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SESSÃO SOLENE: DISCURSOS EVOCAM PROGRESSO, ALERTAM PARA RISCOS E APELAM À PARTICIPAÇÃO CÍVICA - FAFE REAFIRMA ABRIL

Notícias de Fafe

2026-05-04 21:07:21

Sessão solene do 25 de abril: oradora convidada foi a constitucionalista Andreia Pinto Oliveira “A Constituição que herdamos continua a ser o nosso fundamento democrático. Melhorá-la é honrar essa herança” Fotos: Orlando Pereira Num ano em que se assinalam os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, a sessão solene do 25 de Abril, em Fafe, contou com a intervenção da constitucionalista Andreia Pinto Oliveira, que sublinhou a atualidade da Constituição de 1976, defendendo-a como um documento vivo, a preservar e a aperfeiçoar. A herança constitucional é aquilo que recebemos, mas também aquilo que deixamos", afirmou, desafiando o país a garantir que as próximas gerações recebam uma boa herança”. Defendeu que o preâmbulo não deve ser alterado, por constituir a matriz histórica e política do texto constitucional, e identificou sete áreas onde considera exis-tir margem de melhoria, sem pôr em causa o essencial da Constituição. Entre essas áreas, destacou a necessidade de uma norma que clarifique o impacto da integração europeia no ordenamento jurídico português. Reforçou também a importância de proteger as liberdades conquistadas com Abril, alertando para situações ainda existentes no país, como "tratamentos degradantes e desumanos” em prisões, defendendo que a dignidade humana deve ter expressão constitucional mais clara. Defendeu ainda a atualização da norma ambiental, afirmando que a proteção do ambiente e do clima deve assumir-se como um desígnio nacional. Alertou igualmente para o risco de politização do Tribunal Constitucional, defen-dendo critérios de escolha dos juízes que reforcem a imparcialidade e impeçam qualquer tentativa de controlo partidário. Considerou que a reforma do modelo de designação “não deve esperar muito mais”. A regionalização foi outro ponto sublinhado como "promessa de Abril ainda por cumprir”. Questionou como é possível que, 50 anos depois, o país continue sem concretizar este nível de organização territorial. No final, Andreia Pinto Oliveira reiterou que as alterações que propõe não transformam o essencial da Constituição, mas visam aperfeiçoar a herança recebida: A Constituição que herdámos continua a ser o nosso fundamento democrático. Melhorá-la é honrar essa herança.” Raul Cunha: A liberdade enfraquece quando deixamos de participar” A cerimónia abriu com a intorvenr?nc dn nracidente da Assembleia Municipal, Raul Cunha, que destacou o 25 de Abril como uma data importante da memória coletiva", sublinhando que a liberdade conquistada exige participação, responsabilidade e vigilância perante fenómenos como a desinformação, o populismo e o afastamento cívico. Reforçou que o 25 de Abril devolveu o essencial: a liberdade”, mas advertiu que esta só se mantém viva com participação cívica. A liberdade enfraquece quando deixamos de participar. As democracias correm riscos também pela apatia dos cidadãos”, afirmou. Terminou evocando Sophia de Mello Breyner, desejando que essa madrugada continue viva”. Antero Barbosa: Poder local como um dos frutos mais belos do 25 de Abril” No encerramento, o presidente da Câmara Municipal, Antero Barbosa, revisitou o significado histórico do 25 de Abril e o papel de Fafe nos momentos decisivos do país. Recordou que Fafe esteve sempre do lado certo da história”, “ do lado da liberdade” na Revolução Liberal, na implantação da República e em 1974. O autarca destacou o fim da guerra colonial como primeira razão para celebrar Abril, afirmando que se tratou de uma guerra sem sentido e sem razão”. Sublinhou também o impacto da ditadura no atraso económico e social do país, defendendo que a democracia abriu caminho ao desenvolvimento. Dedicou parte significativa do discurso ao poder local, que classificou como um dos frutos mais belos do 25 de Abril”, lembrando que