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NOVO PRESIDENTE QUER ULS DE COIMBRA MAIS MODERNA

Diário As Beiras

2026-05-04 21:09:07

tema do tia Francisco Maio Matos, presidente da ULS de Coimbra "Estamos aronstruir uma ULS mais moderna, nais integrada eeecnooticamente Mais LUULTE avaçuaf ZWHEEHU Francisco Maio Matos assume a liderança da ULS de Coimbra com um diagnóstico claro: listas de espera expressivas, escassez de profissionais, infraestruturas a precisar de modernização e um contexto orçamental exigente. Mas é também com determinação que traça o caminho , robótica cirúrgica, transformação digital, uma nova maternidade e a construção do primeiro silo de estacionamento nos HUC ainda este ano. Para o novo presidente do conselho de administração, o objetivo é um só: fazer da ULS de Coimbra uma referência nacional na qualidade, integração de cuidados e inovação académica. Assume funções numa fase exigente para 0 SNS. 0 que 0 motivou a aceitar este desafio? Assumo funções movido por um forte sentido de serviço público e pela consciência de que estamos numa fase decisiva para o futuro do SNS. O modelo das ULS exige uma liderança próxima, consistente e orientada para resultados concretos e vejo esta função como uma oportunidade de contribuir ativamente para transformar boas ideias em prática efetiva. A ULS de Coimbra tem um potencial humano, técnico e científico absolutamente notável, que importa valorizar para alavancar o futuro. Temos uma base sólida para evoluir, inovar e reforçar a integração de cuidados, com impacto real na vida das pessoas. Com visão, estabilidade e trabalho em equipa, em constante artioet culação com os nossos parceiros e comunidade, vamos fazer da ULS de Coimbra uma referência na qualidade e integração de cuidados e na inovação académica no SNS. Quais são os principais desafios herdados? Herdámos desafios significativos, que exigem resposta consistente. Há uma pressão assistencial muito elevada, listas de espera ainda expressivas e uma exigência permanente sobre a capacidade de resposta dos serviços. Há escassez de profissionais em áreas críticas e um desgaste acumulado das equipas, que requer medidas concretas de valorização, retenção e reorganização do trabalho. Temos infraestruturas a precisar de modernização e, em alguns casos, de uma reestruturação funcional que permita maior eficiência e melhores condições. A ULS de Coimbra abrange 21 concelhos, O que acrescenta complexidade à gestão e reforça a necessidade de garantir equidade no acesso e proximidade de cuidados. E não podemos ignorar o contexto financeiro exigente, com constrangimentos relevantes no exercício orçamental de 2026, que obriga a uma gestão rigorosa, eficiente e orientada para a sustentabilidade. Quais são as três prioridades estratégicas para este mandato? As prioridades são claras. Para além da obra da maternidade, valorizar os profissionais e dar resposta efetiva a utentes e famílias. ê fundamental concretizar o nosso projeto maternoinfantil e reforçar as condições de mobilidade nas zonas envolventes às unidades de saúde. Queremos fixar e cuidar dos nossos profissionais, garantindo ambientes de trabalho seguros, motivadores e respeitadores, com pessoas reconhecidas, parte ativa de um projeto com propósito. ê também crucial recentrar na excelência assistencial, que integra várias dimensões fundamentais: a redução sustentada das listas de espera, o reforço das respostas de proximidade e da articulação entre cuidados, e uma aposta clara na inovação. Isso inclui a transformação digital, a incorporação de novas tecnologias, como a robótica e o desenvolvimento de novos modelos assistenciais, suportados por uma gestão baseada em dados, resultados e na criação de valor em Saúde. Estas prioridades estão interligadas, num objetivo comum: prestar melhores cuidados, com maior eficiência e centrados nas pessoas. Há decisões impopulares que já sabe que terá de tomar? Haverá, certamente, decisões difíceis e nem sempre populares. Liderar implica, por vezes, tomar opções que exigem mudança e adaptação. Será necessário avançar com a reorganização de serviços e de percursos assistenciais, para melhorar a resposta aos utentes. A mudança implica rever práticas e alterar rotinas