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OU HÁ ACORDO NA CONCERTAÇÃO OU PODE FICAR TUDO NA MESMA

Observador Online

2026-05-04 21:09:10

Escolhido por Seguro para coordenar Pacto na Saúde, Adalberto Campos Fernandes acredita que conseguirá promover consensos. Avisa que, sem acordo, legislação laboral pode "ficar como está". Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Conosco hoje temos Adalberto Campos Fernandes. Foi Ministro da Saúde, recentemente foi nomeado coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde. Também esteve bastante envolvido aqui na Rádio Observador, num programa que tínhamos durante as presidenciais, numa altura em que se calhar o atual Presidente da República não tinha tantos apoiantes assim ou pelo menos não eram tão visíveis. Foi agora nomeado precisamente pelo presidente como coordenador do Pacto Estratégico para a Saúde. No atual quadro parlamentar, esta não é uma missão impossível, conseguir um acordo político numa área tão sensível, com tantos problemas. Eu sei que não vai com detalhe, mas queria que genericamente falasse. Bom dia, muito obrigado pelo convite. Eu tenho um compromisso que já vos transmiti, de que não vou entrar em grandes detalhes sobre aquilo que vamos fazer, porque talvez seja esse o segredo principal de nós podermos ir até algum sucesso. É não estarmos agora a dizer em público aquilo que procuramos fazer. Agora, a diversidade democrática existe hoje como existirá sempre e existiu na confrontação entre os partidos, as propostas e as ideias, mas a vida também nos tem mostrado que o confronto pode perfeitamente conviver com o acordo. E do desacordo pode surgir uma ideia comum. E nós temos seguramente em Portugal, não apenas na saúde, mas em muitas outras áreas, temos ideias que unem a sociedade. Agora, repare, se me pergunta se eu acredito em consensos absolutos, 100%, poderá haver uma, duas coisas ou três. O que pode haver é consensos muito alargados em muita coisa e esse é o caminho que nós perseguimos, não apenas na saúde, mas eu acho que devíamos perseguir nas restantes áreas setoriais, porque menos ruído e menos diferenças que muitas vezes são artificiais e pensar mais nos objetivos, que é, no final do dia, o que nós vamos deixar, que país vamos deixar para os nossos filhos. E vai trabalhar nisto numa base quotidiana, ou seja, vai falar com pessoas, e a ideia é seguir o estilo do presidente, ser tudo mais reservado e não publicitar esses encontros? Se repara, eu vou ser fiel, por um lado, àquilo que o Presidente da República, enquanto candidato, disse durante a campanha, depois enquanto presidente, já disse em duas ou três intervenções públicas, inclusivamente no 25 de Abril, e naturalmente que eu entendo que a reserva, para quem procura promover acordos ou entendimentos entre partes, a reserva é um ingrediente essencial. Nós falamos do que fizemos, nunca devemos falar daquilo que vamos fazer. Falando especificamente sobre si. O fato de ter sido ministro de um governo PS não pode complicar esta tarefa, principalmente, por exemplo, de um maior ceticismo por parte do PSD, talvez não, mas até do Chega, não pode acontecer? Sabe, uma das vantagens que a passagem do tempo tem e a idade tem, é que nós ficamos com o escrutínio e com a nossa vida exposta. E, portanto, eu acho que ter sido alguma coisa na vida não é nenhuma circunstância que cadastre, que tenta ser currículo, e se há pessoa que independentemente de ter exercido funções num governo do partido, pensa pela sua cabeça, julgo que me farão essa justiça, eu não tenho nenhuma obediência a não ser a obediência essencial à minha consciência. Naturalmente, tenho o meu quadro de valores. E o meu quadro de valores enquadra-se, se calhar, em áreas no partido que eu sou originário, o Partido Socialista, como o Partido Social-Democrata e tantos outros, onde há valores, eu estou e, portanto, não será por isso que nós estaremos desalinhados. No dia em que foi anunciada a escolha, creio que até estava num evento onde também estaria Pedro Passos Coelho, não tenho a certeza disso. Estavam lá os