VOLKSWAGEN ENTRA EM TERRITÓRIO QUE TOYOTA DOMINA HÁ DÉCADAS
2026-04-29 21:06:08

Depois dos elétricos e dos híbridos plug-in, a Volkswagen vira-se agora para um tipo de eletrificação que nunca tinha tido. A Volkswagen decidiu entrar num território onde até agora tinha estado ausente. Depois de vários anos a apostar em híbridos plug-in e 100% elétricos, a marca de Wolfsburgo prepara-se para lançar um sistema híbrido convencional, uma abordagem que a Toyota já utiliza há várias décadas. Para esta tecnologia híbrida, que chegará aos novos Golf e T-Roc no último trimestre do ano, a Volkswagen promete consumos e emissões inferiores às registadas pelas suas motorizações mild-hybrid, sobretudo em cidade, sem qualquer dependência de carregamentos externos. Um sistema conhecido Na prática, a base técnica deste novo sistema híbrido da Volkswagen é relativamente comum, ainda que depois, na prática, tenha algumas particularidades. © Volkswagen Golf e T-Roc são os primeiros Volkswagen a equipar o novo sistema híbrido, que chegará mais tarde a outros modelos da marca e do grupo alemão. No centro de tudo está o conhecido motor 1.5 TSI evo2 a gasolina, associado a uma caixa DSG de dupla embraiagem com sete relações. A este conjunto juntam-se dois motores elétricos e uma bateria de iões de lítio com 1,6 kWh de capacidade bruta, posicionada sob o banco traseiro. Um dos motores elétricos tem funções de tração, enquanto o outro serve de gerador. Contudo, o módulo híbrido inclui ainda um comando eletrónico, um diferencial e uma caixa redutora com uma relação, aos quais se junta ainda uma embraiagem multidisco (com uma unidade de controlo própria), que permite ligar ou desligar o motor a gasolina da transmissão, conforme a necessidade. Ao contrário do que acontece nos híbridos plug-in, aqui não há qualquer ligação à tomada. A energia elétrica é gerada a bordo, quer através da recuperação nas desacelerações e travagens, quer pelo próprio motor de combustão, que pode funcionar como gerador. Como vai funcionar? Tal como acontece nos híbridos da Toyota, o sistema será capaz de alternar automaticamente entre três formas de funcionamento, dependendo das condições de condução. A velocidades mais baixas, é possível circular apenas apoiado no modo elétrico. Não por muito tempo, é certo, porque a bateria é pequena (ainda que maior do que a dos Toyota híbridos), mas o suficiente para percorrer em modo elétrico entre 2 a 3 quilómetros de cada vez. Quando é necessário gerar energia, o sistema entra no modo de funcionamento em série. Aqui, o motor a gasolina não move diretamente as rodas, funcionando apenas como gerador para alimentar o motor elétrico. É uma solução que também encontramos, por exemplo, no sistema e-Power da Nissan: Já em velocidades mais elevadas, o sistema passa a funcionar no modo paralelo. O motor de combustão assume o papel principal na tração, sendo assistido pelo motor elétrico sempre que necessário: seja para melhorar a eficiência ou para dar aquele apoio extra numa aceleração ou ultrapassagem. Resposta tardia mas necessária Os primeiros modelos da Volkswagen a receber esta tecnologia híbrida (Golf e T-Roc) só vão chegar ao mercado no final deste ano, completando assim a gama eletrificada da marca alemã, que contará com quatro níveis: mild-hybrid (eTSI), híbrido completo (Hybrid), híbrido plug-in (eHybrid) e 100% elétricos. LEIAM TAMBÉM: Estes são os 20 carros híbridos que gastam menos do mercado Ainda assim, não deixa de ser uma chegada tardia a uma tecnologia que marcas como Toyota, Honda, Nissan, Hyundai/Kia e Renault/Dacia já têm há vários anos. Mas isso não retira importância a esta aposta da Volkswagen, que é necessária para ir ao encontro das metas de emissões da União Europeia. Miguel Dias