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BRAGA INAUGURA MUZEU COMO FAROL CULTURAL E UM EXEMPLO "QUE DEVE FRUTIFICAR"

RUM

2026-04-24 21:06:04

O espaço recebeu um investimento de 40 milhões de euros assumido pela construtora bracarense dstgroup. Com três mil metros quadrados e cinco pisos que acolhem mais de uma centena de obras de arte de 85 artistas - na sua maioria mulheres e nacionais - o Muzeu , Pensamento e Arte Contemporânea foi inaugurado esta quinta-feira, em Braga, após um investimento de 40 milhões de euros assumido pela construtora bracarense dstgroup. O presidente do grupo, José Teixeira, recordou que a empresa gosta de ser servida e de “servir a partir da arquitetura, da arte, da literatura, da poesia, da música ou da fotografia”, sublinhando que o Muzeu é o lugar escolhido para partilhar com os outros o que “nos faz bem”. Para o responsável, o projeto não é propriamente responsabilidade social, mas sim “um dever social”, defendendo que a educação cultural e o apoio às artes não são apenas papéis dos Estados e das cidades, mas também da economia. Alertou ainda que um mundo mais justo depende de as empresas “entrarem nesta partida”, afirmando que a educação, a formação e o conhecimento são a “vara de Arquimedes”. Presente na inauguração, o Presidente da República, António José Seguro, reconheceu o espaço como um exemplo da realização de um princípio básico das democracias e da vida em sociedade: “a responsabilidade social da riqueza”. O governante apelou a que este exemplo “frutifique” não só nas artes, mas também na proteção do património, no incentivo à leitura e na inovação arquitetónica, defendendo o mecenato como um dever e uma obrigação moral. Instalado no edifício onde funcionou o Tribunal Judicial de Braga, o espaço foi elogiado pelo presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, que afirmou que o local “vale sobretudo por aquilo que anuncia”. O autarca ressaltou que a inauguração é a afirmação do que “pode e deve ser uma cidade”, celebrando uma Braga que quer continuar a crescer com sentido e com alma, sublinhando que a cidade “tem passado, mas não é uma cidade presa ao passado”. Por sua vez, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, destacou a componente inclusiva da iniciativa e a possibilidade de o espaço receber alunos das escolas da cidade. O governante considerou “extraordinário o facto de um agente privado, uma família, dar à comunidade este espaço”, apesar de a educação e a cultura serem “funções primordiais da ação do Estado”, recordando ainda que, embora Braga tenha “muitos espaços de beleza”, não há muitos locais como este em Portugal. A diretora e curadora Helena Mendes Pereira foi a responsável por guiar os primeiros visitantes oficiais desde a porta de entrada até à “escada infinita” no quinto andar, num espaço pensado em conjunto com o arquiteto Carvalho Araújo. O projeto foi desenvolvido em diálogo com a arquitetura, num processo que adaptou o edifício às intenções curatoriais. Helena Mendes Pereira destacou o desejo de que a direção de instituições culturais e a curadoria deixem de ser voltadas para o “alimento do ego” e passem a ser um “exercício de escuta”, tendo como objetivo privilegiar artistas mulheres e estar permanentemente atento aos ecossistemas criativos de todas as geografias, para além dos eixos de Lisboa, Porto e capitais europeias.