RICARDO MENDES: COM QUANTOS DRONES SE CONSTRÓI O UNICÓRNIO TEKEVER
2026-05-01 21:06:04

Entrevista Ricardo Mendes Ninguém sabe C OUC vai acontecer com a IA, Sô que sera Drolundamentd diferente” o presidente executivo da Tekever,o mais recente unicórnio português, é um homem calmo, visionário e ambicioso Acredita que Portugal tem tudo para ser líder em áreas fundamentais, basta focar-se e aproveitar as oportunidades do momento D iscreto e reservado, Ricardo Mendes, 48 anos, CEO e fundador da Tekever, empresa líder na Europa no fabriCO de sistemas autónomos para vigilância e segurança, apenas levanta O véu sobre O que lhe vai dentro. Percebe-se, para lá da contenção, também própria de quem lida com a confidencialidade de assuntos de segurança e de Estado, que sonha alto, tão alto quanto OS pequenos computadores alados que vende para meio mundo, que se tornaram determinantes na guerra da Ucrânia, colocando Portugal no mapa da indústria da Defesa. Sonha com cidades em que O transporte passa tanto pelo ar como pelo solo, com teletransporte e máquinas do tempo. Diz que serão realidade, só não sabe quando. Grande parte do seu tempo é passado a pensar no futuro, “não apenas onde estamos, mas onde podemos e queremos estar, e no que temos de fazer para lá chegar”. Lidera uma equipa de 1300 pessoas, de mais 30 nacionalidades, espalhadas por cidades como Lisboa, Porto, Ponte de Sor, Caldas da Rainha, Toulouse, Cahors, Swindow ou Bristol. Só em Portugal, são já cerca de 900 trabalhadores. A guerra da Ucrânia, onde OS drones emergiram como a nova arma secreta e a Tekever se tornou uma aliada no terreno, deram um novo fôlego à empresa criada por cinco engenheiros do Instituto Superior Técnico, que em 2019 esteve à beira da falência e hoje tem uma faturação que, ele não revela, mas ronda a centena de milhões de euros. Não se entusiasma, para ja já, com a ida para a Bolsa e afasta a uideia de uma parceria com O Estado. Filho de um engenheiro que mudava regularmente de local de trabalho, aprendeu a olhar para O mundo como um mapa a percorrer. De tal forma que uma das áreas de crescimentc da Tekever está para lá dos territórios: é no espaço que a empresa tem participado em missões espaciais. E, como o próprio diz, é um caminho que força a empresa a empurrar OS limites do possível em termos de tecnologia.” A língua portuguesa também não lhe basta e ao longo de uma demorada conversa no centro de produção de drones em Ponte de Sor, no coração do aeródromo, um espaço privilegiado para testar as máquinas voadoras, nem uma febre de 39 graus e uma pneumonia o travaram, com as palavras em inglês a pontuarem o discurso sobre a missão da empresa: “Estamos a construir uma generational company, capaz de servir a sociedade nas próximas décadas.” A Tekever é líder europeia na área dos drones de vigilância. Como é que massaja o cérebro? Já está a pensar na próxima grande nova invenção? Sou um ávido consumidor de livros, filmes e de música. Sou muito curioso. Sempre fui, desde pequenino. Gosto muito de descobrir um paradigma novo, que alguém publicou e sobre o qual não conheço nada. é uma tónica comum à minha vida, em casa, Ono trabalho e, felizmente, à nossa equipa. Dentro da empresa, tem que haver um ambiente estimulante para se trabalhar, porque estamos num crescimento muito acelerado, numa área extraordinariamente interessante e em que contribuímos para o avanço da sociedade e da tecnologia. é na organização que gasta a maior parte do seu tempo? Primeiro que tudo, é a pensar em como é que conseguimos desenvolver uma empresa que potencia as pessoas, as permite desenvolverem-se, terem criatividade e fazerem coisas. o meu papel é perceber para onde queremos ir e qual é a estratégia para lá chegar. Grande parte dessa estratégia passa por perceber como é que conseguimos organizar-nos para sermos uma empresa extremamente ágil que trabalha em grande escala, em ambientes que exigem o cumprimento de regulamentações todas diferentes: União Europeia, NATO e cada um dos países. E a pensar em para onde a sociedade está a ir, para onde a tecno logia está a evoluir e como as pessoas a vão adotar. Hoje não se consegue pensar com muita antecedência. Pensamos o futuro a dois tempos: a três e dez anos. Os desafios para os próximos três anos passam por perceber como conseguimos incorporar as aprendizagens que temos feito na Ucrânia e nas missões que fazemos pelo mundo, e ajudar os países a tirarem partido desta tecnologia do ponto de vista de defesa e segurança. Exatamente de que tecnologia fala? De sistemas autónomos, ou melhor, de inteligência artificial a bordo de sistemas que podem estar a voar, a andar ou a nadar por baixo da água. A Tekever é reconhecida como uma empresa de drones, genericamente algo que voa, mas então não