jornalistas e foi logo apanhado, inclusivamente pelo jornalista do Observador local, e fez uma breve declaração. Mas há uma frase que diz que é que não há partidos de primeira e partidos de segunda. No atual contexto, um partido, por exemplo, como o Chega, estou a dizer porque PS e PSD já têm um património, um histórico de se encontrarem para grandes questões estruturais. Esse terceiro partido com a dimensão que tem, não deve ser ignorado? Agradeço-lhe ter feito a referência a esse almoço, um almoço extraordinário, com quase 200 pessoas e o seu colega ou a sua colega que lá estava, tiveram a ocasião de ver que na sala estavam pessoas de todos os quadrantes políticos. Não estava apenas o doutor Pedro Passos Coelho, estava muita gente do Partido Socialista, de outros partidos mais à esquerda, mais à direita, muitos deputados. E, portanto, isso significa que as pessoas, quando discutem temas fora daquilo que é o ardor da ação política, podem estar juntos. Quanto à questão do Chega e esta ideia de partidos de primeira e de segunda, repare, um democrata não pode ser democrata em dias alternados. Eu posso ficar desagradado com aquilo que, por exemplo, se passa hoje na cena internacional, com o presidente norte-americano e com a sua disforia. Posso ficar encantado como fiquei com o discurso do rei Carlos III em Washington. Mas o presidente norte-americano foi eleito pelos americanos e, portanto, não há cidadãos cujos votos sejam de primeira categoria ou de segunda categoria. Aos partidos que estão em desacordo com as ideias desses partidos, o que cabe não são cercas sanitárias. O que cabe são corrigir os defeitos que os eleitores percepcionam que eles têm e, naturalmente, ser naquilo que estamos a procurar perseguir com este entendimento, ser eficazes na ação política. Se os partidos tradicionais forem eficazes na ação política, por exemplo, se não forem opacos em matéria de transparência do exercício de cargos públicos, e podemos falar disso que também é matéria. Se de fato nós todos fizermos melhor, o combate é pela escolha dos eleitores. Quem está na vida partidária e na vida política tem que perceber que disputa o quê? A atenção, o respeito, a curiosidade e a vontade dos eleitores votarem em si. Não é com um ambiente de queixinhas, aquele menino é mau ou portou-se mal, é pior do que eu, que nós vamos lá. E portanto, às vezes parece que nos partidos tradicionais há uma abordagem um pouco infantil, eu diria imatura, deste processo. O Chega está aí, tem 23%. BomOs partidos do arco democrático, que se reclamam e do meu ponto de vista bem, têm que fazer pela vida para roubar desses 23%, o maior número possível de votos e reconquistar a confiança dos eleitores. Saiu do governo depois de vários braços de ferro com as finanças, até ficou famosa aquela frase do "Somos todos Centeno". Houve na altura cativações, falta de verbas para a sua área. Essa estratégia foi o início da descapitalização do SNS, com a meta do déficit a superar sempre a questão da eficiência. Eu acho que vale a pena, até pra memória futura, clarificar essa frase. Eu, aliás, alertei o primeiro-ministro de que no debate de urgência que me tinha sido pedido no Parlamento, eu ia proferir essa frase, porque eu penso assim. Eu sou verdadeiramente contra a ideia da acumulação de déficits. Sabe por quê? Porque os déficits serão sempre, ao final do dia, dívidas e quem paga as dívidas não somos nós, são os nossos filhos. Portanto, eu acredito que um país deve trabalhar num quadro de equilíbrio orçamental e, ao contrário do que se pensa, eu tinha uma excelente relação com Mário Centeno, e tenho. Outra coisa é dizer se nós podemos continuar nesse almoço que o referiu, eu disse isso, se nós podemos continuar nessa espiral da despesa, em que em todas as frentes os portugueses estão a gastar muito dinheiro através dos impostos no SNS, com uma enorme ineficiência, estão a gastar muito dinheiro na frente privada, através de terem de adquirir seguros de saúde e subsistemas. Finalmente, a despesa privada direta extra financiamento intermediado, porque repare, Portugal