pressmedia logo

CRÓNICA À 6ª FEIRA , SALÃO DE PEQUIM: MAS OS SALÕES NÃO TINHAM ACABADO?...

Motor 24 Online

2026-04-26 21:09:00

Quinze pavilhões e centenas de expositores Na Europa, os salões automóveis internacionais desde a pandemia que perderam a força de outros tempos. Mas na China não! Francisco Mota esteve no salão de Pequim e o que viu foi exatamente o contrário. Um certame gigantesco, com milhares de carros em exposição. Como é possível? Depois de ter visto o salão de Genebra agonizar antes de mudar para o Médio Oriente, de ter visto o gigantesco Salão de Frankfurt fechar portas e mudar-se para Munique num formato muito mais pequeno e de ver o salão de Paris a diminuir para metade, não estava à espera disto, É verdade que o Salão de Bruxelas tem vindo a crescer, deixando de ser apenas uma feira de vendas para os concessionários e passando a ser um salão internacional como os outros. Mas o salão de Pequim deste ano excedeu tudo o que já foi visto. Face à edição de há dois anos, a última, pois alterna com Shangai, diz quem esteve nos dois que este ano cresceu entre 30 e 50%. Um dia inteiro chega à justa para passar quase a correr por todos os stands de todas as marcas. E cada stand pode ser do tamanho de meio pavilhão, existindo 15 pavilhões. Presentes estão os construtores chineses, mas também algumas marcas europeias, americanas e japonesas, desde que tenham acordos de fabricação local com o Estado, requisito obrigatório para ter atividade na China. A dificuldade de ver o salão não está só no tamanho, está também no facto de ser montado especialmente para o mercado local. Algumas marcas nem sequer estão identificadas com o nosso alfabeto, pouquíssima gente fala inglês, seja nas hospedeiras, seja nos responsáveis de produto. E depois há um mar permanente de pessoas a circular, a filmar e, genéricamente, a gritar. Em geral, as marcas estão expostas por grupos. Grupos que já foram marcas e que geram novas marcas a partir de nomes de novos modelos. A novidade tem prioridade à antiguidade no mercado. Tanto assim, que algumas das “start-up” de que se fala, mesmo na Europa, nem sequer produzem os seus carros. Fazem apenas a parte de projecto e de estilo e depois entregam os ficheiros a um dos grandes grupos que possam ter sobrecapacidade de produção instalada. Um fenómeno que julgava ter terminado, mas que afinal ainda continua, em todo o seu esplendor, é o do plágio. Agora com maior qualidade, mas com a mesma ideia de copiar o estilo de modelos famosos europeus. Alguns exemplos: bem em frente ao stand da Mercedes-Benz, onde estavam alguns G-Wagen expostos, um carro que tem boas vendas entre os clientes chineses mais abastados, podia ver-se uma cópia fiel em que apenas o formato da grelha diferia, sendo mais parecida às dos Jeep. Outro exemplo era um modelo que estava a ser lançado com grande estardalhaço, e que mais não era do que uma cópia descarada do Porsche Panamera Sports Touring. Mas havia mais. Para um jornalista ocidental como eu, estranha-se não existir um dia de imprensa como há desde sempre na Europa. No papel existe, na prática, não. A ideia é limitar as entradas a profissionais da informação durante um dia, nem que seja meio dia, para podermos trabalhar sem ter que navegar por entre uma multidão de visitantes. Na China, os órgãos de informação não merecem essa deferência. Porque será? E esse é sempre o ponto fulcral das relações comerciais entre a China e o Ocidente: a concorrência nunca é leal, porque cada parte usa regras diferentes e as da China mudam ao sabor da sua conveniência, com um Estado totalitário que intervém sem problemas para defender as suas empresas. Por este prisma, “guerras comerciais” com a China estão perdidas à partida. Até para a semana! Francisco Mota Ler também, seguindo o Link: Crónica à 6ª feira , Autobiografia: As confissões de Tavares [Additional Text]: Francisco Mota Francisco Mota