueca Saab João Guerreiro Rodrigues