é hoje, enquanto a média na Europa é inferior a 15%, os pagamentos diretos ultrapassam os 30%. Eu disse isso nesse almoço: nós não aguentamos tanta despesa, sobretudo, se essa despesa estiver assente em cima de uma enorme ineficiência. Nós podemos pagar menos impostos, se as áreas setoriais todas forem mais eficientes. A saúde precisará de dinheiro pra quê? Para compensar melhor os profissionais, para reter o talento, para trazer mais médicos pra dentro do sistema público, isso é verdade, mas seguramente não para obrigar os cidadãos a andarem a gastar dinheiro em três sítios, porque efetivamente não encontram um alinhamento das suas necessidades e as respostas que procuram. Mas eu falava aqui de Mário Centeno, sabendo que tem essa relação mais próxima ou que tem uma boa relação com ele, até porque em tempos disse que e defendeu que daria um bom presidente da República. Sim, quando havia uma indefinição, isso foi, aliás, aqui na Rádio Observador. Quando havia indefinição sobre o quadro de presidenciáveis na área, digamos, do centro-esquerda e na área do próprio Partido Socialista, eu sugeri esse nome. Enfim, ele acabou por não estar disponível e felizmente tivemos a disponibilidade do António Guterres, que foi eleito com uma grande maioria e está a ser, do meu ponto de vista, embora eu seja suspeito, um excelente presidente da República. Bom, não foi esse o destino de Mário Centeno, mas o que eu lhe queria perguntar é se ele daria um bom primeiro-ministro, antevê esse futuro. Não tenho dúvida nenhuma em dizer que daria um primeiro-ministro, embora eu olhe pro Partido Socialista agora e parece-me que é preciso introduzir um sistema como lá na saúde, de listas de espera, de estabilidade de espera, porque a fila de candidatos é tão grande que eu já não sei quantos é que estão na fila. É normal, porque os partidos da oposição têm esta turbulência, eu não vejo isto como nenhum drama. Agora, deixem o José Luís Carneiro ser líder com calma, com tranquilidade, e acho que é preciso dosear um bocadinho a ansiedade. O que é bom pra população, para os eleitores, é que vê que o PS tem verdadeiramente um pipeline que é inesgotável. Mas essa convulsão que é normal, que está a dizer que é normal num partido na oposição, a verdade é que no caso do Partido Socialista, acabam por ser líderes condenados a não irem às legislativas. Não sei. Acha que vai ser assim também com José Luís Carneiro? Não sei. Estávamos há pouco em off a falar de futebol. Como sabe, eu sou benfiquista, faço aqui a minha declaração de interesse e, portanto, estou feliz por razões indiretas. Mas na política é muito perigoso, sempre foi muito perigoso fazer prognósticos antes do fim do jogo. Nós tivemos um governo com maioria absoluta, com uma das maiores maiorias absolutas, a segunda maior do Partido Socialista, que caiu por causa de uma coisa que nós hoje ainda não percebemos. O doutor Montenegro já esteve pra cair várias vezes, eu não sei, o Espinho viva, todas essas questões. Portanto, o que nós queremos em Portugal era uma vida normal, um cidadão comum, o eleitor, o que pretende pra Portugal? Uma vida normal, que é, por exemplo, uma legislatura durar quatro anos. Era uma coisa boa. Quando uma legislatura dura quatro anos, os governos fazem pela vida e mostram o que valem. No final desse tempo, os eleitores avaliam e olham pra alternativa e dizem: "Bom, entre o que está e o que vem, o que eu acho?" Agora, até lá, esta turbulência, eu acho que gera, falávamos da cocriação, gera criatividade, gera fulgor. Talvez fosse boa ideia não exagerar. Esta demarcação de Duarte Cordeiro é o começo de uma oposição interna a José Luís Carneiro e faz sentido esta demarcação nesta altura do campeonato? Parafraseando aqui o doutor Pedro Nuno Santos, eu não sou especialista em tática e, portanto, eu não sei se isto é tática, se é vontade, se é uma pulsão de energia, de motivação. Não vejo nenhum drama sobre isso. Sabe, eu sempre entendi que nas empresas, nas universidades, na política, os líderes que estão em funções devem estar a ser permanentemente desafiados, porque