é só isso? Esta é uma tecnologia que evolui de forma exponencial com a computação, e à medida que temos mais capacidade computacional, temos mais capacidade de os sistemas fazerem coisas, recolher dados e processá-los. O desenvolvimento do produto tem de ser muito rápido e ágil. Mas a utilização massiva destes sistemas exige não só uma contínua evolução da tecnologia, como lidar com questões de soberania e regulamentação, e fazer isso em grande escala é difícil. Quando é que os drones apareceram na Tekever? Durante os primeiros anos da empresa fazíamos o software que corria em dispositivos, como telemóveis ou outros. A certa altura percebemos que havia neste mercado a possibilidade de desenvolver dispositivos numa perspetiva completamente diferente, e passámos a olhar para os dispositivos como computadores e não como aviões. Os drones não eram populares nessa altura. Não. Arrancámos com o investimento na área dos sistemas autónomos em 2008. As pessoas não ouviam falar de drones. Até aí o que fazíamos erao .o desenvolvimentc de software, e já tinha a ver com sistemas distribuídos, em que tudo está ligado, e o software e a inteligência artificial (IA) permitem conectar um grande conjunto de coisas e tirar partido disso. Mas não desenvolvíamos o veículo, a máquina. Percebemos que a área dos sistemas autónomos era dominada por empresas que vinham do mundo mecânico da defesa e da aeronáutica, e que olhavam para os drones como se fossem aviões mais pequenos. Mas, para nós, é como se fossem um computador com asas. Um AR5 [aeronave não tripulada de média altitude e longa autonomia concebida principalmente para missões de vigilância marítima é quase um data center com asas. Ouvi-lo remete-nos para alguém que lê ficção científica, e que vê cidades com circulação aérea e não em estradas. Isso está no imaginário de qualquer pessoa que lê ficção científica. E evidente que tudo está e vai ficar ligado e a Tekever percebeu que quando isso acontecer em larga escala, precisaremos da IA para que o que se passa à nossa volta faça sentido, com a consciência de que a robótica será ubíqua. os sistemas de propulsão e o armazenamento de energia serão miniaturizados e vou ter coisas mais pequenas que se mexem com muito mais facilidade. E uma questão de tempo e, para mim, era evidente que essa seria realidade e que eu queria ajudar a construí-la. Achei que a melhor maneira de o fazer era no mundo do software, porque conseguíamos, a partir de nada, fazer qualquer coisa. A Tekever está numa fase de transição? E uma scale-up, não é uma startup. Desenvolveu uma base tecnológica, um conjunto de produtos e serviços para os quais encontrou um mercado. Estamos numa fase de escalar o que fazemos, o que, no nosso mercado, significa uma abrangência geográfica muito grande. E um momento perigoso? No mundo das tecnológicas não sei o que não é um momento perigoso. As áreas que têm a ver com computação, software e IA estão constantemente em evolução e estamos numa evolução exponencial. Nenhuma empresa ou mercado está estável. Basta olhar para a IA nos últimos dois anos. Falou há pouco em voar, andar, nadar debaixo da água. A Tekever está a alargar a produção? O nosso principal foco de desenvolvimento é na autonomia de todas as camadas tecnológicas que nos permitem, em solo, tirar partido de grandes quantidades de informação e perceber padrões. Perceber o que é que está a acontecer, olhar para dados históricos, cruzá-los com dados atuais. E O que chamamos de Autonomy Stack, um conjunto de sistemas que podem ser postos a bordo de veículos diferentes. Se eu tiver um sistema que voa, uma parte deste Autonomy Stack está a voar a controlar um sistema que voa. Mas podemos utilizá-lo para coisas que andam, estão debaixo de água ou num satélite. Teremos o símbolo da Tekever num submarino? Existem áreas que estamos a estudar e um grande conjunto de projetos de investigação para desenvolver estas tecnologias e potencialmente desenvolver produtos. Uma coisa é a tecnologia, outra é o produto. Estamos a focar-nos em desenvolver uma tecnologia que pode ser multidomínio: aéreo, espacial, terrestre e aquático. Mas ter produtos não depende só da tecnologia, depende também do mercado e da nossa capacidade de sermos bem sucedidos a servir os clientes. Os desafios que os países sentem com os temas da autonomia não são exclusivamente com coisas que voam. Falamos da robotização e do chamado AI-enabled, na prática como é que uso a IA cruzada com a robótica para executar missões sem pôr em risco a vida humana. Insisto, vamos ver a Tekever em .outros produtos? Ao longo dos próximos anos será normal ver a Tekever em tudo o que são sistemas robóticos, que têm a inteligência artificial em serviços para proteger a sociedade. Fala em missões e em