ENSAIO. MERCEDES BENZ CLA 250+ AMG LINE
2026-04-28 21:06:04

A Automonitor analisou o Mercedes Benz CLA 250+ com EQ Technology e trata-se de um sedan compacto premium, 100% elétrico, assente na nova plataforma MMA - Modular Mercedes Arquitetchure Ouça este artigo Clique para reproduzir Analisei o Mercedes Benz CLA 250+ com EQ Technology e trata-se de um sedan compacto premium 100% elétrico assente na nova plataforma MMA , Modular Mercedes Arquitetchure. Não é um SUV, nem o pretende ser! A sua proposta de valor baseia-se na eficiência, na sofisticação tecnológica e no prazer de condução apostando num formato bastante baixo e aerodinamicamente otimizado Concorre diretamente com o Tesla, Polestar e BMW, mas aqui com uma abordagem mais clássica da engenharia alemã, menos dependente de software experimental e muito focado na eficiência sistémica. O desenho exterior mantém silhueta coupé de quatro portas. Quanto a mim, agora muito mais apurada e mais bela, onde cada linha não tem uma função puramente estética nem de marketing, mas sim funcional, o que resulta num coeficiente aerodinâmico de 0,21cd, considerado um dos melhores do segmento; as próprias jantes e os detalhes escurecidos não são gratuitos, mas servem a eficiência. Continue a ler após a publicidade Foi desenvolvido na Europa, no ecossistema de design e engenharia da Mercedes, produzido na Alemanha, assim como os motores elétricos e transmissão. Os próprios testes foram feitos também na Europa e este CLA 250 + é o primeiro modelo MMA produzido em série no continente europeu, o que, segundo fontes, vai servir referência técnica para os futuros GLA e GLB elétricos! Assenta na tração traseira, e possui algo que é raro no segmento que é uma transmissão de duas velocidades no eixo traseiro, mas isso já iremos detalhar. As baterias são de 85 kWh e revelaram-se, para mim, a maior surpresa deste ensaio; em termos de arquitetura esta é de 800V e a marca anuncia uma autonomia WLTP que pode ir aos 750km, mas onde a bateria surge otimizada não apenas para densidade energética, mas também para a menor pegada de carbono na sua produção. Continue a ler após a publicidade EXPERIÊNCIA DE CONDUÇÃO Em termos de experiência de condução, o que muda quando se conduz este automóvel por estradas portuguesas, em condução real na autoestrada é a sensação da ausência de esforço e entrega de binário que, não é brusca, mas sim progressiva e a segunda relação da transmissão entra subtilmente acima da velocidade do cruzeiro, o que faz com que reduza as rotações mas também o consumo. o chassis mesmo em autoestrada nota-se que privilegia a estabilidade longitudinal e o silêncio estrutural! Não é um automóvel desportivo no sentido clássico da AMG, mas é extremamente rápido, competente e previsível, até mesmo em piso irregular, e sobretudo em estradas secundárias ou curvas encadeadas. Onde se notam grandes diferenças neste modelo face a gerações anteriores é o extremo rigor com que nós curvamos e a traseira não tende a “soltar-se” como um habitual tração traseira, mas mantém-se firme na estrada; mas também isso tem uma explicação. O interior marca uma ruptura com as gerações anteriores; então para quem, como eu teve o primeiro Classe A, isto é uma mudança brutal. Surge aqui o MBUX- super screen com três écrãs que ocupam a totalidade do tablier, onde nao só a estética sobressai mas a visibilidade, legibilidade, usabilidade do intuitivo software e a qualidade de tudo, incluindo o seu sistema operativo próprio. Continue a ler após a publicidade Apresenta também materiais sustentáveis de nova geração. Pessoalmente, e sei que isso é estudado, este Mercedes tem um cheiro que cativa assim que se entra; não sei se é da pele sintética misturada com alcântara sintética se é de outro produto qualquer, mas o cheiro (odor) cativa só ao entrar, e isso é extremamente importante na experiência do consumidor. Em termos de qualidade de construção esta é sólida, mesmo em zonas mais mais abaixo das zonas visíveis. Em termos de ergonomia, foi pensada para ser usada e não para ser bonita. Os comandos são claros, os interfaces são coerentes e os bancos com bastante apoio lateral e extensor de pernas são confortáveis, em qualquer situação. O espaço atrás é suficiente para o segmento, embora não seja provavelmente o líder do mercado. INOVAÇÃO E IA Mas onde a Mercedes joga uma cartada decisiva é no campo de inovação e de inteligência artificial, pois o sistema operativo foi totalmente desenvolvido internamente e conta com inteligência artificial generativa, com um assistente que é capaz de aprender padrões do utilizador e faz uma navegação inteligente como o planeamento energético; também as atualizações que faz OTA são profundas e não cosméticas. Trata-se do primeiro Mercedes que foi concebido como um veículo definido por software desde a sua base, e não adaptado posteriormente, e isso nota-se profundamente em qualquer área do automóvel. Tenhamos uma certeza, este CLA não é para quem quer um automóvel por estatuto; é para profissionais urbanos informados, utilizadores de automóveis elétricos experientes e que valorizam a engenharia da eficiência e também a sofisticação discreta. PREÇO E EXPERIÊNCIA O preço estimado para Portugal ronda os 51.000EUR consoante o equipamento, e em termos de autonomia mantém-se como uma referência no segmento, com