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GUIMARÃES NÃO ESPERA PELO FUTURO MAS FABRICA-O

Jornal de Notícias Online

2026-05-04 21:09:10

Guimarães nunca aceitou uma geografia menor. Não a aceitou quando foi origem fundadora de Portugal. Não a aceitará agora, quando Portugal tem de escolher se quer apenas consumir tecnologia ou também produzi-la. A instalação, na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, da primeira unidade de produção e teste de satélites óticos em Portugal deve ser lida nesta dimensão. É um relevante investimento estratégico local com interesse tecnológico. É uma decisão nacional com morada vimaranense. A Câmara Municipal que lidero assumiu perante os vimaranenses um compromisso claro: cumprir e transformar. Cumprir o contrato de confiança estabelecido com as pessoas. Transformar Guimarães num território mais competitivo, mais qualificado, mais coeso e mais preparado para disputar as economias que contam. Esta unidade é uma das expressões mais claras e exigentes dessa visão. Estamos a transformar património industrial em capacidade tecnológica; a transformar uma antiga fábrica num instrumento de futuro; a transformar Pevidém e Guimarães num ponto muito relevante da economia do espaço.A Fábrica do Alto pertence a uma memória de trabalho, de indústria e de comunidade. Agora, mudámos a escala e temos novo horizonte. Onde antes se fabricavam produtos da economia industrial clássica, vão agora nascer satélites óticos capazes de observar a Terra, produzir dados, apoiar decisões públicas, servir a proteção civil, o ambiente, a agricultura, o ordenamento do território, a segurança e a investigação. A economia do espaço é hoje uma infraestrutura crítica da soberania contemporânea. Quem observa melhor decide melhor. Quem domina tecnologia e inovação depende menos.Por isso, este projeto interessa tanto a Guimarães quanto ao país. Precisamos de indústria qualificada, de ciência aplicada, de empresas integradas em cadeias internacionais e de territórios que recusem a resignação. Precisamos de tratar a inovação como capacidade instalada. O acordo com o CEIIA, no quadro do Guimarães Space Hub e em articulação com a Universidade do Minho, junta precisamente o que mais importa, a formação avançada, investigação aplicada e industrialização. Para os Vimaranenses, esta conquista significa novas oportunidades para jovens qualificados. Significa atrair empresas, investimento e talento. Significa diversificar a base económica do concelho sem negar a sua identidade produtiva. Significa dizer a Guimarães que o futuro não está noutro lugar, mas aqui. Um Município existe também para abrir novas possibilidades. Para criar as condições que permitem a uma comunidade subir de patamar. Foi isso que fizemos. Identificámos uma oportunidade, mobilizámos parceiros, tomámos decisões e colocámos Guimarães numa área absolutamente estratégica para Portugal. O futuro não se anuncia. Conquista-se. E Guimarães está a conquistá-lo. Ricardo Araújo