AS CIDADES DO FUTURO SERÃO ECOSSISTEMAS DESCARBONIZADOS, CIRCULARES E RESILIENTES
2026-04-23 21:05:54

As smart cities emergem como um dos pilares da transformação urbana, integrando tecnologia, sustentabilidade e eficiência na gestão dos recursos. Empresas como a NOS, Elara, Cleanwatts Digital e Sotecnisol têm vindo a desempenhar um papel central neste processo, impulsionando soluções inovadoras em áreas como energia. conectividade e monitorização inteligente. A digitalização das cidades permite não só melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, mas também otimizar serviços essenciais , 0 futuro das cidades inteligentes constrói-se hoje.com inovação, parceria e visão estratégica. Atanseraco a atravessar uma profunda, impulsionada pela rápida evolução tecnológica e pela necessidade crescente de responder a desafios urbanos complexos. O conceito de smart cities surge como uma resposta integrada, combinando inovação digital com uma gestão mais eficiente dos recursos e serviços. No centro desta mudança está a utilização de dados em tempo real, sensores inteligentes e infraestruturas conectadas, que permitem uma melhor tomada de decisão por parte das entidades responsáveis. Esta abordagem contribui para melhorar áreas como a mobilidade, a energia, o ambiente e a segurança urbana. Mais do que tecnologia, as smart cities colocam o cidadão no centro do desenvolvimento urbano, promovendo uma maior qualidade de vida, inclusão e participação ativa na vida da cidade. A sustentabilidade assume também um papel fundamental, orientando estratégias que visam reduzir o impacto ambiental e promover o uso responsável dos recursos. ã medida que este modelo evolui, torna-se evidente que a colaboração entre di-ferentes atores e a adaptação contínua às necessidades locais serão determinantes para o seu sucesso. As cidades inteligentes não são apenas uma visão de futuro, mas uma realidade em construção que redefine a forma como vivemos e interagimos no espaço urbano. Conectividade e dados ao serviço da cidade e neste contexto de transformação urbana que se destacam organizações que estão a moldar ativamente o futuro das cidades inteligentes, através do desenvolvimento de soluções tecnológicas e sustentáveis.com uma abordagem centrada na inovação e na eficiência, estas entidades contribuem para tornar os territórios mais conectados, resilientes e preparados para os desafios do futuro, assumindo um papel determinante na concretização do conceito de smart city. Como sublinha Luísa Jervell, Diretora de Sustentabilidade da NOS, “a conectividade é a base para transformar dados dispersos em informação útil para a gestão urbana”, permitindo uma leitura em tempo real do território e das suas dinâmicas. Esta visão reflete uma mudança estrutural na forma como municípios, empresas e outras entidades encaram a gestão urbana, cada vez mais suportada por tecnologia e por uma lógica de antecipação. No centro deste ecossistema estão soluções de conectividade e Internet das Coisas (IoT), que possibilitam uma monitorização contínua de múltiplos indicadores. “Com redes móveis, 5G, NB-IoT, cloud e sensorização, torna-se possível recolher dados em tempo real sobre diferentes variáveis do território", explica a responsável. Esta capacidade traduz-se, na prática, numa gestão mais informada e eficiente de áreas como iluminação, mobilidade, ambiente ou fluxos de pessoas, reforçando o papel da tecnologia como aliada das políticas públicas. A recolha e análise de dados assume também um papel determinante na definição de estratégias de sustentabilidade. Segundo Luísa Jervell, “O valor destes dados está na sua aplicação à decisão pública”, permitindo desenhar políticas mais eficazes e ajustadas às necessidades reais das comunidades. Assim, as smart cities deixam de ser apenas um conceito tecnológico para se afirmarem como ferramentas concretas de apoio ao planeamento urbano, à eficiência energética e à adaptação às alterações climáticas. A tecnologia surge igualmente como um instrumento essencial na redução da pegada carbónica das cidades. “Quando uma cidade consegue gerir iluminação, climatização, mobilidade ou operação de edifícios com base em dados, consegue reduzir consumos desnecessários", destaca. Esta abordagem evidencia como a digitalização, quando bem aplicada, pode contribuir diretamente para a eficiência de recursos e para a transição energética dos territórios. Contudo, a responsável alerta para a necessidade de garantir que a própria infraestrutura digital é sustentável. “Não basta instalar tecnologia: é preciso desenhá-la para ser eficiente, durável, monitorizável e útil”, afirma, sublinhando a importância de uma visão integrada que considere o ciclo de vida dos equipamentos, o consumo energético e o benefício real das soluções implementadas. Este equilíbrio será determinante para assegurar que as cidades digitais são também ambientalmente responsáveis. Por fim, a construção de cidades mais inteligentes e resilientes depende de uma forte articulação entre diferentes atores. “Nenhuma organização constrói sozinha uma cidade resiliente” refere Luísa Jervell, defendendo