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PORTUGAL TEM INDÚSTRIAS DE DEFESA FORTES, DIZ PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA DE INDÚSTRIAS AEROESPACIAIS E DE DEFESA

Observador Online

2026-04-29 21:04:11

Portugal tem a capacidade de assumir um papel importante no setor da defesa devido às suas indústrias e tecnologia, segundo o presidente da ASD, mas alertou para os perigos do uso de IA sem ética. O presidente da Associação Europeia de Indústrias Aeroespaciais e de Defesa (ASD) considerou, em entrevista à Lusa, que Portugal tem indústrias de defesa fortes, destacando o papel da tecnologia, mas apelando ao uso de ética caso haja uma integração de IA no setor. Micael Johansson esteve em Cascais na terça-feira, a propósito da ASD Convention 2026, num encontro que reuniu os principais players europeus do setor da Defesa, Segurança e Aeroespacial. “Tem indústrias de defesa fortes”, afirma o presidente da ASD , Aerospace and Defence Industries Association of Europe, quando questionado sobre o papel que Portugal pode ter no setor. “Já estamos a colaborar com duas delas: a OGMA e a Critical Software e penso que podemos fazer mais, especialmente se houver mais colaborações entre a Suécia e Portugal nesta área”, prossegue o responsável. O responsável sublinha ainda que Portugal tem “uma associação forte e muitas exportações”, pelo que o país tem capacidade de assumir um papel no setor. “Claro, têm coisas a acrescentar e também tecnologia, e foi por isso que escolhemos a Critical Software, porque tem uma excelente tecnologia para apoiar o treino de pilotos”, argumenta Micael Johansson. Portanto, “se avançarmos para uma colaboração mais profunda em caças, potencialmente no futuro, quando o processo começar no país, isso significaria muito” sobre o nível de envolvimento com a indústria portuguesa. Questionado sobre o impacto do fecho do estreito de Ormuz e do conflito com o Irão, Micael Johansson, que também é presidente executivo (CEO) da Saab, salienta que as companhias aéreas têm sofrido com isso, nomeadamente a abertura e fecho de rotas e a alta do preço dos combustíveis. “Depois há a questão de alguns materiais de que precisamos da região [do Médio Oriente] que também nos estão a afetar a longo prazo”, bem como também o transporte de coisas que “normalmente passam pelo estreito” de Ormuz, aponta. “É preciso garantir que mantemos as linhas abertas em torno de tudo isto”, toda esta situação “cria interrupções”, o que “não é bom para a logística”, lamenta. Portanto, “tem efeitos negativos” para o setor da aviação, mas “espero que isto seja resolvido muito rapidamente”, remata. Presidente da ASD diz que é preciso pensar na IA na defesa de forma ética Já sobre a integração de IA no setor da defesa na Europa, Johansson referiu que é um tema que precisa de ponderação, destacando que não há um regulamento para tal. O que existe atualmente, o regulamento de IA europeu (AI Act), não é aplicável ao setor da defesa. Contudo, o caso do conflito da norte-americana de inteligência artifical Anthropic com o Pentágono abriu as portas para debate sobre futuro da guerra com este tipo de tecnologia. “Penso que há necessidade de pensar nisto de uma forma ética”, admite o presidente da ASD , Aerospace and Defence Industries Association of Europe. Agora, o problema é se os adversários pensarão da mesma forma, diz. “Deveria haver uma perspetiva global sobre como se permite, de facto, que sistemas completamente autónomos façam o que quiserem envolvendo a IA”, defende o responsável, que também é presidente executivo (CEO) da Saab. Dito isto, “como Saab agora, temos a política de dizer que tem de haver uma pessoa no processo [person in the loop] antes de se começarem a fazer coisas agressivas”, prossegue. Isso “não significa propriamente que alguém carregue no botão das armas o tempo todo, mas às vezes está-se num conflito, envia-se um enxame de drones numa missão, mas continua a haver uma decisão de uma pessoa a fazer isso”, ilustra. Nesse sentido, “é preciso haver uma perspetiva ética sobre isto, mas ainda não o fizemos”. Esta é uma área “muito difícil, porque se o oponente não se importar com estas questões, coisas más podem acontecer”, admite. Por isso, “receio que veremos coisas a acontecer antes de começarmos a perceber que temos de resolver isto” e “acho que sim, mas é uma área importante de colocar sob controlo”, conclui Micael Johansson. [Additional Text]: GettyImages-2242191978 Agência Lusa