antes de 1974 os presidentes de câmara eram nomeados pelo regime e não eleitos pelos cidadãos. Abordou ainda temas internacionais e contemporâneos, desde as alterações climáticas às guerras em curso, passando pela importância dos imigrantes na economia portuguesa. Criticou campanhas de ódio e discursos populistas, afirmando que os países permitem a entrada de imigrantes porque precisam deles para trabalhar” e que estes, tal como os emigrantes portugueses no estrangeiro, se integram e contribuem para o país. Defendeu que celebrar Abril implica também denunciar fake news, combater discursos de ódio e proteger os direitos humanos, Citou Edgar Morin para reforçar a necessidade de políticas humanistas, desde a saúde à energia, da educação à solidariedade. De ouro e prata Entregues Medalhas de Mérito Concelhio A sessão solene das comemorações do 25 de Abril em Fafe ficou ainda marcada pela entrega da Medalha de Ouro de Mérito Concelhio ao Centro para a Formação Juventude de Arões e da Medalha de Prata de Mérito Con-celhio ao Centro Social de Antime, bem como pela homenagem a funcionários municipais pelos seus 15, 25 e 35 anos de serviço. A sessão terminou com a cantora lírica Patricia Bouças a interpretar o hino nacional. CMF Representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal Discursos de abril marcados apelos à liberdade, responsabilidade e participação democrática Na sessão solene do 25 de Abril, os representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal dissertaram nos seus discursos sobre os desafios atuais da democracia. Apesar da diversidade ideológica, todos sublinharam a importância da liberdade conquistada em 1974 e a necessidade de preservar os valores democráticos num tempo marcado por novas exigências sociais, económicas e políticas. Tierri Monteiro Ma PCP A intervenção do PCP destacou a importância de recordar o verdadeiro significado do 25 de Abril, sublinhando que a ditadura foi um período de opressão profunda para mulheres, crianças, trabalhadores e para todos os que resistiam. Tierri Monteiro defendeu que Abril continua atual e que o seu futuro depende da valorização dos salários, da Escola Pública, do SNS E dos serviços públiCOS, Criticou o chamado Pacote Laboral, apresentado como uma ameaça aos direitos conquistados, e afirmou que lutar pelas 35 horas, pela estabilidade laboral e pela dignidadedas famílias é dar continuidade ao projeto iniciado pela Revolução. No plano local, o discurso apontou desigualdades em Fafe, como a precariedade das trabalhadoras das cantinas e a falta de resposta a problemas sociais, defendendo a municipalização de serviços, melhores condições nas escolas, novas infraestruturas e um hospital público. Sérgio Castro Il Sérgio Castro sublinhou que o 25 de Abril marcou a libertação de Portugal do medo e do isolamento, alertando que, em 2026, celebrar a liberdade exige vigilância. Afirmou que a democracia está sob pressão global, ameaçada pelo populismo, que descreveu como um movimento que simplifica problemas complexos, procura culpados e ataca instituições fundamentais como a imprensa e a justiça. Defendeu que a democracia é exigente, requer diálogo e respeito pela verdade, e que a resposta ao populismo não passa por restringir liberdades, mas por reforçar uma democracia responsável, assente na liberdade individual e na participação in-formada dos cidadãos, Sérgio Castro Reforçou que a liberdade é uma conquista diária que exige ação cívica e responsabilidade, defendendo que honrar o legado do 25 de Abril implica ser um cidadão ativo, crítico e livre, reafirmando que Portugal pertence aos seus cidadãos e não a qualquer grupo ou poder. Rute Mendes Chega Rute Mendes afirmou que o 25 de Abril representa a conquista da liberdade, da democracia e dos direitos fundamentais e que a data não é neutra, mas uma afirmação política de que o poder pertence ao povo. Destacou que Abril trouxe voto livre, liberdade de expressão e organização política e sindical, defendendo que a democracia