antigas, colocando a eficiência e a qualidade no centro das decisões. Faremos esse caminho com transparência, em diálogo com os profissionais e garantindo que todas as decisões são tecnicamente fundamentadas e orientadas para o interesse dos cidadãos. Não prometemos decisões fáceis, prometemos decisões responsaveis, sustentadas e focadas em prestar melhores cuidados. Que metas concretas vai estabelecer para reduzir as listas de espera? A redução dos tempos de espera é prioritária e exige uma abordagem rigorosa, com metas realistas, mensuráveis e faseadas no tempo. A prioridade são as especialidades e serviços onde o impacto clínico e social é maior. Paralelamente, estamos a trabalhar na reorganização de agendas, na contratualização interna e na utilização da tecnologia para aumentar a capacidade de resposta e reduzir ineficiências. Um eixo fundamental é o reforço da articulação entre níveis de cuidados, melhorando a referenciação e garantindo que cada utente é encaminhado para a resposta mais adequada através de percursos clínicos integrados, alicerçados nos cuidados de saúde primários. Foram criados canais diretos, para resposta à doença aguda que queremos reforçar, que permitem resolver agravamentos da situação clínica, sem necessidade de encaminhamento para o hospital. Todo este processo será monitorizado de uma forma regular e transparente, porque só com dados e avaliação contínua é possível garantir melhoria efetiva e sustentada. Há planos concretos para reorganização de serviços? Há planos concretos e em curso. Queremos concluir o novo Regulamento Interno ainda no primeiro semestre de 2026, criando u m enquadramento claro para uma organização mais eficiente e alinhada com as necessidades atuais. A reorganização dos serviços será orientada por critérios objetivos, como a abrangência assistencial, a qualidade clínica e a segurança do doente. Vamos garantir que os recursos são utilizados de forma mais eficiente, evitando duplicações e melhorando os circuitos do utente. ê u m processo de gestão, com envolvimento dos profissionais, uma vez que são eles quem melhor conhece a realidade no terreno, e têm um papel essencial na implementação das mudanças. Já demos passos importantes com a reorganização dos departamentos e a ativação das comunidades integradas de saúde, promovendo uma gestão mais próxima, mais alinhada e mais orientada para os objetivos. ê esse caminho que queremos consolidar, com uma estrutura mais ágil, mais integrada e focada na prestação de melhores cuidados. Que aposta fará na robótica ena inovação tecnológica na ULS e que impacto espera que tenham nos cuidados prestados? A aposta na robótica e na inovação tecnológica na ULS de Coimbra faz parte de uma visão mais ampla de transformação dos cuidados de saúde. A robótica cirúrgica é uma componente importante, mas não esgota esta estratégia. A transformação digital vai estar ao serviço de três objetivos: melhorar o acesso, reforçar a qualidade e aumentar a segurança dos cuidados. A tecnologia não é um fim em si mesmo, é um meio para servir melhor os doentes e apoiar os profissionais. O impacto serão melhores resultados clíni-Cos, maior eficiência na utilização dos recursos e melhores condições de trabalho para as equipas, com processos mais seguros e mais previsíveis. Desde o início do mandato, demos já passos muito significativos nesta área: adquirimos um robot cirúrgico e um sistema de neuronavegação para a especialidade de otorrinolaringologia e estamos atualmente em fase de aquisição de dois novos robôs cirúrgicos. Paralelamente, estamos a modernizar a tecnologia na área da Imagiologia, com a aquisição de novos equipamentos. E esta estratégia não se limita ao hospital, estamos também a investir nos CSP, dotando centros de saúde de maior autonomia, nomeadamente através da capacidade de reali-zação de análises clínicas e radiografias, aproximando diagnósticos das populações. Estamos a construir uma ULS mais moderna, mais integrada e tecnologicamente mais avançada, que traduza a inovação em melhores cuidados. tema do tia Francisco Maio Matos, presidente da ULS de Coimbra # Inovação e proximidade são chave para responder às assimetrias no território A ULS abrange 21 concelhos da região Centro. Que municípios necessitam