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PRIMEIRO TESTE , SUZUKI EVITARA: B-SUV ELÉTRICO GENUÍNO

Motor 24 Online

2026-04-28 21:06:04

Parceria com Toyota É a própria Suzuki que o diz: “não queremos revolucionar nada, nem esperamos vender muito”, mas decidiu entrar nos elétricos agora, numa parceria curiosa com a Toyota. Em mais um Primeiro Teste TARGA 67 conduzido por Francisco Mota, fique a saber todos os detalhes do Suzuki eVitara. ConteúdosHeartecEstilo novoVersátilTrês versõesConfortávelConclusão Para algum espanto meu, a conferência de imprensa de apresentação do novo Suzuki eVitara 100% elétrico começou com algumas frases que mais pareciam declarações de independência. “Somos uma marca independente, não fazemos parte de nenhum grupo. Somos dos últimos independentes.” Talvez para dizer que a Suzuki não está prestes a ser vendida à Toyota. Ou será o contrário? “Chegámos tarde aos elétricos, mas estudámos tudo antes de lançar este eVitara. Que tem muito da Suzuki”, concluiu. Heartec Para ficar tudo claro, o porta-voz da Suzuki acabou por dizer que a plataforma deste eVitara é a Heartec, a mesma do atual Vitara, mas modificada para receber a bateria proveniente da BYD e o sistema elétrico que tem origem na Toyota. Na verdade, este Suzuki eVitara é um daqueles projetos conjuntos em que a Toyota se tem tornado especialista nos últimos anos. Do lado da Toyota, o modelo gémeo deste eVitara é o novo Toyota Urban Cruiser 100% elétrico, que já foi mostrado este ano no salão de Bruxelas, mas ainda não iniciou a comercialização. Curiosamente, desta vez é a Suzuki a fornecer a plataforma à Toyota e não o oposto. Com 4275 mm de comprimento, o E-Vitara tem como concorrente direto o Peugeot E2008, portanto, é mais um B-SUV elétrico. Curioso ter sido dito e sublinhado que os rivais não são os produtos chineses. Partindo do atual Vitara, o departamento de estilo arregaçou as mangas e transformou por completo o estilo exterior da versão elétrica. A ideia do novo estilo assenta naquilo a que a Suzuki chama “arquitetura poligonal”, ou seja, mais retas e ângulos bem definidos do que curvas. Estilo novo Isso nota-se desde logo nos faróis dianteiros e nas luzes traseiras, com formas muito parecidas. Depois as zonas pretas dos para-choques da frente e de trás, que se prolongam para as molduras das cavas das rodas e as zonas inferiores das portas. O efeito pretendido é conhecido e muito usado: fazer parecer as rodas maiores e a altura ao solo mais ampla. Um detalhe que não inova, mas resulta sempre é os puxadores das duas portas traseiras estejam inseridos na zona vidrada da carroçaria. Com jantes pretas e carroçaria branca, o resultado é bastante bom, melhor do que nos Suzuki mais recentes, na minha opinião. Por dentro, os bancos da frente são confortáveis e têm apoios laterais suficientes, o volante é achatado em cima e embaixo mas tem uma pega razoável. Os botões são todos físicos, apesar de terem um acabamento em preto piano. A consola tem dois andares, com o de baixo a oferecer uma generosa prateleira. No de cima, a Suzuki insiste na superfície preto piano, que atrai poeiras, dedadas e reflexos. Há porta-copos, e os comandos do sistema elétrico, incluindo o comando rotativo da transmissão, um componente conhecido do Toyota bZ4X e que não deve muito à ergonomia. O painel de instrumentos de 10,25” e o ecrã tátil central de 10,1” estão unidos numa única “prancha”, ambos com leitura razoável. Versátil Na fila de trás, o espaço para as pernas varia, pois é possível deslizar o banco traseiro longitudinalmente e reclinar as costas. A sensação de qualidade não é sensacional, mas é aquilo que se espera de um dos mais recentes modelos da marca nipónica. A mala tem 310 litros de capacidade, com bom acesso. Quanto à parte técnica, o E-Vitara está disponível em três versões que combinam tração à frente ou atrás; e duas capacidades de bateria. A versão base tem a bateria de 49 KWh, 144 cv e tração à frente, com autonomia anunciada de 341 Km. A segunda versão mantém a tração à frente mas usa a bateria de 61 KWh, anunciando 174 cv e a versão de topo tem a bateria maior de 61 KWh, dois motores, tração às quatro rodas, 184 cv e autonomia de 426 Km. Todas as baterias são LFP com refrigeração líquida e bomba de calor, colocadas sob o habitáculo. As baterias podem ser carregadas até 90 KW DC, demorando 45 minutos para ir dos 10 aos 80%. Três versões Neste Primeiro Teste TARGA 67, a Suzuki propôs-me testar a versão 2WD com a bateria mais pequena de 49 KWh, a mais barata, que vai custar 31 239 euros. A versão mais potente, com AWD e a bateria de 61 KWh vai custar 38 863 euros. Ambas chegam a Portugal em maio, oriundas da Índia, onde o modelo é fabricado. A segunda pátria da Suzuki, pois detém uma alta cota de mercado. A versão AWD tem o ALL-Grip-E, que faz vectorização de binário nas quatro rodas, através do sistema de travagem. A versão de tração à frente tem vários modos de condução que mudam a atuação do controlo de tração e estabilidade, sensibilidade do acelerador, assistência da direção e pouco mais. São os modos de condução Eco/Normal/Sport/Snow e a função Pedal, que aumenta ao máximo a intensidade da regeneração, sendo quase um “One Pedal”, mas sem imobilizar por completo o eVitara. Confortável Com a matéria teórica assimilada, foi a altura de passar ao teste prático, numa estrada secundária em bom piso que mostrou desde logo um pisar confortável, mesmo quando apareceu uma ou outra banda sonora mais alta. Em modo Eco, a direção pareceu muito assistida, mas nota-se diferença para os outros modos. O pedal de travão também mostrou progressividade suficiente e ao sistema de regeneração faltam as patilhas no volante e vários níveis de intensidade. Ainda assim, há uma razoável diferença, quando se liga a função “pedal”. Como em todos os EV, a bateria colocada sob o piso mantém o Centro de Gravidade Baixo e como a suspensão do Vitara sempre foi boa, aqui no eVitara juntam-se as duas virtudes para resultar numa dinâmica muito previsível. Pouca inclinação em curva, com o ESC a controlar bem as potenciais saídas de frente e o controlo de tração a conseguir passar todo o binário ao chão. Não tive oportunidade ainda de confirmar as autonomias reais, isso ficará para um teste mais comprido em estradas portuguesas. Conclusão A Suzuki, nas suas próprias palavras, chegou tarde ao mundo dos elétricos. E acabou por fazer esta operação com todo o cuidado, pois limitou-se a adaptar uma plataforma que já tinha e associou-se à Toyota, para garantir o efeito de escala. Apesar de tudo, nota-se que os engenheiros da Suzuki continuam a saber fazer boas suspensões, mesmo quando têm que suportar o peso de uma bateria. O preço base está alinhado com a média do segmento. Suzuki eVitara 49 KWh Potência: 144 cv Preço: 31 239 euros Veredicto: 3,5 estrelas Ler também seguindo o LINK: Teste , Suzuki Swift 1.2 MHEV: Insiste, insiste [Additional Text]: Francisco Mota Francisco Mota