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ONZE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS NO SETOR DA DEFESA EM PORTUGAL

Jornal Económico (O)

2026-04-24 21:06:09

Defesan Após décadas de dependência quase exclusiva do Estado, o setor entrou num novo ciclo mais industrial e mais exportador. O momento ideal para as PME nacionais atacarem. tcotrim@medianove.com As empresas portuguesas podem ir à boleia do setor da defesa. Este pode vir a assumir um papel semelhante ao da indústria automóvel, tornando-se um verdadeiro cluster estruturante da economia nacional. A comparação é assumida por José Neves, presidente da AED Cluster Portugal, que compara diretamente o potencial da defesa ao impacto da Autoeuropa nas exportações nacionais,. Essa ambição assenta numa base já consolidada. “o setor da aeronáutica, espaço e defesa exporta atualmente 92% do que produz e deverá crescer pelo menos 10%”, segundo José Neves, refletindo uma forte integração nas cadeias de valor internacionais. O investimento estrangeiro em Portugal, no setor da defesa já conta com onze empresas: a a Embraer, a OGMA, a Lauak Portugal, a Thales Edisoft Portugal, a Aernnova Aerospace, a Critical FlyTech (joint venture entre a Critical Software e a Airbus), Beyond Gravity, a Indra, a EID (adquirida pela Cohort) e a GMV Portugal, entre outras empresas mais pequenas. Esta captação de investimento realizado ao longo dos anos, no seu conjunto representa um volume de negócios anual entre 700 e 800 milhões de euros. Quanto a novos contratos, José Neves aponta dossiês importantes ligados à substituição dos F-16, à renovação de meios navais, nomeadamente da classe Vasco da Gama, e à modernização e aquisição de veículos blindados para O Exército. “Mas o nosso foco não está apenas no contrato. Defendemos que qualquer aquisição deve ser pensada também como instrumento de política industrial para integrar empresas portuguesas nas cadeias de fornecimento e a criar relações duradouras com os grandes operadores internacionais”, avança. José Neves salienta ainda que o desafio é garantir que o novo ciclo de investimento se oriente cada vez mais para aquisições, manutenção, modernização, inovação e reforço da capacidade industrial nacional. Ou seja, “como passamos de soluções chave na mão estrangeira para desen-volvimento de produtos tendo por base tecnologia e talento português.” o crescimento do setor não se traduz apenas em números, mas também na evolução do ecossistema empresarial. Porém, ninguém consegue dizer ao certo quantas PME nacionais já estão indiretamente a ganhar com o setor. Sérgio Barbedo, coordenador do grupo de trabalho de defesa da CIP, afirma que "Portugal tem tido um fortíssimo crescimento em tudo o que é o setor aeroespacial e de defesa”. Segundo O responsável, o país entrou numa nova fase de maturidade, após um percurso iniciado no início dos anos 2000 com a entrada na Agência Espacial Europeia, evoluindo de pequenas empresas tecnológicas para um ecossistema mais alargado, com capacidade de atrair multinacionais e exportar globalmente. Hoje, sublinha, Portugal é já reconhecido internacionalmente neste setor, algo que não acontecia há uma década. O responsável destaca ainda que o impacto da defesa vai além da indústria militar, funcionando como um motor para toda a economia. Setores tradicionais como o têxtil, metalomecânica, moldes, química ou energia podem beneficiar diretamente da integração nas cadeias de fornecimento, numa lógica de reconversão industrial. “Este é um setor altamente exportador e que produz mais para fora”, refere, sublinhando também a importância da capacitação das empresas e da resiliência das infraestruturas críticas. Num contexto europeu marcado por um aumento acelerado do investimento, com despesas em defesa a crescerem 60% desde 2020 e a atingirem níveis recorde, Portugal tem uma janela de oportunidade rara. O desafio passa por saber se a vai aproveitar. 2% Portugal cumpriu pela primeira vez a meta de 2% do PIB da NATO dedicado à defesa, entrando no top 10 europeu em nono lugar. 444 Empresas registadas no site do IdD Defense. Das quais, 12% são grandes empresas, 21% médias e 60% micro e pequenas. Em 2025 nasceram 81. 10,9 Quanto áS vendas, 4,39 mil milhões são de clientes de defesa (40%) e 6,58 mil milhões de outros (60%), segundo dados do IdD Defense. Teresa Cotrim