soberania, os vossos clientes são sempre países? Não estamos no mercado de massas. Iniciámos pela vigilância marítima, OS onossos clientes eram entidades governamentais ou supragovernamentais. Fazemos deteção e ajuda à prevenção da pesca ilegal, busca e salvamento ou proteção de vida marinha ou atividades como a prevenção de incêndios. Tudo isto é segurança. Depois existe um outro segmento, o da defesa, com missões que podem ser de proteção e de ataque. E que explodiu com a guerra na Ucrânia. Sim, este segmento tornou-se muito evidente. Percebeu-se que esta tecnologia faz uma revolução na forma como a defesa funciona. A guerra da Ucrânia mudou o vosso paradigma como empresa? A Tekever estava numa curva de crescimento exponencial na área da segurança marítima bastante antes da guerra na Ucrânia, começou a crescer de forma muito acelerada em 2019, a ganhar mais clientes pelo mundo fora. De repente, este sector ganhou uma grande notoriedade. Os nossos primeiros grandes clientes de referência foram a Agência de Segurança Marítima Europeia (ASME) e o Ministério do Interior inglês, o Home Office. Encontrámos um segmento de mercado muito interessante e tornámo-ónos líderes europeus em vigilância marítima. Começámos a cobrir uma grande parte dos mares da Europa. Não estávamos a vender produtos, mas a oferecer intelligence as a service. A Tekever bateu à porta dos ucranianos ou eles é que vos encontraram? Foi um misto. Tínhamos a relação com a ASME e começou num projeto de investigação para a ESA [European Space Agency] em 2014, e juntos descobrimos que poderia ser uma forma muito diferenciadora de ajudá-lo na sua missão. Trazíamos a experiência da vigilância de oleodutos e outro tipo de infraestruturas críticas em àfrica. Quando começou a invasão russa em 2022, tal como a maior parte das pessoas, empatizámos muito com os ucranianos. Tivemos, inclusive, programas para os receber na Tekever. Mas não era evidente como conseguiríamos contribuir, porque não éramos uma empresa com produtos formatados para a defesa. Uma das características que tínhamos, e temos, é que, além de sermos o fabricante dos sistemas e controlarmos tudo o que é feito dentro do sistema, temos um modelo de desenvolvimento ágil, que nos permite evoluir de forma muito rápida. Além disso, fazemos a operação dos nossos sistemas. Temos uma equipa que opera e analisa os dados, e percebe tudo o que está. a acontecer. ê um círculo virtuoso de feedback entre os operadores, os engenheiros e a equipa de produção. Numa situação de guerra torna-se mais complexo. Sim, o mercado de defesa não funciona assim. O cliente diz o que quer, e tradicionalmente há um ciclo que demora vários anos. Os processos de aquisição, desenvolvimento e produção são longos, um projeto rápido dura três ou quatro anos. Nos sistemas autónomos não é assim. Na guerra na Ucrânia tornou-se evidente, ao fim de poucas semanas, que os sistemas autónomos, de um modo geral, iam ser determinantes E ficou claro que ia ser montado uma espécie de jogo do gato e do rato entre ucranianos e russos no desenvolvimento de tecnologias. Era clarividente para alguns dos nossos clientes, como os ministérios da Defesa e o do Interior ingleses, que tendo em conta o que fazíamos, e na forma como estávamos organizados, os nossos sistemas podiam ser extremamente úteis naquele cenário. Foram os ingleses que vos levaram para a Ucrânia? Foi o Governo inglês, foram as forças armadas ucranianas e fomos nós próprios e a vontade que tínhamos de ajudar. A Tekever, nessa altura, já era uma empresa muito conhecida na área dos sistemas autónomos, éramos o líder europeu para área da vigilância marítima e um dos componentes importantes da guerra da Ucrânia é o Mar Negro. Mas foi determinante a visão do Governo britânico sobre o modelo que tínhamos montado na empresa, de feedback constante entre desenvolvimento, produção e operação. Os primeiros sistemas enviados para a Ucrânia não estavam adaptados ao que era necessário no terreno e não eram eficazes, mas passado alguns meses já eram. Quando viu na televisão os russos a avançarem pela fronteira ucraniana foi o empresário ou o cidadão que reagiu? Primeiro foi o cidadão. A Tekever é uma empresa com valores humanos muito fortes, e o que pensámos imediatamente foi em como conseguiríamos ajudar. Fizemos uma campanha no mesmo dia para ajudar a trazer as pessoas para trabalharem connosco e comunicámos com a Câmara Municipal de Ponte de Sor para arranjar alojamento. Fizemos uma triangulação com as escolas locais. Antes de pensarmos do ponto de vista empresarial. ê uma posição ideológica? ê mais humana. São pessoas que precisam de ajuda, que estão a fugir de uma situação terrível. Ainda tem algum trabalhador dessa altura? Provavelmente sim, não sei. A partir