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ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL - AS GRANOLAS QUE DÃO FIBRA À VIEIRA

Marketeer

2026-04-23 21:03:03

A Nolita usa apenas fibras naturais para adoçar e caramelizar as suas granolas. Mas o negócio ficou mais doce desde que a Vieira investiu na marca portuense para acelerar a presença no segmento da alimentação saudável uando, por volta de 2017, Fernanda Vasconcelos decidiu mudar os hábitos alimentares da sua família, o que percebeu foi que não havia assim tantas alternativas no mercado que fossem ricas em fibras e proteína e, ao mesmo tempo, pobres em açúcares refinados para comer ao pequeno-almoço e ao lanche. Foi então que decidiu meter as mãos na massa e começar a desenvolver as suas próprias receitas caseiras de granola e snacks, que garantissem uma alimentação nutritiva e equilibrada ao longo do dia. Mas estaria longe de imaginar que estava a cozinhar um novo negócio , ainda para mais, um que haveria de chamar a atenção de uma das maiores empresas alimentares nacionais, a Vieira de Castro. «Comecei por fazer pão, granolas e bolachas em casa. Na altura, trabalhava 10 horas por dia, não tinha muito tempo disponível e, portanto, passava as manhãs de domingo a preparar essas receitas para comer durante a semana», recorda Fernanda Vasconcelos. A verdade é que as granolas, em particular, começaram a ser cobiçadas por amigos, familiares e colegas de trabalho , ao ponto de quererem comprar. «Percebi que havia aqui uma oportunidade de mercado. Pensei que, se tinha conseguido melhorar tanto a vida da minha família, mudando a alimentação, se calhar podia ajudar outras pessoas a alimentarem-se de forma mais saudável.» Foi assim que a ideia de transformar as granolas caseiras num negócio começou a tostar. E, no início de 2019, Fernanda Vasconcelos e o marido, Nuno Gama, haveriam de lançar a Nolita, uma marca de snacks com zero açúcares adicionados, isentos de glúten e vegan, que se diferencia de outras alternativas no mercado. O segredo? Todos os produtos da Nolita são adoçados a partir de uma fibra natural prebiótica, a inulina, que é extraída a partir de frutas e legumes, como a raiz de chicória ou o agave. O ingrediente não é inovador e já existe há algum tempo no mercado , «é usado Por grandes marcas de produtos alimentares de pequeno-almoço para melhorar o Nutri-Score» ,, pelo que o factor diferenciador da Nolita está no processo patenteado que desenvolveu para integrar a inulina nos seus produtos. «Começámos por fazer uma série de testes com essa fibra e foi bastante difícil conseguirmos chegar ao resultado final. Depois de muitas tentativas falhadas, desenvolvemos um processo termomecânico que nos permite moldar as propriedades da fibra por forma a caramelizar os nossos produtos e, assim, torná-los doces», explica a co-fundadora da startup do Porto, com sede e fábrica própria localizadas na zona da Boavista. Deste processo, o resultado são granolas sem açúcares adicionais e que contêm acima de 30 g de fibra por cada dose de 100 g , cinco vezes mais do que o mínimo exigido por lei na União Europeia para um produto ser considerado rico em fibra. «Queríamos reinventar as granolas, não queríamos apenas substituir [o açúcar], porque, hoje, há muitos produtos supostamente saudáveis que, por vezes, são piores do que o original. E O caso dos adoçantes, que não contribuem nem para a redução de peso nem para o combate de doenças metabólicas», explana Fernanda Vasconcelos. «A nossa preocupação foi desenvolver um produto que, mais do que ter o mínimo de calorias, fosse altamente nutritivo», acrescenta. O facto é que os produtos saudáveis da Nolita convencem cada vez mais consumidores , e não só. Em Fevereiro passado, a Vieira de Castro anunciou a entrada no capital da startup portuense, com o “objectivo estratégico de reforçar a sua presença no segmento de alimentos premium, saudáveis e de elevado valor acrescentado” uMa Parceria saudável O contacto com a Vieira surgiu por iniciativa dos co-fundadores da Nolita.com uma vasta experiência no mundo da Gestão e do Marketing (veja caixa), Fernanda Vasconcelos e Nuno Gama procuraram activamente um investidor com know-how no sector alimentar que os ajudasse a fazer crescer o negócio. «Falámos com investidores particulares e com fundos