COM UMA GAMA DE SUVS ELETRIFICADOS - EBRO CHEGA A PORTUGAL ATRAVÉS DO GRUPO MCOUTINHO
2026-04-28 21:06:04

A histórica marca espanhola entra no mercado nacional com quatro SUVs eletrificados, uma rede inicial de representantes em seis cidades e um discurso assente na re-industrialização da antiga fábrica da Nissan em Barcelona, na base tecnológica da Chery e na ambição ibérica. AEbro apresentou oficialmente a sua entrada em Portugal e escolheu Lisboa para revelar um plano que junta a herança industrial, a expansão comercial e uma base técnica com uma clara aposta na eletrificação, ainda que o lançamento de um modelo 100% elétrico só esteja agendado para 2027. A operação nacional será assegurada em parceria com o Grupo MCoutinho, que assume a distribuição da marca espanhola no nosso mercado tendo, nesta fase inicial, presenças previstas no Porto, em Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria e Lisboa. Mais do que o lançamento de uma nova insígnia, o momento serviu para posicionar a Ebro como um projeto de re-industrialização ibérica. A marca, fundada em 1954 e com mais de 70 anos de história em Espanha, regressa agora com uma nova gama de SUVs eletrificados, mas também com a intenção de recuperar um peso industrial que parecia perdido. Na apresentação, a empresa recordou que o projeto ganhou forma após o anúncio do encerramento da fábrica da Nissan em Barcelona, quando um grupo de empresários decidiu avançar para recuperar aquela unidade e devolver a atividade a uma das infraestruturas industriais mais relevantes do setor automóvel espanhol. É nesse contexto que nasce a nova fase da Ebro. A marca sublinha que os veículos destinados a Portugal sairão da fábrica de Barcelona, agora reativada no quadro da parceria com a Chery. Segundo os responsáveis da empresa, já foram investidos mais de 100 milhões de euros na operação industrial, a unidade recebeu mais de 200 robôs e a estrutura conta atualmente com mais de 1.600 trabalhadores diretos, dos quais cerca de 600 são engenheiros. A Ebro refere ainda que já saíram mais de 20 mil veículos das linhas de montagem nesta nova etapa da icónica marca espanhola. Esse discurso industrial é central para perceber a proposta da marca. A Ebro não quer ser vista apenas como mais um nome a vender SUVs eletrificados na Península Ibérica. Quer apresentar-se como uma marca espanhola com fabrico local, ambição europeia e suporte tecnológico assegurado pelo “gigante” grupo chinês Chery, parceiro estratégico que fornece as plataformas, as motorizações e parte significativa da arquitetura eletrónica dos novos modelos. A ofensiva comercial em Portugal arranca no segundo trimestre de 2026 com quatro propostas distintas. Na base da gama está o Ebro s400, um SUV compacto híbrido (HEV) pensado para utilização urbana e familiar.com 211 cv de potência máxima combinada, bateria de 1,83 kWh e consumo anunciado de 5,3 l/100 km, será o modelo de acesso à oferta nacional, com preços a partir dos 29.240 euros. Um patamar acima surge o Ebro s700, um SUV de 4,55 metros que assume o papel mais versátil da gama. Estará disponível com motor a gasolina, motorização híbrida HEV e versão híbrida plug-in (PHEV). A proposta começa nos 33.740 euros para a variante 1.6 TGDI a gasolina, sobe aos 36.240 euros na versão HEV de 224 cv e chega aos 42.240 euros no PHEV, que debita 279 cv e anuncia até 90 km em modo 100% elétrico, bem como uma autonomia combinada superior a 1.200 km. A proposta mais familiar será assegurada pelo Ebro s800, um SUV de sete lugares com 4,72 metros de comprimento, mais focado no espaço e no conforto a bordo. A marca destaca a bagageira de grande capacidade, a apresentação interior mais cuidada, os materiais suaves ao to- que e um conjunto tecnológico que inclui ecrãs de grandes dimensões e sistema de som Sony. O s800 estará disponível com motor a gasolina de 147 cv desde 42.240 euros e com mecânica PHEV de 279 cv desde 47.240 euros. No topo da gama ficará o Ebro s900 PHEV 4x4, o modelo mais sofisticado e mais potente da nova oferta. Assente na plataforma T2X, com tração integral e um sistema de quatro motores, anuncia 428 cv, autonomia elétrica entre 140 e 177 km e carregamento rápido de 30 a 80% em 25 minutos. O preço arranca nos 56.740 euros. Foi também um dos modelos mais enfatizados durante a apresentação, precisamente por mostrar a dimensão tecnológica que a marca quer associar ao seu reposicionamento. Em comum, os novos Ebro trazem uma receita alinhada com o que se espera hoje de uma marca emergente: plataformas multi-energias, ecrãs interiores de até 15,6 polegadas, processador Qualcomm Snapdragon 8155, conectividade remota através da aplicação EBROAuto e um pacote de segurança com até 24 sistemas ADAS, câmaras de visão envolvente de 540 graus e até nove airbags, consoante o modelo. A empresa procurou igualmente reforçar o tema da confiança. A garantia anunciada é de 7 anos ou 150 mil quilómetros, estendendo-se aos 8 anos ou 160 mil quiló- metros nos sistemas híbridos. No pós-venda, a operação será apoiada por quatro centros logísticos de peças na Península Ibérica, dois dos quais em Portugal, sendo este um ponto que a marca considera decisivo para sustentar a credibilidade da entrada no mercado. Esse cuidado com a rede é, aliás, uma das mensagens mais repetidas pela Ebro. Em Espanha, a marca afirma já ter desenvolvido mais de 90 pontos de venda e uma estrutura robusta de assistência e peças. Em Portugal, a ambição é crescer de forma sustentada com o Grupo MCoutinho, construindo uma implantação comercial e de pós-venda coerente com a dimensão do projeto. Até ao final de 2026, o objetivo passa por chegar a 10 concessionários, com uma meta de 20 até 2028. Num mercado como o português, altamente competitivo e cada vez mais pressionado pela transição energética, a Ebro tenta diferenciar-se com uma proposta assente em três pilares: identidade espanhola, produção europeia e tecnologia chinesa já industrialmente maturada. Não chega como uma marca de nostalgia, nem como um construtor a começar do zero. Chega como um projeto de reposicionamento com escala industrial, parceiro forte no terreno e uma gama coerente para responder às várias velocidades da eletrificação. Rui Reis (texto) Rui Reis