do momento em que a pessoa está cá dentro, passa a ser um colaborador da Tekever. Desde o início percebeu que os drones iriam ter um papel preponderante na guerra? Nesses primeiros dias, não. Ao fim das primeiras semanas, e depois nos meses seguintes, tornou-se evidente que seriam centrais. E porquê essa importância? ê interessante ver que este tipo de tecnologias desenvolveram-s brutalmente pelo lado civil na última década. Houve um spin in do civil para a defesa em vez do tradicional spin off. A Ucrânia não tinha acesso ao equipamento tradicional de defesa militar e começou a utilizar o que existia no sector civil. Que era barato. E acessível. Constataram que, não tendo acesso à tecnologia militar nas quantidades de que precisavam, tinham de criar formas alternativas para se defenderem. Procuraram no mercado civil e os drones estavam brutalmente disponíveis. Conseguia-se comprar online e chegava a casa. os equipamentos tradicionais da defesa foram complementados e, em muitos casos substituídos por estes equipamentos civis. Porquê? Permitem progredir rapidamente no terreno? Quando se diz que a Ucrânia utiliza ou fabrica quatro milhões de drones por ano, não são como os nossos, são pequeninos, muito mais simples, com fins mais comedidos. E com custos controlados, de centenas e não de milhares de euros. O que se tornou muito evidente é que a utilização desse tipo de tecnologias poderia gerar uma assimetria muito grande face a equipamentos muitíssimo mais caros. Quando foi a primeira vez à Ucrânia? No final de 2022 ou no início de 2023. Demorei algum tempo, porque não era útil lá. A minha vontade era ir o mais cedo possível, mas era muito mais útil cá, a ajudar-nos a organizar para podermos contribuir. As vossas equipas já estavam lá? Foram enviadas no primeiro semestre de 2022. Eram engenheiros? Temos sempre equipas multidisciplinares, que juntam pessoas de operações, muitas vezes com um background militar, preparadas para ir às zonas de conflito. Temos muitos ex-militares, acompanhados por equipas de engenharia para dar suporte local. Começámos a montar equipas na Ucrânia sobretudo para dar formação, apoio logístico. E para ajudar a fazer investigação e desenvolvimentc no terreno. A Tekever opera drones no terreno? Não. As nossas equipas estão lá a apoiar a operação, desde a formação aos militares ucranianos, a executar e a levar a cabo todos os processos logísticos, a chegada, a preparação e a manutenção do equipamento. E se for necessário, reparar. Nessas equipas entram advogados ou diplomatas para lidar com questões de soberania? Normalmente não. As questões de soberania, existem mais ónos processos de desenvolvimento, produção e dos processos logísticos. Não é o que acontece na Ucrânia? Como é um país em guerra, no qual há um conflito ativo, as questões de regulamentação são muito menos relevantes. Há uma tolerância muito maior à falha. Como foia a experiência de ir à Ucrânia? Estávamos já com um envolvimento bastante significativo na Ucrânia e achei importante ir e perceber como podíamos envolver-nos mais óno terreno. Já tínhamos várias equipas a ir regularmente, um conjunto de sistemas a operar e uma relação muito próxima com as forças armadas ucranianas. Mas eu queria perceber melhor o país. Temos a ideia de que a Tekever tem que ser também ucraniana, como inglesa, francesa e portuguesa E para isso temos que conhecer o país, não porque é um cliente, mas porque faz parte de nós. Do que mais me recordo é de um povo que tentava resistir, mantendo o mais possível a normalidade. Nunca tinha estado num país em guerra aberta e estava à espera do que se vê nos filmes, de tudo destruído e as pessoas todas dentro de casa e o que mais me chocou foi ver a enorme vontade que as pessoas tinham de manter os seus hábitos diários. Senti uma profunda empatia. Conheceu Volodymyr Zelensky? O que achou dele? Estive em vários eventos em que ele também estava. ê uma pessoa que transmite uma força e energia fantásticas. Alguém com uma missão profundamente vincada, um excelente comunicador. E consegue causar um impacto muito grande na audiência. Sem ele, a Ucrânia já tinha vergado? Não sou a pessoa ideal para responder a essa pergunta. Não sou analista. Todas as instituições todos os países, todas as empresas precisam de líderes fortes, sobretudo nas circunstâncias mais difíceis. Precisam de pessoas que não tenham receio, que vejam onde é que está o caminho e consigam ajudar as outras a motivar-se. Acho que ele conseguiu. Ele considerou que os drones eram importantes? A Ucrânia tem pessoas e líderes brilhantes, já tive a oportunidade de conhecer vários. Pessoas que aliam uma enorme inteligência com um enorme sentido prático. E várias pessoas que conseguiram ter a visão de que, se apostassem