se tornam melhores. Um líder forte é um líder que se confronta com desafios, que não está acomodado. Portanto, eu creio que quer o Duarte, quer o Pedro Nuno, quer outros que possam aparecer, ao manifestarem-se a disponibilidade, estão a desafiar. Este regresso de Pedro Nuno Santos acrescenta valor à bancada do PS ou vem criar mais ruído? Isso é uma pergunta que lhe tem que fazer a ele, porque efetivamente é uma decisão individual, respeitável, e eu não queria estar a fazer a minha apreciação sobre isso. Ele terá as suas razões, tem o seu direito, foi eleito deputado, é um mandato que lhe está atribuído e, portanto, essa manifestação de vontade. Ele, aliás, foi correto quando fez aquela afirmação pública, foi bastante correto, até do ponto de vista institucional, que o líder, não deixando de ser um elefante dentro da sala, porque efetivamente, chegou e entrou com estrondo. Na série de recados que deu, José Luís Carneiro até foi o mais poupado. Pensei que era que tinha entrado de trombas. Os líderes têm que ser desafiados. Por exemplo, no governo, o doutor Luís Montenegro está permanentemente a ser desafiado por cenários alternativos ali. Os seus colegas de almoço. Só os partidos que não têm desafios internos é que se acomodem, e um partido que se acomoda, morre. Veja a iniciativa liberal. Quer dizer, nós temos que ter um desafio permanente para que os líderes se afirmem como corajosos, como bravos, como capazes de ser líderes, porque um líder não é alguém que chega a um sítio e entrou num lugar pra vida. Ele está todos os dias a fazer pela vida. Deixe-me perguntar sobre o atual presidente da República, que disse em campanha que bastava o acordo da UGT para dar luz verde a uma reforma laboral. Não acabou assim por contaminar as negociações sobre o pacote com esta pressão, que é muito grande sobre a central sindical? Puxamos a fita atrás, vamos à campanha eleitoral e eu peço a vossa ajuda para recuperarmos a memória. Qual foi o candidato presidencial que não se pronunciou sobre uma matéria tão relevante para o país como era a alteração das leis laborais? Houve algum que não se tenha pronunciado sobre isso? Mas foi um compromisso assumido de forma muito clara. Imagine que o doutor Luís Marques Mendes tinha sido eleito. Imagine que o almirante Gouveia e Melo tinha sido eleito, ou o doutor Cotrim de Figueiredo. Estávamos a falar de algo que era essencial porque tinha uma importância política e social forte. O presidente manifestou a sua posição porque quem foi votar nele foi esclarecido no sentido de qual seria a sua posição, porque a lei cairia, já não nas mãos dele. A pergunta é se isso não acabou por condicionar as negociações e a própria UGT, que tem agora este peso em cima. Depender dela, quase um veto a uma aprovação, a uma negociação. Seriam muito úteis várias coisas. Primeiro, que se percebesse que um presidente da República ou um candidato se move num quadro de valores e de referências. Pensa sobre os Estados Unidos, pensa sobre a defesa, pensa sobre as leis do trabalho, pensa sobre a vida de todos nós. Senão, passa a ser um notário ou uma espécie de representante emblemático, mais um dos símbolos da República. Dito isto, esta ideia de que a UGT está às ordens do PSD ou do PS é errada. A UGT terá lá, com certeza, pessoas que são militantes dos partidos, mas a UGT tem autonomia própria, como tem a CIP. A CIP não está à ordem de nenhum partido, nem de nenhum governo. Deixemos que os parceiros sociais continuem a conversar com o governo. Eu creio que o governo tem dado sinais de procurar esse entendimento e esperemos que isto não se transforme no Estreito de Hormuz para o governo, porque efetivamente... De um bloqueio infinito. Este bloqueio não seja infinito e haja luz. Aliás, eu procuro luz e eu, sinceramente, e falei isso há bocado em termos desportivos, eu estou desejoso por ver a luz ao fundo do túnel. Mas se nesse caso, e como dizia, o governo tem parecido fazer um esforço para chegar a acordo, mas se a UGT de facto ficar de fora e a reforma passar apenas com os votos de direita no Parlamento, deve