PORTUGAL QUER MAIS CARROS ELÉTRICOS, MAS CONTINUA PRESO À FALTA DE CARREGADORES: 44% MUDARIAM SE HOUVESSE MAIS PONTOS
2026-04-24 21:06:05

Ouça este artigo Clique para reproduzir A transição para a mobilidade elétrica continua a ganhar expressão em Portugal, mas ainda há um obstáculo que pesa na decisão dos condutores: a disponibilidade de pontos de carregamento. Dados da EasyPark , parte da Arrive, revelam que 44% dos portugueses inquiridos admitem que optariam mais facilmente por um carro elétrico se a infraestrutura pública de carregamento fosse mais vasta. O crescimento dos veículos elétricos tem sido impulsionado por medidas de apoio à compra, pela maior oferta no mercado e pela perspetiva de restrições futuras à produção e venda de automóveis com motores a combustão. Ainda assim, para muitos condutores, a mudança depende menos da vontade de aderir à mobilidade elétrica e mais da confiança na rede disponível no dia a dia. A falta de soluções de carregamento continua, por isso, a surgir como um dos principais travões à decisão de compra. O tema ganha particular relevância num momento em que a mobilidade urbana enfrenta novas exigências, não apenas ao nível da pressão sobre o tráfego, mas também da capacidade das infraestruturas para acompanhar a transição energética. “A mobilidade do futuro passa pelo digital e pela opção por soluções mais amigas do ambiente. Ainda que as viaturas elétricas estejam na mente dos condutores quando pretendem mudar de carro, a verdade é que alguns dos principais desafios estão nas infraestruturas”, afirma Jennifer Amador Tavares de Sousa, diretora para Portugal e Espanha da Arrive. Para a responsável, a resposta deve passar por uma combinação de incentivos, investimento e soluções mais próximas das necessidades reais dos utilizadores. “Alguns dos passos a considerar a curto prazo passam por alinhar os incentivos com o investimento em plataformas e soluções de carregamento mais inteligentes e mais próximas dos condutores. Ao mesmo tempo, é importante que estas soluções sejam desenvolvidas em conjunto com as entidades reguladoras, os operadores e, acima de tudo, de acordo com as necessidades dos condutores”, acrescenta. Continue a ler após a publicidade Os dados da EasyPark estão alinhados com a leitura do Observatório ACP, que aponta a necessidade de uma infraestrutura mais consistente como fator essencial para acelerar a transição para os carros elétricos em Portugal. Ou seja, o interesse dos consumidores existe, mas a confiança na rede de carregamento continua a ser determinante. O estudo mostra ainda diferenças relevantes entre gerações. Os condutores entre os 18 e os 34 anos são os que mais optam por veículos elétricos, representando 11,7% dos inquiridos. Já os híbridos têm maior adesão entre os condutores com mais de 55 anos, com 15,3%. Nas faixas etárias intermédias, os automóveis a combustão continuam a prevalecer. A conclusão é clara: a mobilidade elétrica já entrou nas opções dos portugueses, mas a expansão da rede de carregamento poderá ser decisiva para transformar intenção em compra efetiva. Continue a ler após a publicidade Automonitor