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PÉ DE ORELHA - O CASO DE SUCESSO PORTUGUÊS NO MERCADO EUROPEU DE VEÍCULOS ELÉTRICOS

Executive Digest

2026-04-23 21:05:54

POR: década começou com o otimismo gerado pelo pacote “Fit for 55”, que visa reduzir em 55% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade em 2050. Contudo, este entusiasmo deu lugar a maior pragmatismo: no final de 2025, a UE recuou na meta de eliminação dos motores de combustão interna, de 100% para 90% até 2035, refletindo as dificuldades na transição para os veículos elétricos (VE). Infraestruturas de carregamento insuficientes, preços pouco competitivos e a persistente “ansiedade de autonomia” travaram o crescimento do setor, com OS VE a representarem apenas 17% das novas matrículas em 2025 (mais 3,2% em termos homólogos), segundo a ACEA. O setor automóvel europeu está a gravitar em torno dos veículos elétricos híbridos (VEH), que agora dominam quase 35% do mercado (novamente, de acordo com a ACEA). Os híbridos tornaram-se um “porto seguro” para os consumidores, oferecendo uma solução mais conveniente e económica do que os veículos totalmente elétricos. No entanto, para os investidores e decisores políticos, este sucesso é agridoce. Embora OS VEH reduzam a dependência imediata dos motores tradicionais a combustíveis fósseis, não contribuem de forma significativa para a redução global das emissões dos veículos e para o progresso no cumprimento das metas da UE de zero emissões líquidas para os automóveis de passageiros. Portugal é uma exceção no contexto europeu. Em 2025, as matrículas de VE cresceram mais de 25% em termos homólogos, para 52.256 unidades, atingindo 23% do mercado. Este desempenho é o resultado da convergência de três pilares fun-damentais: medidas políticas de apoio a curto prazo, uma visão a longo prazo para a evolução do mercado e uma abundância de recursos naturais. Entre estas medidas destacam-se também os incentivos fiscais e financeiros à aquisição de VE, que continuam a desempenhar um papel relevante na decisão dos consumidores e das empresas. Benefícios como apoios diretos à compra, isenções ou reduções fiscais e vantagens na fiscalidade automóvel têm ajudado a reduzir o custo de entrada dos VE e a acelerar a sua adoção no mercado nacional. Geologicamente, Portugal é uma “utopia” para a eletrificação, albergando as maiores reservas de lítio da Europa, com mais de 39 milhões de toneladas métricas de minerais que contêm lítio, de acordo com a Savannah Resources. Embora o país se encontre nas fases iniciais de integração da cadeia de abastecimento, estão em curso investimentos estratégicos na refinação e no fabrico de baterias, estando o início da produção do projeto de lítio do Barroso previsto para 2028. Além disso, a matriz de energias renováveis de Portugal otimiza o custo de propriedade dos VE , a geração de energia solar cresceu 27% em 2025, de acordo com a ENTSO-E, oferecendo uma forma mais limpa e acessível de carregar as baterias. Em última análise, o caso português mostra que a adoção em massa de VE exige mais do que legislação - requer uma cadeia de valor integrada. Portugal já estabeleceu bases sólidas, com ambição de se posicionar na cadeia global de VE e baterias, da extração ao uso de energia limpa e acessível. Para concretizar esta ambição, Portugal precisa de continuar a apoiar e a desenvolver a capacidade nacional de fornecimento de baterias e VE, o que acabará por conduzir a preços mais baixos para a energia e para os VE, abrindo caminho para um aumento estrutural na adoção de VE e no avanço da tecnologia das baterias na UE, sem a necessidade de depender de países terceiros. COMMODITY DESK STRATEGIST DO BNP PARIBAS Nota: o autor escreve segundo o novo acordo ortográfico. Jason Ying