de maior reforço de serviços de saúde? Cobrimos um território muito vasto, com realidades distintas em termos de acesso e necessidades de saúde. A maior pressão sente-se nos concelhos mais periféricos e com maior envelhecimento, onde o desafio é garantir proximidade e continuidade de cuidados, mesmo em contextos de escassez de profissionais. A resposta não é a uniformização cega, mas uma aposta clara na equidade territorial, o que implica adaptar as soluções às realidades locais. Um eixo fundamental é a inovação tecnológica, com monitorização remota e soluções digitais que permitam acompanhar os doentes perto de casa, reduzindo deslocações desnecessárias e melhorando a continuidade de cuidados. Este trabalho deve ser articulado com o modelo de comunidades integradas de saúde, lideradas por conselhos diretivos locais. Paralelamente, queremos reforçar a articulação co m a s autarquias, parceiros essenciais na organização de respostas mais ajustadas às necessidades das populações, bem como com os próprios recursos comunitários existentes. O objetivo é garantir que, independentemente do concelho onde vivem, os cidadãos tenham acesso a cuidados de saúde mais próximos, mais integrados e mais adequados às suas necessidades. Que relação espera manter com os presidentes de câmara da região e com a Universidade de Coimbra? A cooperação institucional é determinante para o sucesso da ULS de Coimbra e é nessa lógica que estamos a reforçar e a consolidar as relações com os autarcas da região e com a Universidade de Coimbra. No caso das autarquias, a articulação é reforçada com a implementação real das comunidades integradas de saúde, que permitem um trabalho mais próximo, planeamen-to conjunto e respostas ajustadas à diversidade dos territórios. A proximidade com os municípios é essencial para garantir respostas mais eficazes e centradas nas pessoas. Relativamente à Universidade de Coimbra, temos vindo a reforçar de forma muito significativa a nossa união, nomeadamente através do Centro Académico Clínico, uma colaboração fundamental nas áreas da saúde global, no ensino ba-seado em simulação e na formação dos profissionais de saúde, bem como no desenvolvimento da investigação e da inovação. Ganhamos sempre quando trabalhamos em rede, por isso, estamos a aprofundar uma relação de grande proximidade com estes parceiros. Juntos, vamos construir um ecossistema de saúde robusto na região. # Nova maternidade é estruturante mas exige articulação institucional sólida” A nova maternidade continua sem sair do papel. 0 que falta, afinal, para avançar? A nova maternidade é estruturante para a ULS de Coimbra e para a comunidade que servimos. Não é apenas uma obra, é uma resposta estratégica que combina ganhos de eficiência com a melhoria significativa da qualidade e da segurança dos cuidados materno-infantis da região. Trata-se de um projeto tecnicamente reconhecido, cuja necessidade é consensual, mas também muito complexo e exigente. Exige uma articulação institucional sólida com O Governo, mas também com a autarquia, uma vez que este investimento deve ser integrado no modelo de mobilidade e planeamento urbano. E uma prioridade clara do nosSo mandato. Temos o compromisso de o acompanhar de forma continuada e responsavel, mantendo sempre uma relação de transparência e realismo com os profissionais e com a população, explicando com rigor as etapas do processo e os constrangimentos existentes, sem perder de vista o objetivo final, que é dotar Coimbra de uma maternidade moderna, segura e ajustada às necessidades atuais e futuras. Que futuro reserva a ULS de Coimbra aos Covões? Os Covões são, e continuarão a ser, um polo estratégico e fundamental, que queremos reforçar, quer em termos de abrangência quer de inovação. Conheço bem esta realidade, pois uma parte importante do meu percurso foi no Hospital Geral (HG), como responsável pela Unidade de Cirurgia de Ambulatório e pelo Bloco Operatório, com resultados sólidos no reforço da atividade. O futuro dos Covões passa por consolidar o seu papel em áreas programadas, no ambulatório e na proximidade aos cidadãos. Estamos a trabalhar na implementação de percursos assistenciais integrados e temos projetos concretos para especialidades como