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REPORTAGEM , SALÃO DE PEQUIM 2026: UM AUTÊNTICO “MONSTRO”

Motor 24 Online

2026-04-30 21:05:54

Desde a última edição em 2024, o Salão Automóvel Internacional de Pequim quase duplicou de tamanho. Ocupando 17 pavilhões de grandes dimensões, este evento leva mais que um dia para ser visto em detalhe. Francisco Mota fez uma autêntica maratona para ver tudo, ou quase. ConteúdosO maior de sempre15 PavilhõesUma maratonaMuito mais chinesesMarcas alastram“The Big Four”VAMOS A ISTO! Imagine uma cidade tão grande que está dividida em 16 câmaras municipais. Imagine que essa cidade tem 22 milhões de habitantes, que utilizam todos os dias 7 milhões de automóveis, 90% dos quais são fabricados no país. Imagine que abre os olhos, após uma viagem de 13 horas de avião, e aterra em Pequim. Foi mais ou menos esta a experiência que tive nos últimos dias. O maior de sempre A missão era fazer a reportagem do Salão de Pequim, mais um salão dos inúmeros que “fiz” desde os anos 1980. Só que este não foi mais um, este foi o maior salão automóvel alguma vez realizado no planeta, dedicado a novos automóveis. Chamo-o o “monstro” porque só olhar para a planta já assusta. Planear a visita obriga a calçar os ténis mais confortáveis que tenho e fazer-me ao caminho a passo apressado. 15 Pavilhões Comecei às 8h00 e terminei às 17h00, com meia hora para almoçar e com umas quatro garrafas de água bebidas durante a minha “maratona”. Visitei todos os 15 pavilhões que tinham expositores de marcas de automóveis, evitei os de fornecedores que ocupavam mais dois pavilhões inteiros, dos de maior tamanho. Uma maratona Primeiro elogio para a marca de ténis que escolhi, que se manteve confortável durante todo o dia. Já tinha posto à prova essa marca noutro dia, também com muitos passos registados no smartphone, mas isso foi nas férias. Em trabalho, nunca tinha andado a pé tanto tempo seguido, o que não deixa de ser irónico, considerando que nesta profissão o objetivo é testar automóveis, não andar atrás deles. Muito mais chineses O Salão de Pequim 2026 reuniu os grandes grupos de marcas de automóveis chinesas e algumas das estrangeiras, desde que tenham uma parceria obrigatória com o governo para poderem construir automóveis no país, a única maneira realista de obter licença para vender carros no maior mercado do mundo. Ao que soube, a Alfa Romeo é a única marca que vende na China sem lá fabricar, tirando as marcas de grande luxo, claro. Marcas alastram O nosso conhecimento sobre marcas chinesas tem crescido muito nos últimos anos, desde que a BYD descobriu o caminho marítimo para a Europa, que outras logo imitaram. Mas a realidade do mercado chinês é muito mais complexa do que deixaria pensar os modelos que já por cá se vendem. Cada grupo lança marcas e modelos. Se um dado modelo vende bem, então passa a ser uma nova marca, e mais modelos com essa marca são lançados. E assim sucessivamente, mais parecendo a reprodução de um qualquer ser microscópico, ou de uma doença, ou de uma cura “The Big Four” Os grandes grupos automóveis na China, conhecidos como os “Big Four”, numa clara imitação dos antigos “Big Three” dos EUA, são a SAIC Motor, Dongfeng, FAW e Changam. Estes são grupos estatais, mas que trabalham em parcerias com grupos estrangeiros. Depois há os grupos chineses privados, como a BYD, Geely e Great Wall. Sem esquecer a Chery, GAC e BAIC. A partir daqui há várias parcerias com marcas estrangeiras, parcerias que podem não ser exclusivas, tecendo uma rede de contactos muito complexa. VAMOS A ISTO! Fui à procura destas e de outras marcas, mas em vez de fazer aqui um relatório de marcas e modelos, que não teria fim, resolvi escolher os modelos que mais me impressionaram e mostrá-los em foto com legenda. Vamos a isto! Stelato S9T do BAIC Group, uma carrinha ao estilo europeu mas com imagem chinesa IONIQ Concept Venus, uma berlina que vai dar início à marca Ioniq, separada da Hyundai, pelo menos na China Ioniq Earth Concept, esta é a versão SUV derivada da mesma nova plataforma elétrica ARCFOX é uma das marcas de 100% elétricos da BAIC, o S3 é a mais recente novidade, na forma de uma berlina. Tem sistema de troca de bateria e a particularidade de conseguir “disparar” a bateria para o lado, em caso de fogo. Concept Car Arcfox de condução autónoma a mostrar a versatilidade dos interiores que isso torna possível Mercedes-Benz GLC SUV coma nova grelha da Mercedes-Benz a voltar drásticamente ao passado, em termos de estilo, não de função. Este é o Beijing 81 da BAIC, um off-road “inspirado” no Mercedes.Benz Classe G. O fabricante admite que é “inspirado” no G-Wagen Fang Chen Bao, marca da BYD que acrescentou uma família de berlinas e este desportivo elétrico Formula X elétrico, com 1014 cv e capaz de 0-100 km/h em menos de 2 segundo, dado não oficial Uma obra de arte digna de Joana Vasconcelos. O BYD 906 GT numa interpretação gótica. O futuro será estático, claro. Smart #6 eHD a marca entra nas berlinas híbridas premium, como sempre, desenhado pela Mercedes-Benz. Não se sabe se virá para a Europa.