ELÉTRICOS: RITMO DE DEGRADAÇÃO DAS BATERIAS - LONGEVIDADE SURPREENDENTE
2026-05-04 21:09:10

Dois estudos sobre a rapidez de degradação das baterias dos automóveis elétricos, um canadiano, outro francês, produziram resultados surpreendentes. A longevidade do componente mais importante destes carros é muito maior do que o esperado. Assim, derruba-se barreira psicológica à adoção da tecnologia. Amobilidade elétrica, durante anos, confrontou-se com dúvidas que abrandaram o ritmo de adoção da tecnologia na origem da mudança no paradigma dominante no automóvel, devido à desconfiança sobre a rapidez de degradação das baterias, mas dois estudos apresentam resultados que acabam com as desconfianças dos consumidores: ambas as investigações concluem que a longevidade é bem maior do que esperado! A Geotab, companhia canadiana do ramo da telemática com muita experiência na monitorização (em tempo real) de frotas de automóveis, observou, com o apoio de painel de especialistas, 24.000 baterias de carros elétricos com mais de seis anos ou 160.000 km. Em contraste com a perceção pública da degradação rápida deste componente tão importante, as capacidades operacionais continuavam acima de 900%, maioritariamente. ? este resultado também confirma o potencial económico da tecnologia a longo prazo. A degradação da bateria apresentava-se como barreira psicológica à aquisição de carro elétrico, com os consumidores a temerem tanto a desvalorização rápida dos automóveis, como a necessidade de reparação dispendiosa no componente mais caro dos automóveis a tecnologia (corresponde a 25% a 40% do montante pago na compra, dependendo dos modelos). Segundo este estudo, são preocupações sem fundamento estatístico. De acordo com os responsáveis da investigação, a degradação observada fixou-se numa média anual de apenas 1,8%! Trata-se de ritmo de perda de capacidade que permite antecipar carros elétricos com vidas úteis que superam, facilmente, os 12 a 15 anos. Depois, sim, a redução na autonomia compromete, verdadeiramente, a utilização diária do automóvel. E, aqui, vida útil representa apenas o momento em que a capacidade de armazenamento de energia baixa para 70% a 80% e não o fim da bateria, que mantém qualidades suficientes para utilização noutras aplicações (Second Life). O trabalho da Geotab também destaca a importância da gestão térmica na saúde das células. Nas baterias com sistemas de refrigeração líquida, degradação muito mais reduzida do que nas baterias com sistemas de refrigeração por ar dos carros mais antigos (ou económicos). Este resultado confirma a importância do controlo da temperatura = e a indústria aprendeu que calor excessivo é inimigo químico dos iões de lítio e, por isso, adotou tecnologias que corrigiram (e eliminaram!) os erros do passado. Finalmente, os resultados da investigação também contrariam a crença de que os carregamentos rápidos frequentes aumentam o ritmo de degradação das baterias. Os números do estudo confirmam que a corrente contínua tem impactos maiores do que a corrente alternada, mas as diferenças são muito pouco expressivas, uma vez que os carros elétricos modernos dispõem de sistemas eletrónicos que gerem muito bem tanto as temperaturas, como os picos de tensão. ê por tudo isto que os fabricantes, por disporem de dados internas que garantem margens de segurança muito amplas, propõem garantias cada vez mais extensas (8 anos/160.000 km, na maioria dos carros). Os impactos no mercado de usados também são positivos, já que automóvel com esta tecnologia é, potencialmente, compra boa durante muito mais tempo. Em França, conclusões iguais A Arval, filial do banco BNP Paribas especializada nos alugueres de longa duração (ALD), também realizou estudo sobre os estados de saúde (SoH) das baterias dos carros elétricos e híbridos Plug-In (PHEV). Objetivo: compreender a velocidade de degradação e, consequentemente, a perda de capacidade (e autonomia). Também nesta investigação, resultados muito tranquilizadores, mesmo alertando-se para a necessidade de análise ao componente tão importante na compra de carro usado. Neste estudo. analisaram-se 8300 carros e 24.000 certificados de SoH, que foram emitidos para automóveis comprados entre março de 2023 e setembro de 2025. A conclusão é taxativa: a degradação das baterias é mais lenta e progressiva do que o previsto: redução de 1% de capacidade a cada 25.000 km e manutenção de 93% do armazenamento aos 70.000 km, e mais de 90% após 6 anos/160.000 km. A norma Euro 7, recorde-se, impõe “mínimos” restritivos, que as marcas já estão a cumprir: manutenção de 80% da capacidade aos 5 anos/100.000 km (75% para os comerciais ligeiros) e 72% aos 8 anos/160.000 km (67%). Estudo JOSÉ CAETANO