pressmedia logo

UMA HISTÓRIA QUE ORGULHA A CIDADE E O PAÍS

Correio do Minho Online

2026-04-23 21:05:55

Escrevo esta pequena reflexão dois dias após as eleições dos corpos sociais da AEB (Câmara de Comércio e Indústria de Braga / Associação Empresarial de Braga) uma instituição que no próximo mês de Maio completará 162 anos. Numa instituição com esta longevidade é até possível dizer que por vezes não se presta a devida homenagem aos seus fundadores, empresários que há mais de um século e meio ousaram começar a organizar o movimento associativo empresarial na nossa cidade. É uma tendência natural, olharmos muito para o presente e futuro e muito pouco para o passado, o que nos inibe por vezes de aprender com grandes exemplos que nos foram deixados há 20, 50, 100, 200 anos. Esta não memória do passado faz com que cada vez mais celebremos datas apenas por trazerem o bónus de um feriado e cada vez mais datas como o 1 de Dezembro (Restauração da Independência), 5 de Outubro (Implantação da República), 10 de Junho (Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas) e 25 de Abril (Dia da Liberdade) começam a ser vistas como meros proformas e não como datas de exaltação da nossa história milenar. Mas, voltando à AEB e tendo a honra de manter a Presidência da Assembleia Geral e, por inerência, do Conselho Estratégico, há um conjunto de pontos que gostava de realçar, pois tenho a percepção que não são do conhecimento da generalidade dos cidadãos desta região : - o caminho de ACB (Associação Comercial de Braga) para AEB (Associação Empresarial de Braga) não representou uma mera alteração cosmética mas sim uma clara alteração de posicionamento que se traduz hoje na existência de inúmeros associados das áreas da Indústria, da Construção Civil, dos serviços financeiros, da Tecnologia, etc. Ou seja, a actual AEB não renegou nem renega as suas origens mas é hoje uma associação empresarial transversal, com mais de um milhar de associados de todos os sectores económicos; - não fugindo à sua designação, em que orgulhosamente ostenta o nome Braga, não deixa de ser uma associação que, em maior ou menor grau, está presente noutros concelhos do nosso distrito, sempre numa aposta de dinamização empresarial e defesa das empresas e dos empresários; - nos últimos anos a AEB fez um rejuvenescimento significativo dos seus corpos gerentes. Respeitando sempre o passado e os dirigentes associativos que não renovam os seus mandatos, a AEB tem conseguido trazer para o seu seio uma nova geração empresarial. Não sendo isto um bem em si, é, não duvidemos, uma garantia de perenidade, pois numa altura em que é cada vez mais complexo o envolvimento de jovens empresários na vida associativa é gratificante ver que a AEB tem conseguido captar tanto para associados como também para os corpos gerentes um conjunto de empresários que, no futuro, irão potenciar o crescimento do movimento empresarial na nossa região; - a AEB é uma associação empresarial que se destina a potenciar o crescimento das empresas e por empresas entendemos todos os seus stakeholders, a começar por trabalhadores, gerentes/accionistas, etc. Desengane-se quem olha para as associações empresariais como sindicatos de empresários ! Uma associação empresarial como a AEB defende as empresas, pugna pelo desenvolvimento das empresas como um todo e não as empresas de maior ou menor dimensão. Mas mais a AEB sabe que tendo o mundo empresarial desta região algumas das maiores empresas deste país, essas, pelo seu mérito, têm acesso directo aos corredores do poder local/regional/central (sempre no bom sentido, note-se); a preocupação da AEB tem de estar junto dos milhares de empresas que não têm esse acesso. Conhecendo há mais de 30 anos a realidade do movimento associativo empresarial, dou cada vez mais valor ao trabalho da AEB, que tem no seu seio associados com milhares de trabalhadores, mas também tem no seu seio muitos associados com 3, 4, 5, 20 trabalhadores. A AEB sabe que tem que ter a sua estrutura preparada para apoiar vários tipos de associados sem qualquer exclusão por factores de dimensão, valor de quota, etc - através de uma gestão prudente mas simultaneamente muito dinâmica, a AEB tem vindo a apresentar de forma consistente resultados positivos, plenamente orientados para o reforço da sua estabilidade financeira e para a melhoria contínua dos serviços prestados aos associados. E fá-lo, realce-se, com uma política de quotas muito muito baixas, para permitir que mesmo as empresas mais pequenas possam ser associadas; - a AEB mantém e manterá uma política de rigorosa independência em relação ao poder local e central, seja ele qual for. Como disse, a AEB não é um sindicato de empresários, mas sim uma associação empresarial, disponível para colaborar de forma rigorosamente independente com todas as autarquias da região, com as CIMs, a CCDR-N, o governo central, o ensino profissional, o ensino superior, etc. A AEB não é a caixa de ressonância de nenhum órgão de poder mas também não é um contra-poder que existe apenas para criticar o poder autárquico e central. A caminho do meu 5.º ano na função de presidente da Assembleia Geral posso garantir aos associados que os partidos políticos sempre ficaram à porta e que todos os presidentes de câmara e governantes são respeitados como tal, mas criticados educada mas assertivamente sempre que necessário, desde que isso seja útil para as empresas. Termino deixando um forte apelo às empresas da região: associações empresariais fortes precisam de associados, não apenas por causa de quotas (e na AEB elas são absolutamente simbólicas) mas fundamentalmente por questões de representatividade, de diversidade de opiniões, de riqueza de debate, de pluralismo de ideias. As empresas da região devem unir-se em torno de uma associação com mais de 160 anos de história e, mais do que isso, uma associação 100% livre, interventiva junto das Confederações empresariais (CIP e CCP), respeitada pelos órgãos de poder local e central e intransigente na defesa das empresas. Caros colegas empresários envolvam-se, participem no movimento associativo empresarial e aqui já não falo apenas da AEB. É fácil opinar, é fácil criticar, mas é garantidamente mais útil participar, aparecer, debater, lançar ideias. Conto com todos! Duas breves notas finais: i) 52 anos depois do 25 de Abril de 1974, esta continua a ser uma data que deve ser sempre comemorada e explicada aos mais novos; ii) Um registo encomiástico para o Muzeu , Pensamento e Arte Contemporânea dst que será inaugurado amanhã, 25 de Abril. Eu agradeço, Braga agradece, a região agradece, o país agradece. Parabéns “Zé Teixeira” (desculpa a coloquialidade); parabéns para toda a família que lidera o grupo e parabéns para todos os colaboradores do grupo que tornaram isto possível. Pedro Tinoco Fraga