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DANIEL JONAS VENCE GRANDE PRÉMIO DE CRÓNICA E DISPERSOS LITERÁRIOS DE LOULÉ

Jornal do Algarve Online

2026-04-29 21:06:14

Daniel Jonas é o vencedor do Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários APE/Câmara Municipal de Loulé, pela obra “A justa desproporção (Companhia das Letras)”, anunciou o júri do galardão, que deliberou por unanimidade a atribuição do prémio desta edição. A decisão foi tomada por um júri coordenado por José Manuel Mendes e constituído por Carlos Albino Guerreiro, Isabel Cristina Mateus e José Carlos Seabra Pereira, que destacou a qualidade literária e a abordagem singular do autor. Na fundamentação da decisão, o júri destacou o “olhar atento, pessoalíssimo e minucioso” do autor sobre os quotidianos contemporâneos, sublinhando a forma como a obra percorre gestos, vozes, expressões e referências culturais diversas, da literatura ao cinema, passando pela música e pela televisão. O texto distingue ainda a capacidade do autor para refletir sobre a linguagem com humor e ironia, desconstruindo expressões feitas e explorando o funcionamento da língua. É igualmente salientada a diversidade de referências convocadas, que vão de Buñuel e Truffaut a Shakespeare e Dante, passando por nomes da música como Dylan e Rui Reininho, bem como géneros como o country, o soul ou a música eletrónica de Jean-Michel Jarre. Segundo o júri, as crónicas de “A justa desproporção” cruzam temas variados como astrologia, artes e gastronomia, desafiando rotinas e “lugares-comuns”, num registo que tanto cativa como provoca o leitor. O Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o patrocínio da Câmara Municipal de Loulé, distingue anualmente uma obra em língua portuguesa, de autor português, publicada em primeira edição em Portugal no ano de 2025. Nesta edição, o prémio tem o valor monetário de 15 mil euros. A cerimónia de entrega terá lugar no Dia do Município de Loulé, a 14 de maio, pelas 11h00, na Cerca do Convento do Espírito Santo. Ao longo das suas 11 edições, o galardão distinguiu autores como José Tolentino Mendonça, Rui Cardoso Martins, Mário Cláudio, Pedro Mexia, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Dulce Maria Cardoso e Helder Macedo. Sobre o vencedor Daniel Jonas nasceu no Porto, em 1973. Tem publicado sobretudo poesia, destacando-se obras galardoadas como “Sonótono” (Prémio PEN Poesia), “Nó” (Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes), “Oblívio” (Grande Prémio de Literatura DST) ou “Cães de chuva” (Prémio Literário Fundação Inês de Castro). Com “Passageiro frequente”, foi um dos sete poetas europeus nomeados para o Prémio Europeu da Liberdade, atribuído pela cidade de Gdánsk. O conjunto da sua obra mereceu o Prémio David Mourão-Ferreira/Cátedra Aldo Moro da Universidade de Bari. Como dramaturgo, escreveu as peças “Nenhures”, “Estocolmo”, “Reféns” e o libreto “Still Frank”. É um dos mais relevantes tradutores literários da língua portuguesa, dedicando-se a autores como Shakespeare, Milton, Pirandello, Huysmans, Dickens ou Wordsworth. A sua tradução de Contos de Cantuária, de Chaucer, recebeu o Grande Prémio de Tradução Literária APT/SPA. Doutorou-se em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa. Leciona nos ensinos básico e universitário. “A justa desproporção” é o seu primeiro livro em prosa. - Publicidade - Jéssica Mestre