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FERNANDO SANTOS: AS PESSOAS JÁ QUASE NÃO LÊEM

Correio da Linha Online (O)

2026-05-04 21:09:10

Já com dois livros no activo, O Peixe de Ferro (2021), que relata a arriscada vida dentro de um submarino, e Navio de Guerra (2023), que recorda duras experiências vividas a bordo de um vaso de guerra da Marinha Portuguesa, Fernando Jorge P. Leite Santos regressa agora com uma nova proposta de leitura: Liberdade de Expressão . Nesta terceira obra, o autor, antigo militar que ingressou como voluntário na Marinha em 1974, aos 16 anos de idade, reúne uma colectânea de artigos de opinião, histórias de vida, reflexões, textos publicados na Imprensa, denúncias sobre a sociedade, o Estado, políticos, governantes e o Serviço Nacional de Saúde, entre outros temas. O jornal O Correio da Linha esteve mais uma vez à conversa com Fernando Santos, que tem optado por publicar os seus livros de forma totalmente independente, por conta própria, com edições exclusivas online cedidas aos leitores em formato PDF, através do contacto: fernandosantos.mte@hotmail.com Tal como já aconteceu com as duas primeiras obras, o autor, de 68 anos, apaixonado confesso por Cascais, explica que também este terceiro livro pode ser lido num tablet, computador ou smartphone, ou até mesmo impresso num centro de cópias, podendo ser obtido em formato aproximado de um clássico livro em papel, em tamanho A5.  RECORDAR EXPERIÊNCIAS MARCANTES Jornal O Correio da Linha (CL) , O que pode adiantar sobre este novo livro? Fernando Santos (FS) , Este livro tem textos sobre o governo, denúncias do Serviço Nacional de Saúde, retalhos de coisas do meu segundo livro, Navio de Guerra , que achei interessante incluir e outros textos que tenho vindo a escrever incluídos em outros projectos.  Também recordo algumas experiências marcantes que vivi durante trabalhos de voluntariado realizados em Tomar, onde estou a residir actualmente, e recupero ainda excertos de um livrinho de leitura motivacional que escrevi para os doentes quando trabalhei no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão. CL , É, portanto, um livro de vivências pessoais muito marcantes? FS , É uma miscelânea de várias coisas. No conjunto, penso que será agradável de ler. Hoje, já ninguém gosta de literaturas pesadas nem de escritas muito eruditas. As pessoas já quase não lêem ! Assim, este livro talvez seja uma coisa descontraída, mais digerível para o comum cidadão. E lê-se de uma pernada. CL , Voltou a optar por um livro de produção independente com edição exclusiva online, que divulga através dos media e das redes sociais FS , As minhas obras não passam por intermediários , podendo ser pedidas directamente pelos interessados através do email fernandosantos.mte@hotmail.com CL , Qual o valor a pagar por esta edição independente? FS , O preço é sempre decidido pelo leitor, que pode defini-lo de sua livre e espontânea vontade. Para isso, é disponibilizado um IBAN no Prefácio/Notas do Autor . Se o leitor decidir não atribuir qualquer valor, lê o livro à mesma de graça. Eu defendo sempre que ninguém deve pagar pelo que não gostou, se for o caso. “NUNCA ESTOU SATISFEITO” CL , Como costuma trabalhar os seus livros? FS , Primeiro, costumo fazer um esboço do grosso do livro em papel. Depois, ao computador, vou introduzindo capítulos, nem sempre pela ordem correcta e sem muito pormenor de escrita, mas sempre com a cábula em papel ao lado. Mais tarde, vou ordenando as coisas, procurando eliminar erros e limar pormenores. Quando me agarro a um livro, escrevo duas a três horas no período da manhã e trabalho mais duas a três horas depois do almoço. Como nunca estou satisfeito com o que produzo, costumo cortar, alterar e emendar muita coisa. Um livro não se escreve em 15 dias, leva meses, por vezes muitos. O Peixe de Ferro , por exemplo, foi escrito ao longo de seis meses. CL , Há um artigo neste terceiro livro em que se assume como motard. Que lugar têm as motas na sua vida? FS , Comecei a andar de mota em 1980, numa Casal K 276, de 125cc, ainda antes de ter carta. Na segunda metade dos anos 1980, na liberdade da vida civil, viajei muito de mota, quase sempre sozinho. Fui descobrir o que ainda não conhecia. Primeiro Portugal. Em várias viagens realizadas rodei cerca de 16 mil quilómetros. Posso dizer que cobri todo o País, de Norte a Sul, Beiras, Litoral, Interior profundo. Partia sempre de Oeiras, onde vivia na altura. Mais tarde, aventurei-me além-fronteiras. Entre 1988 e 1990, em três grandes viagens, fui a Espanha, Marrocos, Principado de Andorra, França, Itália, Principado do Mónaco e Suíça, sempre sozinho. Viajar de mota nos anos 1980 não era como hoje. À época, não havia telemóveis nem GPS mas havia a maluquice da juventude, um mapa em papel fixado dentro de um saco preso ao depósito da mota e fé em Deus.  