em tecnologias que vinham do mundo civil para suprir as lacunas que sentiam óno mundo militar, não ia ser uma tecnologia militar de segunda, mas quase uma reinvenção dos sistemas usados na defesa. A Ucrânia transformou a Tekever em outra coisa? Não. Eu diria que o mercado mudou muito e que aquilo que era um pendor para a área da segurança alterou,se e constatou-se que o mercado de defesa iria ser muito maior e acelerar muito o crescimento. Já estão na área da defesa? A partir do momento em que estamos a trabalhar com forças militares, estamos na defesa. A Rússia tentou contactar-vos? Nunca. O mercado de defesa é altamente regulado. Independentemente de querermos ou não, só podemos comercializar para países e entidades, cujos países de origem, neste caso Portugal, Inglaterra ou França, nos permitam exportar. Nunca poderíamos exportar para a Rússia, estamos limitados pela regulação. A Rússia estava atrasada na tecnologia dos drones? Não sei. A Rússia tem uma capacidade científica incrível. ê muito evidente hoje que existe grande capacidade tecnológica de ambos os lados, não há uma assimetria. Os Estados Unidos não estavam tão despertos para estas tecnologias? ê um tema interessante, os EUA têm uma capacidade tecnológica incrível. E do ponto de vista de defesa têm equipamentos e tem tecnologias. Com décadas à frente da Europa... Não sei se é verdade, porque depende do tipo de tecnologia de que estamos a falar. Têm empresas fabulosas que desenvolvem uma tecnologia incrível há muitas décadas, mas criaram organizações otimizadas para desenvolver tecnologia de uma determinada forma. E nos últimos quatro anos a forma de desenvolver e de levar para o terreno este tipo de tecnologias mudou radicalmente os ciclos de desenvolvimento são de meses. Desde o final da Guerra Fria os ciclos de desenvolvimento eram lentos e os projetos muito grandes e muito planeados. Ora, o que se tornou evidente na Ucrânia é que isso não funciona no terreno. Mas a guerra não se vai fazer só com drones. O equipamento tradicional « é relevante? Claro, mas existe uma cada vez maior preponderância deste tipo de tecnologias. Vemos carros de combate que custam milhões de euros serem destruídos por equipamentos que custam centenas, milhares ou poucas dezenas de milhares de euros. O mesmo acontece no mundo marítimo ou no espaço aéreo. A guerra da Ucrânia dá oportunidade a David de derrotar Golias? A Ucrânia conseguiu desenvolver-se como um David. ê uma boa metáfora para que os países ocidentais, a Europa e a NATO, possam reinventar a sua capacidade e indústria de defesa. Nós estamos no centro disto, profundamente envolvidos nas missões militares na Ucrânia. Quando a guerra acabar, os ucranianos serão fortes na indústria da defesa? Toda a sociedade está envolvida no esforço de defender o país. Uns inventam, outros fabricam e utilizam. Já criaram uma indústria, mas o grande desafio é que o que é necessário para uma empresa num ambiente de guerra é distinto do que é necessário em ambientes de paz. Já vê o cenário do fim do conflito? O que a Ucrânia fez até agora é inacreditável. Conseguiram reinventar-se constantemente. As vezes estão à frente, outras estão atrás, mas nunca desistiram. Não sei como vai acabar nem quando vai acabar. Mas são um povo que de alguma forma já ganhou porque não cruzou os braços. Para a Tekever não é necessário que o conflito se perpetue? De forma nenhuma. Queremos que acabe o mais depressa possível, não só porque queremos que parem de morrer pessoas, mas porque as empresas têm de se concentrar em desenvolver a próxima vaga de tecnologia para uma sociedade que não está em guerra. E há muitos benefícios que podem vir para o mundo civil. Originou-se na guerra da Ucrânia uma transformação profunda do mercado das tecnologias de defesa, mas, na minha opinião, era uma questão de tempo até isto acontecer. Aliás, OS nossos planos de negócio diziam exatamente isso: vai acontecer, não sabemos quando. Houve uma mudança radical, que já não anda para trás. A Europa está a reindustrializar,se na área da defesa, mas está atrás dos EUA e vai demorar a recuperar o atraso. A aprendizagem na Ucrânia permite dar o salto mais rápido? Tenho uma visão extremamente otimista. Por termos menor capacidade industrial na defesa, temos oportunidade de andar muito mais depressa. Tal como aconteceu em alguns países africanos, em que houve a passagem de não terem telefone para a tecnologia celular. Já está a acontecer? Sim. Estamos a focar-nos no desenvolvimento da guerra do futuro. E já agora, na opinião da Tekever, e na minha opinião, devemos apostar em tecnologias de duplo uso, equipamentos militares que possam ter um impacto muito positivo na sociedade civil. Se repararem no que nós trabalhamos , IA, robótica, software ,são