contar com o veto do presidente, na sua opinião? Ouça, eu acho que o presidente vai fazer aquilo que disse. Vai ver o que é que lhe chega à secretaria, porque nós estamos a fazer juízo sobre algo. Ele pronunciou-se sobre um anteprojeto, como aliás todos os candidatos presidenciais. O anteprojeto era um anteprojeto. Algum dos senhores conhece o documento atual com as 188 alterações? Mas o ponto dele não era exatamente as medidas. Era o acordo da UGT. Era haver uma legitimidade por via daquilo que estaria no programa de governo e o segundo ponto era o acordo com a concertação. Repare, se a UGT se afasta do acordo, provavelmente é porque o conteúdo das medidas que estão no acordo não é, do ponto de vista da perceção da própria UGT, boa para os trabalhadores. E, portanto, esta questão, a leitura que o presidente fará, será feita por ele próprio, no momento certo, quando o documento lá chegar e depois de passada esta fase final da negociação que está a haver. Eu vou lhe dizer uma opinião que é estritamente pessoal. Eu acho que o governo meteu-se, de facto, numa camisa de onze varas, porque esta matéria não tinha sido apresentada aos eleitores na campanha eleitoral. Era uma matéria que é divisiva na sociedade portuguesa e naturalmente que tem que ser feita com uma grande preparação e com grande trabalho de diálogo com os diferentes parceiros sociais. Chegados aqui, o governo percebe que, não tendo sido possível o acordo na concertação social, o pior pesadelo que o governo pode ter é ter que negociar isto com o Chega. Você já sabe o que é que o Chega quer? O Chega quer votar contra, porque não quer ficar ao lado do governo numa matéria tão sensível. Ainda em cima, o seu eleitorado é um eleitorado muitas vezes de pessoas que são afetadas por estas medidas. E, portanto, o que é que o Chega diz? O Chega quer dialogar, mas quer votar contra. Qual foi a melhor maneira? Previsível, baixar a idade do limite da reforma. Podia ter sido outra coisa qualquer, foi esta. Portanto, as conversas estão feitas e o governo sabe que negociar com o Chega é ter qualquer coisa que não corresponderá aos interesses estratégicos do governo em matéria de leis laborais. E este sinal de baixar a idade da reforma já é um sinal de qual a intenção de voto final do Chega. Portanto, ou há acordo na concertação social ou há, de facto, aqui uma reviravolta do ponto de vista estratégico, ou eu creio que podemos ficar como estávamos. Precisamente há pouco, quando dizia que os candidatos pronunciaram-se, toda a gente sabia. Se vencesse Cotrim Figueiredo, não ia vetar a legislação laboral. E toda a gente ficou com a ideia que sem acordo com a UGT, o presidente António José Seguro, portanto, os eleitores quando votaram nele, ficaram com a ideia que ele travaria em Belém essa lei. Houve um artigo que o António Galamba escreveu aqui há dois dias, que diz isso precisamente, que sem acordo na concertação social é muito difícil ao presidente não vetar. Olhe, eu acho que há aqui um aspecto que deve ser aclarado, que é: o presidente não tem porta-vozes. Tem pessoas que o respeitam, que são próximos dele, que têm confiança política nele, mas ele não coarta a liberdade de nenhuma das pessoas que são próximas dele dizer o que pensam. O António Galamba exprimiu a sua opinião, a sua ideia, aquilo que ele faria, mas eu não vejo nisso uma posição do presidente da República. Vejo a posição do António Galamba, como eu estou também aqui a dizer umas coisas que são minha opinião. E sobre a sua posição, parecia-me que estava a dizer que esse compromisso que os candidatos tinham com o eleitorado deve ser cumprido. E o compromisso de António José Seguro foi haver um acordo na concertação social, em particular com a UGT ou no mínimo com a UGT, para que pudesse realizar a lei. Mas eu acho que é mais o conteúdo da própria lei, porque repare uma coisa: o governoNós não somos aqui, está a ver? Isto não é preto nem branco. O governo cometeu esta imprudência de lançar o projeto. Lançou. Os argumentos do Primeiro-Ministro, alguns deles são aceitáveis. Nós temos problemas de