a demonstração que a eficiência ainda pode ser alcançada por engenharia e não com baterias maiores! A Mercedes introduz uma nova lógica modular no software proprietário e também a integração real de inteligência artificial, sem contudo abdicar do prazer de conduzir. A própria Mercedes refere que o novo GLA é o automóvel mais perfeito e inteligente que a marca alguma vez produziu no segmento compacto e que vai definir o futuro da gama compacta elétrica. Depois de o conduzir em contexto real, confirmo: não há discrepância entre o discurso técnico e a experiência real; é um automóvel intelectualmente honesto, silenciosamente avançado e tecnicamente consistente. A forma como a direção comunica a estrada, a precisão do eixo traseiro, o modo como entra e aborda cada curva encadeada é simplesmente assinalável; a autonomia deixou claramente ser um problema, visível quando se conseguem fazer 300 km em autoestrada sem qualquer preocupação e ainda chegar com 34% de autonomia. Por outro lado, o carro entrega potência sem nervosismo com os seus 200 kW no eixo traseiro, de modo progressivo e inteligentemente modelada; e existem vários motivos para o fazer, pois o motor traseiro é síncrono com imanes permanentes e cuja intervenção é feita em milissegundos; ou seja a Mercedes nunca entrega tudo de uma vez, mesmo no modo Sport, ao contrário de alguns elétricos que basicamente disparam o binário para as rodas. A Mercedes privilegia uma tração utilizável, em vez de dar mais espetáculo: no fundo, sentimos potência, mas sem sustos. Referi que o CLA não foge de traseira e isso é engenharia pura e talvez um dos pontos mais interessantes deste modelo, pois embora seja um tração traseira, ele não sobrevira facilmente por quatro fatores predominantes: por um lado a distribuição de peso é muito próxima dos 50% para cada cada lado; por outro, o controlo de estabilidade não é reativo mas sim preditivo e isso faz grande diferença; o eixo traseiro Multilink muito conservador em termos de geometria e, por fim, algo não muito abordado nos ensaios, os pneus que foram otimizados precisamente para esta eficiência; daí ser muito neutro mesmo em acelerações fortes, ou seja o carro aponta sempre para onde eu o mando. PORQUE É QUE A AUTONOMIA ME SURPREENDEU? O “truque” ou o segredo não é só a bateria que ajuda, mas a eficiente aerodinâmica de 0,21cd, a arquitetura de 800 volts e depois a tal transmissão de duas velocidades. Por fim, a eletrónica que apresenta já carboneto de silício. Sobre as duas velocidades, o que acontece que ao existir uma segunda relação esta entra a velocidade bastante mais elevada e vai baixar drasticamente o esforço do motor, sobretudo em autoestrada o que vai aumentar precisamente a autonomia. Estamos habituados a pensar: mais potência significa menos autonomia, tração traseira deriva traseira, elétrico rápido, consumos elevados. Este CLA demonstra precisamente o contrário porque não foi desenhado para impressionar no papel mas para ser eficiente em ambiente real. No fundo, se eu tivesse que resumir isto numa frase, diria que consegue algo raro: combina a potência real com uma estabilidade absoluta e uma autonomia que surpreende, porque toda a engenharia trabalha a favor de eficiência e não contra ela. A TRANSMISSÃO DE DUAS VELOCIDADES DESTE MERCEDES A maior parte dos elétricos usa uma única relação fixa, o CLA usa uma caixa de duas velocidades no eixo traseiro. Não é cosmética nem marketing , mas uma opção assumidamente cara e complexa, tomada para resolver um problema real dos elétricos: a eficiência a maior velocidade sem sacrificar a aceleração e a autonomia. Como é que isto funciona na prática? Ele ativa-se e arranca sem ansiedade com uma aceleração forte, o que permite maior binário nas rodas, uma resposta imediata, melhor controlo do motor que trabalha numa zona ideal de eficiência e binário, e é por isso que se sente uma potência limpa e confortável e o carro não patina nos arranques. Quando necessita de entrar na segunda velocidade, a velocidades mais elevadas, faz com que o motor rode a menos rotações e com menos perdas energéticas e menor aquecimento, daí consumos mais baixos em autoestrada. E isto não é uma mudança que se sente quando vamos a conduzir, tanto que a própria Mercedes refere que o único ruído artificial que tem é o som do motor que é opcional. A marca não queira uma sensação artificial de mudança e isto faz uma grande diferença, pois o CLA consegue aumentar a eficiência global do sistema e a autonomia real; por isso possui performances sólidas e um comportamento e eficácia em estrada e mantém autonomia em viagens longas A Mercedes demonstra que não precisava ter baterias tão grandes mas bastava inovação e engenharia, porque os ganhos compensam principalmente para clientes reais. Que me recordo, creio que a Porsche e Audi têm seguido este caminho e nunca aconteceu num elétrico compacto; portanto, em resumo, tem potência porque a primeira relação maximiza o binário útil e entrega potência e também é menos stress para o motor a alta velocidade Este foi sem dúvida um dos automóveis mais interessantes e que mais me surpreendeu pelo segmento onde está, as inovações que incorporou, qualidade do produto, estabilidade direcional que se sente, e tudo isto com uma autonomia surpreendente que não esperava encontrar no CLA. Jorge Farromba