PRIMEIRA FÁBRICA DE SATÉLITES ÓTICOS DE PORTUGAL NASCE EM GUIMARÃES
2026-05-04 21:09:09

Fábrica do Alto vai acolher uma fábrica de satélites Foto: Direitos Reservados CEiiA instala unidade destinada a reforçar o setor aeroespacial português. Projeto deverá estar em operação dentro de seis meses. "É uma transformação que se ambiciona". É desta forma que o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, classifica a instalação de uma unidade de produção e testes de satélites óticos na Fábrica do Alto, em Pevidém, Guimarães. Um projeto liderado pelo CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em parceria com a Câmara de Guimarães, e que vai reforçar o setor aeroespacial do país. O governante marcou presença, ontem, na cerimónia de assinatura do contrato de comodato entre a câmara e o CEiiA. Na ocasião, João Rui Ferreira salientou que este é "um projeto vanguardista e exemplar", que vai permitir "produzir produtos de alto valor acrescentado, associados a alguns dos maiores parceiros globais no Mundo, que liga soberania, conhecimento, desenvolvimento tecnológico e sobretudo o crescimento nas cadeias de valor, e onde a Europa representa ainda pouco daquilo que é o ecossistema global". O secretário de Estado destacou, ainda, a ambição do projeto, felicitando a Câmara de Guimarães e o CEiiA pela "dinâmica que é transformadora, de coragem, de ambição, de respeito pelo passado e muito orgulho pela história", sem deixar de olhar para o futuro, "porque há sempre uma coisa garantida: se não se fizer nada, não há risco". O objetivo é que, dentro de seis meses, a fábrica possa estar em operação. A meta foi traçada pelo CEO do CEiiA, José Rui Felizardo, que acrescentou que "a missão passa por conseguir construir, a partir de Guimarães, cadeias de fornecimento estruturadas, completas, em que o nível de incorporação nacional possa ultrapassar os 20%, para já, em 2026, e atingir mais de 60% em 2040". Além da Câmara de Guimarães e do Governo, o projeto conta também com o apoio da Força Aérea, algo que, nas palavras do CEO do CEiiA, "tem sido fundamental, com todo o alinhamento que tem sido necessário, porque realmente o mercado da área do espaço é somente o mercado da área da defesa, e para isso são necessários termos os players da área da defesa". "Berço da inovação" O presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, vê a instalação desta unidade de produção e testes de satélites óticos no território vimaranense como uma demonstração da "capacidade de Guimarães, com a sua história, continuar a olhar para o futuro". É a concretização de uma visão para o concelho, "com ambição de transformar Guimarães, que é berço da nação, no berço da inovação, com forte dinâmica industrial, sobretudo em novos setores de atividade". Ricardo Araújo destacou também o carácter simbólico da reconversão da antiga Fábrica do Alto, anteriormente voltada para o têxtil, inserida num "território onde houve trabalho, indústria e capacidade transformadora", e que passa agora a acolher "tecnologia avançada, engenharia, inovação e novas oportunidades para jovens, para as indústrias e para o concelho". "Guimarães está na linha da frente, na vanguarda, de uma aposta que também é nacional, que o Governo e o país estão a fazer no setor aeroespacial", concluiu o autarca. Saber mais Equipamentos A unidade vai produzir satélites com cerca de três metros de largura, que pesam perto de 380 quilos. Contará com uma área total de 1700 metros quadrados, com pelo menos 540 metros quadrados de área de sala limpa. Será dotada de vários equipamentos de testes para vibrações, simulação de ambiente espacial, compatibilidade eletromagnética. Missão A unidade será dedicada ao desenvolvimento de satélites óticos de alta resolução, uma tecnologia com aplicações na observação da Terra, monitorização ambiental, gestão de riscos e apoio ao planeamento urbano. Um setor considerado estratégico a nível europeu, e que integra a Estratégia Nacional para o Espaço. Filipa Carvalho