que as soluções mais transformadoras resultam da colaboração entre empresas tecnológicas, entidades ambientais, academia e poder local. e neste cruzamento de competências que se desenha o futuro das smart cities, assente numa visão partilhada, inovação responsável e criação de valor para as comunidades. Smart cities assentes na eficiência energética A visão de cidade inteligente ganha novas camadas quando observada do ponto de vista da infraestrutura física e energética. Para José Luís Castro, CEO do Grupo Sotecnisol, “uma Smart City é um ecossistema urbano que integra de forma inteligente as suas infraestruturas físicas com tecnologia e soluções inovadoras”, indo além da simples digitalização. Esta perspetiva reforça a ideia de que o futuro urbano depende da articulação entre construção, energia e inovação, numa lógica integrada e orientada para a sustentabilidade. Neste contexto, a eficiência energética surge como um dos pilares centrais. O responsável destaca que “não se trata apenas de digitalização, mas de usar a inteligência para otimizar a gestão de recursos", sublinhando a necessidade de repensar a forma como edifícios, redes e sistemas urbanos consomem energia. Esta abordagem torna-se particularmente relevante num cenário marcado pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais. Entre as soluções concretas, o armazenamento de energia assume um papel transformador. “As baterias de armazenamento permitem que um edifício armazene a energia solar produzida durante o dia para a consumir à noite”, explica José Luís Castro, evidenciando como estas tecnologias potenciam o autoconsumo e reduzem a dependência da rede elétrica. Ao mesmo tempo, contribuem para a estabilidade do sistema energético, um fator crítico à escala urbana. A eficiência dos edifícios é outro eixo determinante. “As nossas soluções de isolamento e as fachadas inteligentes reduzem o consumo de energia para aquecimento e arrefecimento", afirma, apontando para uma das principais fontes de consumo energético nas cidades. Ao melhorar o desempenho térmico, estas soluções não só diminuem o impacto ambiental, como também aumentam o conforto dos utilizadores. Do ponto de vista do cidadão, os benefícios são tangíveis no quotidiano. “Edifícios inteligentes e mais bem isolados significam temperaturas mais estáveis e faturas de energia mais baixas", refere o CEO, acrescentando que os sistemas de domótica permitem um controlo mais direto e personalizado dos espaços. Esta integração tecnológica traduz-se numa experiência urbana mais eficiente, confortável e adaptada às necessidades individuais. Ainda assim, a transição para modelos de smart city enfrenta desafios significativos. “os maiores desafios podem surgir com a demora dos licenciamentos e o investimento inicial”, alerta José Luís Castro, evidenciando barreiras estruturais que exigem resposta coordenada entre setor público e privado. Apesar disso, a visão é clara: “as cidades do futuro serão ecossistemas descarbonizados, circulares e resilientes", onde edifícios inteligentes, energia renovável e mobilidade elétrica se articulam para redefinir o ambiente urbano. A par destas transformações, destaca-se ainda a importância de uma abordagem integrada desde a fase de construção. Como refere José Luís Castro, "toda esta abordagem assenta numa base de sustentabilidade material” promovendo a utilização de soluções e materiais que reforçam a economia circular. Mais do que intervir sobre o existente, trata-se de garantir que as cidades do futuro são pensadas de raiz com critérios de eficiência, durabilidade e responsabilidade ambiental, assegurando um impacto positivo a longo prazo. Já para Basílio Simões, Executive Chairman e cofundador da Cleanwatts Digital, “uma cidade mais inteligente começa por saber exatamente quanto consome, quando consome e como pode reduzir esse impacto". Esta leitura coloca a gestão energética no centro da evolução urbana, destacando o papel dos dados e da monitorização como base de decisão. Nesse sentido, a digitalização surge como elemento estruturante desta mudança. “Através das nossas plataformas de software, ajudamos a produzir, partilhar e otimizar energia renovável em tempo real”, explica, evidenciando como a tecnologia permite criar ecossistemas energéticos locais mais autónomos. Ao integrar produção, consumo e armazenamento, estas soluções tornam as cidades “menos dependentes da rede centralizada, mais resilientes e com menores emissões de co2". A descentralização energética representa, assim, uma mudança de paradigma. Como refere Basílio Simões, "quando um bairro consegue produzir energia solar e distribuí-la estamos a falar de uma mudança estrutural na forma como a cidade gere os seus recursos” No entanto, sublinha que “a digitalização é o que torna isso possível na prática”, sendo essencial para operacionalizar modelos que, sem tecnologia, permaneceriam apenas conceptuais. Apesar do potencial, persistem desafios relevantes. “Fragmentação de dados, falta de interoperabilidade, resistência institucional à mudança e dificuldade em demonstrar retorno de investimento” são algumas das barreiras