exige compromisso: políticas que criem oportunidades reais, um Estado que respeite quem trabalha e liberdade vivida no quotidiano. Reconheceu os progressos alcançados em 50 anos, mas insistiu que a democracia só se fortalece com exigência perante desigualdades e decisões afastadas das pessoas. Defendeu que o 25 de Abril devolveu o poder ao povo e que esse princípio deve orientar a ação política. Alertou contra burocracias e decisões que ignorem a vontade popular, afirmando que celebrar abril é escolher um país mais justo, competitivo, seguro e próximo dos cidadãos, onde o trabalho compensa e os jovens têm futuro. lazalde Martins CDS/PP O CDS de Fafe assinalou o 25 de Abril sublinhando que a democracia portuguesa não resultou apenas da queda do regime autoritário, mas também da defesa, no 25 de Novembro, de um modelo plural, europeu e humanista. lazalde Martins defendeu que a liberdade só se concretiza plenamente quando existem condições reais de mérito, educação, saúde e oportunidades económicas, alertando para os desafios que afetam os jovens, desde a necessidade de habitação acessível à criação de condições para fixar talento no concelho. Afirmou ainda que a celebração de abril deve ser um compromisso renovado com a democracia e não um exercício de nostalgia. A estrutura local apelou à participação ativa da juventude na vida cívica e política, defendendo que a vitalidade democrática depende do envolvimento nas empresas, instituições, associações e autarquias. Nuno Vasco Lopes . PSD Nuno Vasco Lopes recordou que o 25 de Abril marcou uma rutura moral na história de Portugal, devolvendo liberdade, direitos e esperança a um país que vivia no medo e na censura. Filho da ditadura, mas educado em” democracia, partilhou como cresceu a ouvir relatos de silêncio e limitações, enquanto assistia à transformação do país: abertura à Europa, melhoria das infraestruturas, expansão da educação, consolidação do SNS e criação de mobilidade social. Conquistas que permitiram que a sua geração acreditasse num futuro melhor do que o dos seus pais. Defendeu, porém, que a democracia não é automática nem garantida, alertando para novos riscos como a desinformação, o populismo e o afastamento dos cidadãos. Con-cluiu que liberdade, pluralismo e responsabilidade política são compromissos permanentes, e que honrar Abril exige continuar a construir o futuro todos os dias, garantindo que as próximas gerações não conhecem O retrocesso. Lurdes Freitas PS Lurdes Freitas, autarca do PS, recordou a sua infância antes do 25 de Abril, marcada pela pobreza, pela ausência de infraestruturas e por desigualdades profundas, incluindo a separação entre rapazes e raparigas na escola e a emigração forçada do pai. A Revolução dos Cravos, lembrou, surgiu como o momento que transformou o país e abriu portas à liberdade, à igualdade e ao progresso, permitindo que mulheres pudessem ocupar cargos de liderança que antes Ihes estavam vedados. Disse que a democracia exige memória e que os avanços alcançados, desde melhores condições de vida até maior participação cívica, resultam do esforço coletivo de quem lutou contra a ditadura. Destacou o papel das mulheres na construção da democracia e a necessidade de continuar a combater desigualdades, lembrando que, mesmo 50 anos após as primeiras eleições, a representação feminina em cargos políticos continua reduzida. Comemorações a0 longo do dia As celebrações começaram às 09h30 com o hastear da bandeira nacional e prosseguiram com a homenagem aos ex-combatentes, A programação estendeu-se pela tarde com o concerto “A Mulher é uma Arma”, que juntou em palCO Lena dâgua, Joana Amendoeira, lolanda, Luanda Cozetti, Viviane, Pa-trícia Antunes, Patrícia Silveira e Rita Laranjeira, num espetáculo que celebrou a liberdade e que merecia ter tido mãis público. â noite, o Teatro-Cinema de Fafe recebeu o espetáculo “ Em Casa d Amália”, com a participação de Jorge Fernando, Lenita Gentil, FF, André Amaro, José Manuel Neto e Custódio Castelo. Elsa Lima