áreas que já estão a ter e vão ter ao longo dos próximos dez anos um impacto cada vez maior na sociedade. O mesmo dispositivo, com IA lá dentro, pode estar no lar de idosos ou no terreno de guerra? Pode servir muitos tipos de missões. Não sei se num lar de idosos, mas não só na defesa certamente. Daí ter dito que é a pensar num horizonte de três a dez anos que ocupo a maior parte do tempo. Porque é muito evidente que nos próximos três anos vamos desenvolver-nos como uma das principais empresas mundiais nesta área, focados no mercado da defesa e da segurança, porque é o que achamos que a sociedade mais precisa agora e é a melhor forma de a servimos. E a dez anos porque achamos que este tipo de tecnologias, com tudo o que está a acontecer na defesa e na segurança, vai gerar grande impacto õno mercado civil. Estamos a falar de quê exatamente? De fenómenos muito parecidos com aquilo que aconteceu com a internet há várias décadas. A internet nasceu no mundo militar, e hoje está em todo O lado. A IA éuma força que vai mudar profundamente a sociedade. E ainda estamos na infância da IA, mas vamos acelerar muito rapidamente na IA embodied. Quando perguntamos a uma criança o que é a IA, imediatamente na cabeça deles aparece o ChatGPT, O Cloud, o GROK ou outro tipo de ferramenta digital. Daqui a dez anos, será completamente distinta. A IA estará em embodied em robótica ao nosso serviço. Tudo está ligado, o relógio, o carro, o frigorífico em casa. Foi assim que a Tekever nasceu, a pensar que a sociedade ia ser assim. Vai acontecer não só nos computing devices [dispositivos informáticos], como acontece hoje, mas nos dispositivos que se movem, são capazes de pegar e fazer coisas. Tem um humanoide em casa? Não. Mas teria. E para isso que a Tekever vai evoluir? A Tekever vai tentar sempre servir a sociedade, naquilo em que achamos que podemos contribuir com mais impacto. Nos próximos três anos estaremos focados essencialmente na proteção da Europa. E uma missão que assumimos de forma plena Acreditamos que a sociedade vai evoluir tremendamente com o impacto da IA e da IA embodied, queremos ter um papel, e estamos a desenvolver as tecnologias de base. Achamos que podemos vir a desenvolver produtos e serviços extremamente interessantes, em segmentos de mercado que não sabemos ainda quais são. A Tekever é para ficar na família Mendes? A Tekever não existe na família Mendes. Tem um grande conjunto de acionistas. Cada vez que fazemos uma ronda [para atrair investimento], trazemos novos acionistas. A sua percentagem direta no capital é de quanto? Essa informação não é pública. E o acionista maioritário? Não, tenho grande orgulho em dizer que grande parte do nosso capital pertence a pessoas que trabalham na Tekever. Muitas estão connosco há muitos anos. Depois, temos um conjunto relativamente pequeno de grandes parceiros institucionais, investidores, que investiram ao longo das várias rondas. E que já salvaram a Tekever. Foram fundamentais. Todos os nossos investidores foram fundamentais e trouxeram coisas diferentes ao longo da vida da empresa. Um dos primeiros foi a Iberius Capital. Temos a Ventura, a Bailey Gifford, o NATO Innovation Fund, o National Strategic Investment Fund do Governo Britânico e outros. A Tekever tem uma estrutura acionista muito rica. Fazemos um reinvestimento completo de todos os resultados no desenvolvimentc da empresa. Nunca distribuímos dividendos. Temos a sorte de ter investidores com uma perspetiva de muito longo prazo. Não é uma daquelas empresas de sucesso que acaba vendida a multinacionais? Não. O nosso objetivo é desenvolver a empresa até o limite do que consigamos fazer. Quando estava no Instituto Superior Técnico (Ist) esperava vir a ter um unicórnio? Era uma meta? Se aquilo que se sonha fazer tem a ver com a valorização da empresa, então não se deve fazer. Sonhávamos transformar o mundo com o que sabíamos fazer, que era a tecnologia. Hoje percebo que é uma visão bastante inocente. Quantos anos tinha? Tinha 23, era o mais novo. Eramos cinco ex-colegas do Técnico que se juntaram para fazer uma empresa. Pessoas com perfis completamente diferentes e os mais diversos backgrounds. Eram filhos de engenheiros? O meu pai era engenheiro químico, mas um dos nossos fundadores era filho de um jardineiro. O que vos juntou? A vontade de fazer algo diferente e a impossibilidade de não fazer. Eramos todos engenheiros informáticos, mas de ramos diferentes. Eu e outro colega éramos de IA OS outros três eram de Sistemas Computacionais. Juntámos a ideia da IA com os sistemas oriundos das comunicações móveis. A Tekever nasce desta visão. Saíam à noite, bebiam, iam dançar? Fazíamos tudo o que miúdos de 20 e tal anos fazem. Mas o meu filho mais velho nasceu em 2001, o ano de criação da