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ESTE É O AVIÃO DE COMBATE ANTI-RÚSSIA QUE A SUÉCIA QUER VENDER A PORTUGAL

Jornal Económico Online (O)

2026-04-25 21:05:32

Suecos querem vender a Portugal o substituto do F-16. Argumentam que o Gripen custa um terço face a rivais, voa mais horas e tem mais tecnologia. SAAB aponta que o país tem muito potencial para produzir componentes e não rejeita a hipótese de vir a fabricar caças. Gripen nasceu num país que vive próximo da ameaça russa e vai ser usado nos céus da Ucrânia. Aterra em estradas no meio de florestas. Consegue reabastecer em 10 minutos para voltar a voar. Tem um custo mais baixo face aos concorrentes. O avião de combate sueco Gripen já faz parte das forças aéreas de vários países e agora quer patrulhar os céus e mares de Portugal. Este caça mistura a simplicidade da sueca Ikea e a capacidade de atualização tecnológica para modernizar as capacidades de combate do avião, à boa maneira da também escandinava Lego. Como é que um país com 10 milhões de habitantes produz um caça supersónico? A geografia ajuda a explicar. É que a Suécia tem de viver com a proximidade de uma Rússia que tem sido hostil à Europa ocidental desde a Segunda Guerra Mundial. O Gripen foi desenvolvido por engenheiros suecos com uma ideia base: em caso de ataque, as bases aéreas são as primeiras infraestruturas a serem atacadas, logo o caça tem de ter a capacidade de deslocar/aterrar noutros locais para o país conseguir resistir, com uma manutenção relativamente simples para poder reabastecer e voltar ao combate. Apesar de hoje ser membro da NATO, aderiu recentemente, há várias décadas que a Suécia optou por desenvolver uma indústria nacional de defesa que agora exporta para todo o mundo. Com os F-16 da Força Aérea Portuguesa a envelhecerem, a SAAB tem mostrado interesse em vender a Portugal os futuros caças do país, quando o concurso for lançado, ainda sem data. “Acredito que temos um produto muito forte que pode servir bem a Portugal”, diz ao JE Daniel Boestad, vice-presidente da unidade Gripen na SAAB. “Quando chega a parte económica, custamos um terço do que custa a nossa concorrência ao longo de todo o ciclo de vida”, defendeu em conversa durante uma visita à fábrica do Gripen em Linkoping na Suécia, onde são fabricados aviões para a Força Aérea sueca, mas também para a Colômbia ou o Brasil, alguns dos contratos mais recentes. A companhia destaca que a disponibilidade destes caças para voar atinge os 90%, batendo os rivais que rondam os 50% a 60%, argumentando que num cenário destes até é preciso comprar menos aviões face aos rivais, pois a sua capacidade operacional é maior. Sobre se Portugal pode vir a receber a produção do caça, se o país optar por esta solução, respondeu: “Em Portugal, existem companhias muito boas. Temos vindo a conversar com a OGMA e a Critical Software e penso que existe muito potencial para cooperarmos de muitas formas diferentes”, afirma. Apontou assim para a montagem de componentes, incluindo da aeroestrutura, como a fuselagem. Questionado sobre se estava previsto a montagem final dos caças, o gestor foi mais cauteloso: “precisamos de dar um passo de cada vez, apesar de não podermos afastar nenhum cenário, mas temos de ver como corre. Uma questão importante é que as potenciais parcerias vão além do Gripen português”, acrescentou. A empresa aponta que, quanto maior a encomenda nacional, maior a possibilidade de maior incorporação nacional, como no caso do Brasil, que comprou 36 caças, com 15 a serem produzidos internamente nas fábricas canarinhas da Embraer e da SAAB. Destacou pela positiva os trabalhadores qualificados em Portugal, a infraestrutura, a capacidade de manutenção, deixando elogios aos seus parceiros e fornecedores nacionais, como a Critical Software, OGMA, Embraer, Kristaltek, Thyssenkrupp, Vangest. Uma das críticas feitas ao Gripen é sobre a sua menor experiência de combate face aos seus rivais. “A frota Gripen, integraram as operações dos Aliados em 2011 na Líbia. Tivemos forças aéreas no sudeste asiático que realizaram recentemente operações ofensivas de combate”, segundo Jussi Halmetoja, ex-piloto da Força Aérea Sueca que agora testa os Gripen. “Já temos algumas provas. Olhando agora para o Gripen mais recente, ainda não viu [combate], foi mais ao nível de exercícios. Mas sabemos qual a ameaça, temos uma forte capacidade defensiva. Testamos e simulamos ameaças reais para saber como vão funcionar os nossos sistemas. Muitos dos sensores, das armas, das comunicações, foram também usadas em combate noutras plataformas. A tecnologia é madura e acreditamos nela”, acrescentou o piloto. Uma oportunidade para ganhar experiência de combate está na Ucrânia, com Kiev a começar a formar este ano os pilotos para combater nestes caças que serão fornecidos ao país via acordos internacionais. Em cima da mesa, poderão estar 150 Gripen e 100 Rafale franceses. Os Gripen poderão ser essenciais para combater no ar os caça russos Sukhoi e para apoiar ofensivas ucranianas na linha da frente contra as forças russas. Durante a visita à fábrica da SAAB na Suécia, os responsáveis fizeram uma demonstração de voo do Gripen mais recente, com direito a uma paragem para reabastecimento, que pode ficar abaixo dos 10 minutos em condições reais, argumenta a empresa. A companhia sueca também está interessada em vender à Marinha Portuguesa o sistema de mísseis RBS15 para serem integrados nas Fragatas da classe Vasco da Gama. A empresa destaca que quando assina um contrato com um país, está interessada em desenvolver os caças em parceria com os compradores. “Não é feito na Suécia, é feito com a Suécia”, destacou, por sua vez, Johan Segertoft, presidente da unidade Gripen. O responsável também considera como “marketing”, o facto de os norte-americanos da Lockheed Martin publicitarem o caça F-35 como de quinta geração, considerando que esta definição tem variado com os tempos. Sobre a próxima geração de caças, a 6, afirmou: “ainda não consegui ouvir uma pessoa a definir o que será esta geração”. A companhia está a expandir a sua fábrica com planos para produzir até 30 aviões por ano. “Programar de manhã, voar à tarde”, é também o mantra da companhia sueca, destacando a facilidade de introduzir atualizações tecnológicas nos sistemas do Gripen, revelando que introduz uma atualização semanalmente. “Se tivermos um iPhone e não conseguirmos descarregar uma aplicação não vamos considerá-lo o melhor telefone do mundo. Este é o único avião do mundo que consegue fazer isso”, segundo Johan Segertoft sobre a modernização tecnológica do Gripen. André Cabrita-Mendes