produtividade na economia há muitos anos. Resta saber se eles se devem apenas e só à vertente dos trabalhadores ou se há também uma dimensão tecnológica de inovação empresarial, etc., que também é das entidades patronais. Essa matéria é uma matéria que sugeria ou beneficiaria ter havido uma discussão prévia, aberta e profunda com a sociedade civil. O que é que nós podemos fazer para melhorar? Eu já vi muita gente dizer, até António Bagão Félix, salvo erro, que não é pela lei que o país deixa de ser mais competitivo. Mas toda a gente que tem o espírito aberto percebe que algumas melhorias progressivas em relação às leis podem ser feitas. Essa parte não foi realizada, mas eu iria a uma expressão de um amigo meu de há muitos anos, que me disse que as melhores reformas e as melhores transformações são aquelas que se baseiam no método das aproximações sucessivas. E aliás, uma vez em Paris, esse meu amigo dizia-me que normalmente os melhores efeitos, os melhores resultados nas transformações são pelos pequenos efeitos, pelas pequenas causas, pelos ganhos que às vezes são milimétricos. É preciso subir a escada não aos lances, aos saltos, mas subir degrau a degrau. Se calhar, se o governo quisesse, com a UGT agora, recuar um pouco e aproximar-se das posições da UGT, em vez de subir um lance de 10 degraus, subir a três, e daqui por uns anos nós podíamos estar a fazer uma nova release. O problema é esta ideia de que as reformas têm que ser o resultado de uma grande discussão. E ou é assim ou é assado. Bom, isso não é reforma. Isso é, de facto, trabalhar para conservar os bloqueios, porque a sociedade é feita por pessoas que têm posições diferentes e, portanto, ou se juntam por um mínimo denominador comum ou então não há acordo. E vão ser baby steps. O líder do PS disse que conta com António José Seguro para levar o PSD a negociar mais com o PS. O presidente, que já agora é bicampeão, porque ganhou duas vezes seguidas a primeira e a segunda volta, deve ter esse papel, não? Qual foi o Presidente da República em Portugal, relativamente ao qual os atores políticos e sociais não procuraram, de alguma forma, alavancar, tirar vantagem, enquadrar, condicionar, etc.? Todos, basta ler, desde a fundação da democracia, todos os presidentes passaram por isso. É natural que o líder do Partido Socialista diga isso, é natural que o líder do PSD diga outra coisa qualquer, mas um presidente da República não está imune a esse tipo de pressões, tem que estar preparado para elas, mas faz aquilo que a sua obrigação de juramento lhe obriga a fazer e a sua consciência. Quer dizer, um presidente só está obrigado a duas coisas: à sua consciência em primeiro lugar, e ao juramento constitucional que faz de fazer cumprir a Constituição da República. E não fragiliza o líder do PS estar a pedir esta proteção? Não me parece. Eu penso que isso faz parte da lide política normal e, portanto, não creio que o fazer repare, podia acontecer, os partidos mais à esquerda apelarem ao presidente, se o presidente é de esquerda, para vetar, os da direita, se o presidente é de direita, para fazer outra coisa qualquer. Aconteceu com Marcelo Rebelo de Sousa, com Mário Soares, com Cavaco Silva, com Jorge Sampaio. Esta semana foi apresentado o PTRR, que tem um horizonte para oito anos, ou seja, para lá desta legislatura. Devia ter sido negociado previamente com a oposição? Bom, vamos à pureza dos princípios. Quando eu apresento um plano que ultrapassa o meu mandato, mais que não seja por razões de delicadeza institucional, eu devo falar com aquele que pode, eventualmente, vir me substituir no final desse meu mandato. Depois, trata-se de uma matéria de regime e de Estado. Trata-se de medidas que são estruturais e que vão alterar profundamente aspetos ao nível quer da vida das pessoas, quer das infraestruturas. Sim, portanto a minha resposta é sim. Se eu decido fazer um aeroporto, naturalmente faz todo sentido falar com os partidos no Parlamento, sobretudo aqueles que têm possibilidade de vir a ser governo. Bom, Luís Montenegro diz que incluiu, por exemplo, da parte do