Gastroenterologia, Oftalmologia e Cardiolo-gia, neste polo. Paralelamente, queremos reforçar a articulação do HG com a sua área geográfica, com os cuidados de saúde primários e com a comunidade, para uma utilização mais eficiente e ajustada às necessidades da população. O objetivo é valorizar OS Covões como um polo diferenciador da ULS, com uma resposta qualificada, acessível e cada vez mais integrada. Não resolver os problemas de mobilidade e estacionamento compromete diretamente o acesso aos cuidados. Porque é que este tema tem sido tão difícil de resolver ao longo dos anos? e quando é que os utentes e profissionais podem esperar melhorias visíveis neste domínio? E um problema estrutural e antigo, que não surgiu agora e não tem soluções simples ou imediatas. A mobilidade e o estacionamento são questões complexas, que envolvem múltiplas entidades, decisões urbanísticas e condicionantes que não dependem exclusivamente da ULS. Temos de ter consciência de que acedem ao campus hospitalar mais de 25.000 veículos por dia. Mas sabemos que este não é um tema menor. Pelo contrário, tem um impacto direto e significativo no acesso aos cuidados de saúde, tanto para utentes como para profissionais. Estamos a trabalhar de forma articulada com a Câmara Municipal de Coimbra, com a UC e com O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) para otimizar as soluções de mobilidade e reorganizar os fluxos nas áreas envolventes das nossas unidades. Um passo concreto é o início da construção do primeiro silo de estacionamento nos HUC, ainda este ano, um avanço importante na melhoria das condições de acesso. Este tema exige acompanhamento contínuo, coordenação institucional e realismo. O nosso mandato não será feito de promessas fáceis ou de meras intenções, mas sim de trabalho consistente, diálogo permanente e envolvimento dos parceiros. Primeira grande entrevista com Francisco Maio Matos Págs 4 a 7 entrevista Patrícia Cruz Almeida fotografia Ana Catarina Ferreira SS Há uma pressão assistencial muito elevada, listas de espera ainda expressivas e uma exigência permanente sobre a capacidade de resposta dos serviços SS Será necessário avançar com a reorganização de serviços e de percursos assistenciais, para melhorar a resposta aos utentes. Amudança implica rever práticas e alterar rotinas antigas, colocando a eficiência e a qualidade no centro das decisões SS 6S O futuro dos Covões passa por consolidar oseu papel em áreas programadas, no ambulatório e na proximidade aos cidadãos. (..) o objetivo é valorizar OS Covões como um polo diferenciador da ULS 6U 00 Um eixo fundamental é a inovação tecnológica, com monitorização remota e soluções digitais que permitam acompanhar os doentes perto de casa, reduzindo deslocações desnecessárias e melhorando a continuidade de cuidados. Este trabalho deve ser articulado com o modelo de comunidades integradas de saúde Francisco Maio Matos refere que a nova maternidade é estruturante para a ULS de Coimbra b.i. Francisco Maio de Matos licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 2004, realizou pós-graduação em Anestesiologia na Universidade do Porto e completou o internato de Anestesiologia no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra Em 2021, doutorou-se em Medicina pela Universidade da Beira Interior, instituição onde foi também assistente convidado na Faculdade de Ciências da Saúde Em Coimbra, foi diretor do Bloco Operatório do Hospital Geral, coordenador da Unidade de Cirurgia de Ambulatório e diretor do Serviço de Anestesiologia E professor auxiliar na Faculdade de Medicina da Univarcidada de Cnimhra A nível internacional, destacou-se como presidente da Society for Simulation in Europe entre 2021 e 2024. Foi reconhecido como um dos 40 Líderes do Futuro pelo Fórum de Administradores de Empresas em 2017 e 2018 Sucede a Alexandre Lourenço na liderança de uma das maiores unidades de saúde do país. após nomeação aprovada em Conselho de Ministros em janeiro de 2026 A nova equipa de vogais executivos que acompanha Francisco Maio Matos integra Natália António, que assume funções de diretora clínica, Inês Rosendo Carvalho e Silva, Carlos Santos antigo presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) , Célia Cravo e António Marques, enfermeiro