empresa. Portanto, a minha vida não era tanto de copos. Durante O Técnico, sim. Obviamente, como qualquer outro colega, tínhamos vida social e tínhamos vida académica, mas fui pai muito cedo. O Técnico foi importante na sua formação? Muito. Sempre fui muito bom aluno e todos os meus colegas que foram para o Técnico tinham sido muito bons alunos. Conseguimos ter lá uma densidade de pessoas dedicadas, criativas e que decidiram ir para engenharia. De alguma forma, todos têm um conjunto de interesses comuns, pelo menos ali, mas também podem ter vivências completamente diferentes. Cria-se um espírito de discussão e de descoberta conjunta muito forte. é o principal. é também o que eu gosto muito na Tekever, que é o que costumo chamar de talent magnet. Mas não é só o Técnico, qualquer universidade de excelência cria um ambiente de aprendizagem e as condições para que as pessoas possam aprender. Atrai pessoas boas, que se lesenvolvem e atraem outras. O Técnico é uma escola de excelência e hoje temos em Portugal muitas outras, tal como a Universidade do Porto ou Aveiro. O Técnico não tem um lado muito competitivo, com reflexo na saúde mental? Isso é válido para o Técnico e para outras universidades. O mais importante que aprendi no Técnico foi aprender a aprender, método de trabalho e como nos desenvolvermos melhor. Sempre fui extraordinariamente competitivo e acho que é uma característica mais pessoal do que institucional. é injusto que essas pessoas saiam de Portugal? Estamos num mercado aberto, profund amente inseridos na Europa, onde não há barreiras, e estamos no mercado mundial. O que temos que fazer é criar em Portugal empresas e instituições que atraiam as pessoas, dando-lhes sentido de missão, grandes desafios, condições salariais adequadas, capacidade de continuar a desenvolver-se. A Tekever paga salários acima da média? Não queremos que as pessoas venham ou deixem de vir para a Tekever por uma questão salarial. Queremos que se juntem a nós porque acreditam na missão e querem trabalhar numa empresa num ambiente extraordinariamente desafiante. Não é para todos. é extremamente exigente, empurramos as barreiras do possível da tecnologia e das pessoas. Essa é a condição principal. A seguir, quere mos criar condições para que as pessoas não deixem de vir por questões salariais e queremos que o salário seja competitivo. O equipamento da Tekever pode ser usado num ataque militar? Ficaria confortável? O que construímos são sistemas otimizados para levar a bordo um grande conjunto de sensores e gerir um grande conjunto de dados, processá-los em tempo real e transmiti-los. Isto tem um conjunto de funções numa operação militar, que é muito diferente das funções do equipamento que é utilizado, por exemplo, num míssil. A tecnologia que temos a bordo 2o próprio custo que isso induz no equipamento faria com que não fizesse nenhum sentido utilizar os nossos equipamentos para esse fim. Era a mesma coisa que utilizarmos um Porsche para andar em caminhos de cabras. O vosso esforço não devia estar focado nos sistemas de defesa antidrone? é uma área em que estamos a trabalhar. O que é mais visível do que fazemos são os aviões, mas a principal tecnologia que fazemos é o stack da autonomia. Uma parte está a bordo dos veículos, outra está no solo. Temos o sistema Atlas, que faz parte desse stack de autonomia e nos permite ter uma visão muito ampla sobre tudo o que se passa no terreno. Pode ser utilizado em cenários de defesa antiaérea Portugal não tem esses sistemas de defesa antiaérea. Estamos vulneráveis a um ataque de drones? é uma pergunta mais bem dirigida ao Ministério da Defesa e às nossas Forças Armadas. Alguns dos sistemas que fazemos, como o Atlas, podem servir também em missões de proteção antiaérea. Estamos a trabalhar ativamente nisso com vários países. As nossas Forças Armadas estão alerta e muito conscientes, não só das potenciais ameaças mas também de todas estas tecnologias que estão a ser desenvolvidas. Não estamos a dormir? De forma nenhuma. E ativamente a trabalhar. O cenário apocalíptico do estamos completamente desprotegidos não espelha a realidade. O almirante Gouveia e Melo defende que Portugal faça um chuster de drones. Concorda? Portugal já tem empresas, como a Tekever, que desenvolveram ao longo de muitos anos capacidades extremamente interessantes. Somos em Portugal a entidade mais conhecida nesta área porque somos das maiores empresas na Europa. Há outras a surgir, há startups, há empresas mais consolidadas. Acho que esse know-how já existe e a Marinha, o Exército e a Força Aérea têm tido um papel preponderante. Portugal é um exemplo, na NATO, da utilização de equipamentos do meio marítimo. Todos os movimentos que possam ajudar a pôr mais Portugal no mapa e apostar mais nesta