Partido Socialista, 60 a 80% das propostas. Isso aí é suficiente, tendo em conta que não foi consensual? Admito que tenha falado, não sei se falou ou não com o Partido Socialista, admito que tenha falado, mas a minha resposta à sua pergunta é claramente que sim. Quer dizer, quando são matérias de Estado e matérias que ultrapassam os mandatos dos governos que estão de plantão, é uma questão até, eu diria, de delicadeza cívica. Deixe-me voltar aqui a Belém. O presidente defendeu também que os donativos a partidos no discurso do 25 de Abril devem ser públicos. Ao mesmo tempo, o PSD parece ter uma vontade mais de proteção dos partidos políticos. Uma maior opacidade seria um diploma a ter oposição em Belém? É preciso lembrar o papel de António José Seguro enquanto deputado e o que foi a vida parlamentar dele e a luta que perseguiu em matéria de transparência e de escrutínio público. E eu, tendo visto as cerimónias do 25 de Abril, fiquei com alguma preocupação pelo discurso do presidente da Assembleia da República, que levantou questões que merecem discussão, mas provavelmente num debate na faculdade de direito sobre a reforma do sistema político, não naquele momento e naquela circunstância. Por outro lado, eu espero que o PSD não cometa um harakiri ético em termos de política, porque de facto não se para o vento com as mãos. E não é por vir dizer que os políticos, do ponto de vista do sentimento do Calimér, são mal pagos e por isso lhes é permitido fazer tudo e mais alguma coisa, que nós contrariamos aquilo que é hoje a sensação de lodo, que é independente da vontade da política, porque infelizmente a disfunção da Justiça gera nas pessoas uma perplexidade, uma incomodidade e até uma revolta que traz consequênciasTendo a justiça, as dificuldades que tem, a última coisa que nos faltaria era o governo ou um partido que sustenta o governo, ter hesitações sobre isso. O escrutínio é essencial. A questão dos salários políticos pode-se discutir, mas o escrutínio é essencial. Se não for feito pelas instituições, é feito por vós, pela comunicação social. O presidente escolheu a Ilha Terceira como palco do 10 de junho. Isto não é arriscado, tendo em conta que os Estados Unidos pediram para usar a base até junho? É compreensível ter os quadros maiores das Forças Armadas, as maiores figuras do Estado estarem ao lado de drones assassinos ou a ideia é mesmo uma afirmação de soberania? Não, arriscado é abdicar daquilo que é a dignidade de um Estado, ainda que pequeno e frágil, e que tendo uma importância estratégica que tem perante um grande parceiro, não renegando essa aliança e essa condição de parceria, que se fecha e que se remete a uma condição de subordinado. Eu acho que foi uma feliz escolha do Presidente da República, afirmação de uma soberania de um país que sendo pequeno, tem dignidade política, tem dignidade no contexto do conceito internacional, porque é um aliado natural dos Estados Unidos, mas que não é um aliado anônimo, não é um aliado obediente, que não tem olhos e ouvidos. E eu acho que o Presidente da República, não só no que disse, mas nesta intenção, dá um sinal que vem na linha, eu falei nisso no princípio, e eu não me farto de o referir, o discurso do rei em Washington é o discurso do mundo, é o discurso que o mundo gostaria de ter feito perante o presidente americano. Mas claro, o rei de Inglaterra tem um poder que o presidente português não tem. Mas o presidente português está a dizer que apesar de pequenos e fracos, nós podemos não abdicar da nossa dignidade e dos nossos valores em matéria de política externa. E tem sido o presidente português mais crítico da administração Trump do que propriamente o governo português. Isso dá um bom equilíbrio ao país ou pode revelar uma fragilidade não haver um alinhamento total entre São Bento e Belém nesta matéria? Não, desalinhamento nenhum. Agora repare uma coisa, o governo português também está, penso que a corrigir a trajetória, porque repare, imagine que eu sou seu amigo, você é muito poderoso e tem muito dinheiro. Está a fazer algo com o qual eu discorde. Eu não