de investimento, mas chegámos à conclusão que não era isso que precisávamos, mas sim de alguém que tivesse feito este percurso. O negócio com a Vieira de Castro foi o mais interessante, na medida em que trabalham categorias semelhantes às nossas e estão há 83 anos no mercado. Depois, tivemos empatia e uma relação muito próxima», afirma Fernanda Vasconcelos. «Desde a primeira reunião que foi um namoro à moda antiga: bem estruturado, com muitos passos, tudo feito de forma muito segura.» Na sequência do acordo, a Vieira de Castro está agora representada no conselho de administração da Nolita, como detentora de uma parte do capital. O objectivo passa por alimentar sinergias em áreas como a administrativa, comercial ou a internacionalização. Sem revelar os valores envolvidos no negócio, a histórica empresa do ramo da confeitaria justificou, em comunicado, esta aposta como um investimento num projecto “alinhado com a evolução do sector e o reposicionamento nutricional da categoria de pequeno-almoço”. Nas palavras de Raquel Vieira de Castro, CEO da Vieira, «a Nolita representa uma nova geração de marcas com forte foco no consumidor, inovação e rigor nutricional». A Nolita já exporta para alguns mercados, como Itália, França e Espanha, mas o mercado nacional continua a representar a grande fatia das vendas da marca, que tem os seus produtos à venda em retalhistas como O Celeiro ou O El Corte Inglés, além da sua loja online própria. «são números ainda muito modestos e temos que dar um salto quântico. E aquilo que queremos começar a fazer este ano, ou pelo menos criar as bases para que tal seja possível», refere a co-fundadora. «Acreditamos que a parceria com a Vieira de Castro nos vai ajudar a passar para outro patamar completamente diferente, quer em Portugal, quer no estrangeiro», reitera. AlargaR o PORTEFoLIO âs barritas As granolas foram os primeiros produtos a serem lançados pela Nolita, em 2019, e continuam a ser os best-sellers da marca portuense. Hoje, a gama é composta por quatro referências (Granola Berry com arandos, Granola Sporty com sementes e amêndoas, Granola Crunchy com noz-pecã e sementes e Granola Nutty com frutos secos e sementes), disponíveis nos formatos individual (1,99 euros) e familiar (6,99 euros). Além das granolas, o portefólio da marca conta com amendoins (2,49 euros), frutos secos (2,99 euros) e amêndoas caramelizadas (3,49 euros), preparados para panquecas e queques (8,99 euros), preparados para pão (8,99 euros), farinha de chufa (5,99 euros) e fibra de inulina (14,99 euros), para adicionar a smoothies ou iogurtes, por exemplo. No to-tal, são cerca de 20 as referências no portefólio da Nolita, algumas das quais rotuladas como keto e low carb. «os nossos produtos são constituídos exclusivamente por frutos secos, sementes, fibras e especiarias. Não usamos mais nenhum tipo de ingrediente, como a aveia, por exemplo, que tem um índice glicémico muito próximo do açúcar», garante Fernanda Vasconcelos. Com planos para reforçar a capacidade de produção na sua fábrica, o objectivo da Nolita passa por consolidar o portefólio actual, mas também por trazer alguns produtos novos para o mercado. «Aquilo que os clientes e retalhistas nos têm pedido muito são as barritas. Já temos as receitas desenvolvidas, mas [o lançamento] só irá acontecer, na melhor das hipóteses, no final deste ano», revela a co-fundadora. Os "CHEFS" DA NOLITA Fernanda Vasconcelos é formada em Gestão pela Faculdade de Economia do Porto, tirou o MBA na Porto Business School (onde conheceu Nuno Gama) e um curso de Marketing Digital na General Assembly, em Londres. Ao longo do seu percurso profissional, desempenhou funções de marketing e gestão em empresas como Amorim, Unicer, Optimus e Sonae. Foi ainda directora de Marketing do Impacting Group que detém a empresa de marketing digital Adclick de onde haveria de sair no final de 2019 para se dedicar a 100% à Nolita. Já Nuno Gama é engenheiro de formação, com diploma pela Universidade do Minho, e tem igualmente um MBA pela Porto Business School. Ao longo dos anos, passou por empresas como Optimus/NOS, foi director de Inovação na Sonae e administrador da Casa de Investimentos. Hoje, divide o tempo entre a gestão da Nolita e o cargo de head of Venturing no CEiiA = Centro de Engenharia e Desenvolvimento. DANIEL ALMEIDA