Na segunda metade dos anos 1990, fundei e dirigi, durante três anos, o grupo motard As Cromadinhas . Aos sábados, juntava-se muita gente no café Os Morgadinhos , na extinta Praça de Touros de Cascais. Ao fim da tarde, fazíamos sempre uma passeata em grupo por Sintra, Mafra, Ericeira, Costa da Caparica, Setúbal, Sesimbra, Lisboa, etc. Todos os meses, organizávamos um passeio grande, que durava um dia inteiro.  Actualmente, ainda uso as duas rodas. Tenho uma scooter Sym Cruisym 300, que adquiri em 2021, e que já me levou em longas viagens através do Alentejo e da Região Centro. Por vezes, faço 300 quilómetros em estradas nacionais sem parar uma única vez. Já não tenho a mesma febre das motas de antigamente, mas enquanto esta scooter durar ainda vou andando umas coisas.  “JÁ FUI ALVO DE ALGUNS MILAGRES ” CL , A Religião é outro tema que surge em vários capítulos de Liberdade de Expressão . É uma pessoa crente? FS , Em 24 de Outubro de 2020, ocorreu uma mudança significativa na minha vida que considero ter sido um chamamento a Fátima . Daí para cá, mudei muito e muita coisa mudou em mim. Acho que não podemos ser só carne e osso, que há outro (ou outros) mundos para além deste que conhecemos. Actualmente, estou mesmo a escrever um livro sobre isso, intitulado Pecado e Redenção . Passei a acreditar na dimensão metafísica (o que está para além da física). Tem de haver mais qualquer coisa para além da morte puramente física. Li, interessei-me por literatura religiosa, pesquisei e descobri coisas assombrosas sobre a vida de vários santos. O Padre Pio é um deles. Dificilmente uma pessoa lê Um Santo Entre Nós , de Renzo Allegri, e continua indiferente à figura do Padre Pio. Há ali coisas de arrepiar Também temos uma santa portuguesa, santa Alexandrina, a santinha de Balazar (1904-1955), que esteve acamada durante 30 anos, sendo que nos últimos 13 foi alimentada apenas com hóstias. Sujeita a vários exames médicos e alvo de vigilância permanente 24 horas ao dia, não encontraram qualquer explicação científica para que tivesse conseguido sobreviver dessa forma durante tanto tempo. Pessoalmente, no que me diz mais directamente respeito, venho registando estranhas coincidências que passaram a acontecer-me a partir do tal chamamento a Fátima e da minha conversão à Fé Católica, em 2020. Posso dizer que já fui alvo de alguns milagres , tal é a improbabilidade de certas coisas que me têm acontecido. Neste meu terceiro livro revelo algumas coisas sobre este tema. CL , Já referiu ter vivido em Oeiras e Cascais. De momento, está a residir em Tomar. É para sempre ou é mais um percurso de vida? FS , Nasci em Lisboa, que era onde quase toda a gente nascia, na Maternidade Alfredo da Costa. Vivi na margem Sul do Tejo, em Almada, até aos 10 anos de idade. No entanto, as férias da escola, Carnaval, Páscoa, Natal, férias grandes, eram todas passadas em Cascais, em casa de uma tia e de uma avó, o que eu adorava devido à liberdade que tinha. Em 1970, o meu pai conseguiu construir uma casa no Estoril e mudámo-nos para lá. Deixámos o terceiro andar alugado em Almada, de que nunca tive saudades. Foi a minha alegria e, também, a minha perdição. Apanhei-me com tanto campo (à época) e praia todos os dias, que descurei os estudos no Liceu de S. João do Estoril. Faltava às aulas para ir para a praia da Azarujinha, até que acabei por entrar na Marinha como voluntário em 1974. Na segunda metade dos anos 1980, vivi durante cinco anos em Oeiras, com uma companheira da altura. Terminada a relação, retornei ao Estoril. Em 2018, a minha vida conheceu outros destinos e foi uma roda-viva que nunca mais parou. Vivi em vários locais da região de Lisboa, nomeadamente em Queluz, S. João do Estoril, Alapraia, Manique, Alcoitão até mudar radicalmente e assentar raízes em Corvos, no concelho de Mértola, no Baixo Alentejo, durante cerca de nove meses. No Verão de 2024, acabei por regressar a S. João do Estoril, desta vez para viver na aldeia da Galiza. Seguiu-se, mais uma vez, uma nova mudança radical na minha vida. Fui viver para Tomar, terra da minha actual companheira, que é onde ainda estou. Contudo, devo dizer que nunca me senti integrado na comunidade tomarense, nem acho que as pessoas de Tomar sejam como as que conheci no Alentejo, que ainda hoje vou visitar. Este ano, estou a pensar seriamente em regressar às minhas origens, assim Deus me ajude. Como sou crente, rezo e peço para que isso aconteça. Já ocorreu tanto milagre na minha vida, que era mais um. Tenho o desejo de voltar ao concelho de Cascais, onde vivi mais de 50 anos. Quero ver se é aí que estacionarei de vez e acabarei os meus dias. Confesso que tenho saudades de Cascais e do Estoril. Autor: Luís Curado