deixo de ser seu amigo e seu aliado se lhe dizer: "Olha, eu acho que o que estás a fazer é mal, eu acho que não devias ir por aí". Ora, qual é o problema de um país pequeno e um aliado manifestar algum desconforto, alguma divergência, não quebrando os laços, sobretudo que são laços que estão inscritos em tratados e em compromissos, que são compromissos firmes. Agora, nada disso. Acho que o governo dele próprio também já dá alguns sinais de procurar ir mais por uma posição europeia, não renegando aquilo que é fundamental. A aliança com os Estados Unidos é essencial. A NATO não pode acabar. A NATO sem os Estados Unidos acaba e o presidente americano está lá, tem mais dois anos de mandato, a seguir virá o outro e os Estados Unidos continuam 250 anos depois. Muito bem, vamos avançar agora para a fase do cardápio. Estamos a chegar ao fim, tem que escolher uma de duas opções. Não há, portanto... Também tem que escolher uma música no fim, não se esqueça disso. Vá pensando nisso. Quem é que preferia apoiar numa campanha das legislativas como cabeça de cartaz pelo Partido Socialista, Eduardo Cordeiro ou Mário Centeno? Olhe, eu não tenho atividade partidária e, portanto, eu não me manifestaria sobre nenhum. Acho que são os dois personalidades com grande qualidade. Talvez eu, da minha maneira de ver a vida e a minha apreciação da vida pública, eu apreciasse mais um estilo mais executivo e mais tecnocrático. Pronto, e não querendo ser desagradável para o Eduardo Cordeiro, uma vez que tenho que responder, talvez apoiasse o Mário Centeno. E agora aqui outro dilema: o Benfica campeão na próxima época ou um pacto para a saúde fechado, mas a ver o título fugir ao Benfica no último minuto da última jornada por um ponto. Minha cara amiga, eu, correndo o risco de vir a ser expulso na próxima assembleia geral do Benfica, prefiro o pacto à saúde e sacrifico uma época à vitória do Benfica. E seria o Sporting campeão nesta... Não necessariamente, nessa matéria até podia ser o Braga que também veste vermelho, portanto ficaria talvez mais tranquilo. Devíamos ter juntado ou duas épocas ou mais de uma competição para ver se vacilava. Que mulher socialista preferia ver candidatar-se à liderança do PS, Marta Temido ou Mariana Vieira da Silva? Olhe, acho que ambas têm as suas qualidades, mas eu, de facto, entre essas duas hipóteses, eu procuraria uma terceira ou uma quarta alternativa. Para terminar, preferia o regresso de Bernardo Silva ao Benfica ou de António Costa à liderança de um governo? Nesse aspeto, a paixão clubística é mais forte. Eu acho que o António Costa já cumpriu o seu mandato, já tem uma idade que lhe permite ambicionar estar pela Europa. Provavelmente continuará presidente do Conselho Europeu e o Bernardo Silva no Benfica seria uma novidade. O António Costa na política e no governo não seria. Agora mesmo para terminar a nossa Vici e Suaves, chegamos à sobremesa da Alberto Campos Fernandes. Que música é que nos trouxe e o porquê dessa escolha? Olhe, o porquê, começo logo pelo porquê, porque remete para aquilo que eu gostava que o pacto, o compromisso estratégico fosse feito, que era o "So Easy" e a cantora é a Olivia Dean, são, portanto, a Olivia Dean, "So Easy", assim seja a música como seja a construção de um acordo estratégico para a saúde em Portugal. Muito obrigado. Termina aqui a Vici Suaves, que regressa, como sempre, na próxima semana. Could share a consensual part I could be fresh air Might be the girl of your dreams Theres no need to hide if youre into me Cause Im into you quite intimately And maybe one night could turn into three Well, Im down to see Cause I make it so easy to fall in love So come give me a call and well fall into us Im the perfect mix of Saturday night And a Wednesday night Anyone with a heart would agree Its so easy to fall in love with me Easy Its so easy Its so easy Its so easy So easy to fall in love So come give me a call and well fall into us Im the perfect mix of Saturday night And a Wednesday night Anyone with a heart would agree Its so easy to fall in love with me Rádio Observador