DEPOIS DE UMA ENTRADA TÍMIDA NO MERCADO NACIONAL, OS VEÍCULOS ELÉTRICOS JÁ SÃO OPÇÃO PARA MUITOS - DOIS PORTOMOSENSES EXPLICAM O QUE OS LEVOU A COMPRAR CARRO ELÉTRICO
2026-04-24 21:06:03

Ainda será cedo para dizer que os veículos elétricos chegaram, viram e venceram, mas se a tendência atual se mantiver o cenário irá mudar num prazo relativamente curto. O mercado português fechou o ano de 2025 a acelerar” e os veículos elétricos e híbridos deram um bom contributo para isso, segundo a Associação Automóvel de Portugal , ACAP. No ano passado, dos 264 821 veículos novos matriculados, 225 039 eram ligeiros de passageiros, sendo que 69, 7% pertenciam ao segmento elétricos ou híbridos, Em 2025, os elétricos representaram 23,2% do total anual, subindo essa quota para 26,8% em dezembro. Mas, afinal, o que possuem de tão bom os veículos elétricos para já terem conquistado muitos portugueses? Foi isso que tentámos saber à conversa com Paulo Santo, de Porto de Mós, e José Pires, de Alvados, ambos proprietários de carros elétricos. «As principais motivações pelas quais decidi comprar um veículo elétrico foram a poupança financeira, a longo prazo, nomeadamente em termos de combustível e manutenção, os incentivos fiscais, o conforto de condução e a vertente ecológica», começa por explicar Paulo Santo. «Acabei por comprar um elétrico sobretudo pela poupança, mas também pela curiosidade e interesse pela tecnologia. Já acompanhava esta evolução há algum tempo e, sendo uma pessoa bastante curiosa em relação às novas tec-nologias, senti que fazia sentido dar esse passo. Por outro lado, com o aumento do custo dos combustíveis fósseis e tendo também em consideração a vertente ambiental, a decisão tornou-se ainda mais lógica», diz, por sua vez, José Pires. Como é conduzir um elétrico? E como é a condução de um carro elé- trico? «A diferença em relação a um de combustão é grande: a aceleração é imediata e linear, sem passagens de caixa. e muito mais ágil em ultrapassagens e cidades. A ausência de ruído e vibração do motor torna a condução muito menos stressante. Permite conduzir apenas quase, com o pedal do acelerador, o que é extremamente cómodo no trânsito», descreve Paulo Santo. «e francamente melhor do que estava à espera», diz José Pires, acrescentando que «o carro é extremamente silencioso, não há vibrações e a resposta à aceleração é imediata, o que torna a condução muito mais suave e agradável». «Em ambiente urbano a diferença nota-se bastante, porque a condução é muito confortável e fluida. Depois de nos habituarmos a esta experiência, os carros de combustão acabam por parecer mais “brutos” e menos suaves», sublinha. E a tão falada poupança, é real ou anda por aqui muito marketing à mistura? «Sim, é efetiva e substancial, especialmente se carregarmos em casa. No carregamento doméstico o custo por 100 quilómetros pode ser três a quatro vezes inferior ao de um carro a gasóleo/gasolina. Quanto ao carregamento ónos postos públicos e rápidos, o custo aproxima-se de um carro a combustão eficiente», diz perentório, Paulo Santo. «Gasto entre três a quatro vezes menos por quilómetro quando comparado com um carro a gasolina ou gasóleo. Como faço maioritariamente os carregamentos em casa, essa diferença sente-se bastante no orçamento mensal e representa uma poupança real e significativa», reforça José Pires. Para ambos, o problema da autonomia, que durante os primeiros anos afastou muita gente desta nova tecnologia, hoje já não existe. Paulo Santo fala de «autonomias reais entre 300 a 500 quilómetros», o que faz com que o elétrico possa ser perfeitamente o carro único da família. «No dia a dia é imbatível e saio todos os dias com o "depósito cheio”», diz bem disposto, acrescentando que «nas viagens mais longas obriga, apenas, a um planeamento mínimo e a parar 20 a 30 minutos para carregar a bateria e "esticar" as pernas». A experiência de José Pires também é a melhor possível. «A autonomia do meu carro ronda os 600 quilómetros, o que é mais do que suficiente para o meu dia a dia. Em autoestrada reduz um pouco mas continua a permitir uma utilização totalmente normal. Mesmo para viagens maiores, o carro responde muito bem. Já é perfeitamente possível ir ao Algarve ou ao Norte, com uma única carga, dependendo, claro, do ritmo de condução e das condições da viagem», frisa. Custos de manutenção muito baixos Embora muitos condutores se queixem de que a rede de carregadores ainda é insuficiente, para estes dois portomosenses, tudo se resolve com planeamento e um tempo de paragem curto. «Eu tenho acesso à rede de super carregadores da marca e em 15 minutos consigo carregar cerca de 60%, o que torna essa questão praticamente irrelevante. Além disso, o próprio carro planeia a viagem e indica onde parar, quando O fazer e durante quanto tempo, o que torna todo o processo extremamente cómodo», reconhece o jovem de Alvados. «As minhas viagens longas não são assim tão frequentes, pelo que não faz sentido abdicar de uma tecnologia superior, mais confortável e mais amiga do ambiente, por causa de algumas paragens pontuais», reconhece José Pires, num sentimento partilhado com Paulo Santo. Os custos de manutenção são um dos elementos mais apontados como uma das vantagens dos elétricos e os nossos interlocutores concordam. «o veículo elétrico tem muito menos peças com desgaste rápido (não tem óleo, filtros de combustível, correias de distribuição, velas..) embora o desgaste dos pneus possa ser mais rápido. As pastilhas de travão duram muito mais devido à regeneração elétrica. As revisões costumam ser significativamente mais baratas, focando-se apenas em filtros de habitáculo, pneus e diagnóstico eletrónico», resume Paulo Santo. José Pires comprou o seu automóvel há menos de seis meses, por isso ainda não tem «uma avaliação totalmente consolidada», no entanto, sublinha que «tudo indica que a manutenção será claramente mais económica porque um carro elétrico tem uma mecânica bastante mais simples e muito menos peças sujeitas a desgaste». Assim, «comparando com um carro de combustão, onde existem várias manutenções periódicas obrigatórias e maior probabilidade de avarias mecânicas, a expectativa é de uma poupança considerável». Em suma, ambos estão muito satisfeitos com a compra que fizeram. Paulo Santo, destaca «a combinação de silêncio, performance e o custo por quilómetro», afirmando ainda que o facto de “abastecer” o carro enquanto está em casa, a dormir, «compensa largamente a gestão da autonomia em viagens longas». José Pires confessa-se feliz e assegura que não tem dúvidas de que «voltaria a tomar exatamente a mesma decisão, sem pensar duas vezes». Paulo Santo realça os baixos custos de manutenção como uma das vantagens dos elétricos (DR) José Pires gasta 3 a 4 vezes menos por quilómetro em comparação com um carro a combustão (DR) ISIDRO BENTO