identificadas. Para o responsável, a solução passa por “começar com projetos de impacto mensurável”, capazes de gerar confiança e demonstrar resultados concretos, criando condições para uma adoção mais ampla. A inteligência artificial assume também um papel crescente neste contexto. “Na gestão energética urbana, a IA permite fazer previsão de consumo e de produção renovável com uma precisão que seria impossível manualmente”, afirma, acrescentando que esta capacidade permite decisões mais informadas e menos reativas. Na prática, trata-se de antecipar necessidades e otimizar recursos em tempo real, reduzindo custos e aumentando a eficiência. Ainda assim, a componente humana mantém-se central. “Uma smart city que não envolve as pessoas corre o risco de se tornar um projeto técnico sem raízes", alerta Basílio Simões, defendendo que a transparência e a literacia energética são fundamentais para garantir adesão. Olhando para o futuro, antecipa que “a convergência entre energia e inteligência artificial vai aprofundar-se”, mas sublinha que o verdadeiro desafio será garantir que essa evolução “serve o interesse coletivo”. Energia local e partilhada é motor das novas cidades Na visão de cidade inteligente defendida pela Elara parte de um princípio fundamental: a descentralização. Como explica Maria João Benquerença, Diretora Geral da empresa, “as comunidades de energia são uma forma diferente de organizar a produção e o consumo de energia a nível local”, aproximando a tomada de decisão dos cidadãos e reduzindo a dependência de sistemas centralizados. Este modelo traduz-se na criação de ecossistemas energéticos locais. “Cada comunidade que criamos é, na prática, um pequeno ecossistema energético local”, afirma, destacando que a multiplicação destas estruturas contribui para uma cidade “mais distribuída, mais flexível e genuinamente mais inteligente". Trata-se de uma abordagem que combina eficiência técnica com impacto social e económico. A partilha local de energia é um dos principais motores desta transformação. “A energia produzida localmente não precisa de percorrer longas distâncias pela rede", refere, o que reduz perdas e custos. Além disso, “os excedentes de uns cobrem as necessidades de outros", criando circuitos mais eficientes e promovendo uma lógica de cooperação en-tre diferentes utilizadores urbanos. Para garantir o sucesso destes modelos, a monitorização contínua é essencial. “Uma comunidade de energia sem monitorização não é possível perceber o porquê desse funcionamento", alerta Maria João Benquerença, sublinhando que a gestão inteligente permite otimizar a partilha e antecipar problemas. Em contexto urbano, esta capacidade é ainda mais relevante devido à diversidade de perfis de consumo. Apesar dos benefícios, subsistem desafios importantes. “A complexidade burocrática é o maior obstáculo”, admite, apontando questões como licenciamentos e enquadramento regulatório. A isto juntam-se desafios técnicos, como a adaptação das infraestruturas existentes e a definição de modelos de partilha equilibrados, evidenciando a necessidade de soluções ajustadas a cada contexto. Por fim, destaca-se o impacto social destas soluções. “A smart city mais eficaz é aquela onde os cidadãos deixam de ser destinatários de serviços e passam a participantes ativos", afirma, sublinhando o papel da participação e da literacia energética. Olhando para o futuro, acredita que "as comunidades de energia estão a deixar de ser uma novidade para se tornarem uma componente estrutural”, com um impacto que será “não apenas ambiental ou económico, mas social", tornando a energia mais acessível e inclusiva. Em conjunto, as diferentes perspetivas convergem numa ideia central: as smart cities não resultam de uma única tecnologia ou entidade, mas da articulação entre conectividade energia, infraestrutura e participação cidadã. Como foi sendo sublinhado ao longo das intervenções, “a conectividade é a base para transformar dados dispersos em informação útil”, “uma cidade mais inteligente começa por saber exatamente quanto consome” e “nenhuma organização constrói sozinha uma cidade resiliente", evidenciando que o futuro urbano depende de uma abordagem integrada, colaborativa e orientada para resultados concretos. Entre dados em tempo real, inteligência artificial, eficiência energética e novos modelos descentralizados como as comunidades de energia, desenha-se um caminho comum: cidades mais sustentaveis, mais eficientes e, sobretudo, mais centradas nas pessoas, onde a inovação tecnológica só faz sentido quando gera valor real e partilhado para os territórios e para quem neles vive. ..a conectividade é a base para transformar dados dispersos em informação útil para a gestão urbana. Luísa Jervell, NOS ..toda esta abordagem assenta numa base de sustentabilidade material.. .não se trata apenas de digitalização, mas de usar a inteligência para otimizar a gestão de recursos... José Luís Castro, Sotecnisol Basílio Simões, Cleanwatts Digital A smart city mais eficaz é aquela onde os cidadãos deixam de ser destinatários de serviços e passam a participantes ativos... Maria João Benquerença, Elara