ALPINE A390 GT - ALMA LIGEIRA
2026-04-29 21:02:49

O Alpine A390 está a chegar a Portugal. E nós já o fomos conduzir , na versão GT de 400 CV , entre Oeiras e as curvas exigentes do Vale do Gaio, no Alentejo. O objetivo? Perceber se um fastback familiar de cinco lugares, 100% elétrico, consegue transportar a alma ligeira e divertida do mítico A110. Missão impossível? Depois do A290, o primeiro elétrico da Alpine no formato hot hatch urbano, chega agora o verdadeiro teste de fogo para a marca de Dieppe: o primeiro familiar, um fastback desportivo de cinco lugares. Um desafio enorme para uma casa que construiu a sua lenda à base de carros pequenos, leves e focados no prazer de condução puro. Para o conseguir, a Alpine aproveitou a plataforma AmpR Medium (a mesma do Renault Scenic E-Tech OU do Nissan Ariya Nismo) e deu,lhe uma atitude dinâmica à altura dos pergaminhos da marca. A COmeçar nos números: a versão de entrada GT entrega 400 cv, acelera dos o aos 100 km/h em 4,8 segundos e atinge 200 km/h de ponta. Acima, o GTS sobe para 470 CV, 3,9 segundos e 220 km/h. Depois, o estilo.com 4,6 metros, o A390 é, de facto, o Alpine mais imponente de sempre, mas a silhueta de tejadilho descendente e a janela traseira em viseira de capacete fá,lo parecer mais compacto e ágil do que as medidas exteriores sugerem, com vários elementos de inspiração racing, como é o difusor traseiro inspirado em Le Mans. A nossa uni-dade vinha no icónico “Bleu Alpine Vision” , escolha acertada. Mas é o “Gris Tonnerre” mate da linha Atelier que promete fazer estragos... CASULO DESPORTIVO Ao abrir a porta descobre-se um cockpit forrado a couro Nappa e Alcantara de estilo racing, com muitas soluções partilhadas com o irmão A290, casos dos comandos da caixa a partir de botões (R, Ne D) na consola central OU dos ecrãs para a instrumentação (12,3") e para o sistema multimédia (12"). A posição de condução é baixa e o volante de base plana inclui "teclado” de inspiração na FI. O botão rotativo azul RCH (Recharge) ajusta a regeneração em cinco níveis , do modo de roda livre até à condução com um só pedal (One-Pedal). Ao lado direito, o botão vermelho OV (Overtake) promete 10 segundos de potência extra. os bancos Sabelt (de série na versão GTS) também parecem saídos da competição, abraçam-nos, mas sem esquecer o conforto para o dia a dia. TRES MOTORES O A390 GT conta com três motores elétricos, um dianteiro com rotor bobinado e dois síncronos de ímanes permanentes na traseira, um em cada roda, que formam um sistema de tração integral (outra estreia na Alpine) e são alimentados por uma bateria de 89 kWh (úteis). Igualmente associado aos motores traseiros aparece o designado sistema "Alpine Active Torque Vectoring” que, como o nome indica, gere o binário de forma independente em cada roda. Em milésimos de segundo, o carro decide se empurra a roda de fora da curva OU puxa a de dentro. O resultado é uma agilidade alucinante para um carro com mais de duas toneladas. Depois, junte-se uma direção de relação muito curta e direta, uma suspensão com batentes hidráulicos que engole os pisos irregulares do Vale do Gaio sem comprometer a rigidez em apoio, e voilà: temos desportivo! BOTàO VERMELHO Numa reta mais aberta, pressionámos o botão ov. O painel de instrumentos dispara uma ani-mação e descarregam-se para o asfalto mais de 600 Nm de binário (880 no GTS!). A aceleração é brutal, mas com uma banda sonora artificial desenhada pela Alpine. O “Alpine Drive Sound” não tenta imitar um v6; é uma sinfonia eletrónica de baixas frequências que aumenta à medida que o binário sobe. é honesto e informativo, ao contrário de outras experiências do tipo. Existe também o modo "Alternativo", mais suave, para o dia a dia. A travagem merece um parágrafo à parte. A transição entre a regeneração elétrica e os discos de 365 mm com pinças de 6 pistões é quase impercetível. O pedal é firme e tem boa dosagem, permitindo atrasar a travagem até à entra-da da curva com uma confiança inabalável. Claro que o peso (2.121 kg) ainda se sente em solicitações muito fortes e repetitivas, mas sempre com grande eficácia. CONFORTO FAMILIAR O percurso incluiu também autoestrada e troços urbanos. Aqui, o A390 revelou a sua dualidade. No modo “Save” OU "Normal", o ruído de estrada é baixo (a aerodinâmica ajuda) e a suspensão torna-se civilizada. A autonomia anunciada de até 557 km (WLTP) para a versão GT parece credível face ao consumo registado. O carregamento rápido a 150 kW (190 kW no GTS) promete recuperar duas horas de autoestrada em menos de 20 minutos. Quanto a preços, o Alpine A390 parte dos 67.500 EUR para a versão GT e dos 78.000 EUR para a GTS. são valores algo elevados, mas justos face à tecnologia patenteada, ao fabrico francês (desde as baterias Verkor de Dunquerque à montagem em Dieppe) e à exclusividade. Vamos mais longe: a primeira grande vitória do A390 é emocional, ao provar que o “prazer de condução” não está dependente do “barulho” da gasolina OU do peso do chassis. A Alpine chegou lá através da afinação da SUSpensão, na precisão da direção e na forma como o torque vectoring desafia a física. Parabéns! D VITOR MENDES ¿m destoqvo 0 Fastback com 4,6 metros Três motores elétricos: tração integral o Bateria NMC de 89 kWh (úteis); autonomias de até 557 km o Versões GT (400 CV) e GTS (470 CV o Preços desde 67.500 EUR ONOVO A390: UM FASTBACK DESPORTIVO 100% ELETRICO DE CINCO LUGARES Carga rápida até 190 kW: dos 15-80% em menos de 25 minutos Logótipo Alpine retro iluminado e jantes de 20 ou 21 polegadas com caracter vincado. Silhueta fastback com puxadores embutidos, «flaps» aerodinâmicos nas rodas traseiras e tejadilho de queda acentuada a 17 graus A habitabilidade traseira podia ser mais generosa, mas a volumetria da bagageira de 532 litros compensa. A função Overtake (ultrapassagem em português) garante potência máxima durante 10 segundos. VÍTOR MENDES