área tecnológica são bem m-vindos, porque é uma área na qual Portugal pode ser muito bom. Portanto, vejo isso com muito bons olhos. Portugal pode ser líder mundial se criar um produto inovador? Temos de escolher muito bem, não as áreas que queremos, mas onde já temos vantagem competitiva, aplicar energia a criar uma estratégia de longo prazo. Uma área evidente é a dos sistemas autónomos A Tekever não é só uma empresa portuguesa, é uma multinacional, mas nasceu em Portugal. Há outras áreas nas quais podemos ser também muito bons, como a dos materiais técnicos, vindos do têxtil. Portugal tem uma vantagem competitiva que pode ser vista como uma desvantagem: somos pequenos em terra. Mas somos gigantes no mar. E somos um país com tradição de diplomacia económica, sabemos lidar com povos diferentes. é um ativo fabuloso. Portugal é também o país mais ocidental da Europa e consegue ter o espaço aéreo mais desimpedido, o que pode criar condições fabulosas para teste e treino. Esse território tem que ser vigiado e protegido, com o know how que pode daí vir. Podemos inovar na legislação e na regulamentação, dar agilidade ao sector público. Se nos focarmos e nos especializarmos no que podemos ser muito bons, e se criarmos condições para fomentar isto, acho que Portugal consegue dar cartas. Se pudesse inventar um dispositivo, seria uma máquina do tempo ou de teletransporte? As duas estão altamente relacionadas, ou seja, o espaço e o tempo partem do mesmo princípio. Aquilo para o que trabalhamos hoje em dia é, sobretudo, para a logística de informação. O que os nossos sistemas fazem é trazer informação do ponto A para o ponto B de forma praticamente instantânea Seria muito bom para a sociedade se conseguíssemos fazer a logística de coisas e pessoas de forma instantânea. Não é possível, mas trabalhamos para facilitar e ajudar. Como explica aos seus filhos o que faz? o pai tem uma empresa que faz o quê? O pai não tem uma empresa, opai trabalha numa empresa. Tenho a sorte de ter miúdos com uma grande diferença de idades. Entre o Rodrigo e a Francisca vão 18 anos de distância e todos têm uma perspetiva diferente sobre o que o pai faz. A Francisca acha que faço aviões. O Frederico, que tem 19 anos, entrou para a faculdade e está a estudar IA, percebe que tem muito mais a ver com a IA do que com aviões. A Constança tem 21, é bióloga marinha e vê na perspetiva das missões para a proteção da vida marinha. Tem medo da IA? Temos que ser inteligentes na forma como lidarmos com a IA, que está a provocar uma transformação profunda na sociedade. A minha perspetiva, quando estudei e depois dei aulas, era diferente da que existe hoje. Atualmente é mais vulgar. Mas vai haver uma transformação ainda mais profunda da sociedade. A IA vem potenciar o que uma pessoa consegue fazer e todos a vamos utilizar cada vez mais, o que õnos vai permitir identificar no que podemos ser melhores e no que a IA nos pode, de facto, potenciar. Ou seja, o que é valorizado num trabalhador hoje é diferente do que vai ser valorizado no futuro. Ninguém sabe exatamente o que é que vai acontecer, só que será profundamente diferente. A reflexão que temos que fazer, enquanto sociedade e individualmente, é que vamos fazer para lidar com isso. Incentivo todos que têm medo a perceberem a melhor forma de tirar partido da IA. Mas como se controla? Esse é o papel dos humanos: onde é que é utilizada e como é que é balizada. acampos@expressoimpresapt Ricardo Mendes, da Tekever Com quantos drones se faz uim unicórnio português Aos 48 anos, pai de cinco filhos, podia ser um de nós mas éoCEO da Tekever, líder europeia na produção de drones de vigilância. hoje decisivo vos na guerra da Ucrânia. Esta é a história de umgrupo de alunos do Técnico que sonhou dar um salto tecnológico e mudar o mundo Tem 1300 trabalhadores, fábricas na Europa e fatura algumas centenas de milhões de euros. Quer ser a maior empresa global nesta área. o futuro pertence à inteligência artificial, seja lá o que isso for Por Anabela Campos, Christiana Martins e Tiago Miranda E TIAGO MIRANDA (FOTOGRAFIAS) Nenhuma empresa ou mercado está estável. Basta olhar para a IA nos últimos dois anos” Foi determinante o Governo britânico ter percebido que o nosso modelo podia ser muito útil na Ucrânia” MUNDO A viagem mais recente foia expedição a uma "cidade perdida” na Colômbia; Ricardo Mendes fundou a empresa com colegas do ónstituto Superior Técnico, um deles Vítor Cristina (à dir. na foto); o CEO da Tekever sente o bichinho de viajar desde cedo: com um ano, surge a voar na mão do pai, engenheiro químico, e em bebé numa fotografia dentro de uma mala Quando a guerra na Ucrânia acontece, torna , se evidente que os sistemas autónomos iam ser determinantes” ANABELA CAMPOS; CHRISTIANA MARTINS