NOVA REDE DE MEDICINA INTENSIVA QUER ATIVAR CAMAS PARADAS E CONTRATAR MAIS ESPECIALISTAS
2026-05-04 21:09:11

Proposta em consulta pública até 20 de maio prevê ligar 21 serviços com camas inativas, fixar 95% de intensivistas nos quadros e criar sistema de alerta precoce para doentes em risco A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde colocou hoje em consulta pública, por 14 dias, uma proposta que mexe na organização da Medicina Intensiva em Portugal. O documento, da autoria de um grupo de trabalho nomeado lá para fevereiro de 2024 pela anterior direção e depois ratificado pela equipa atual, identifica 21 Serviços de Medicina Intensiva (SMI) com camas instaladas mas não ativadas. Nove desses serviços apresentam uma taxa de ocupação igual ou superior a 85%, e treze atingem os 80% ou mais - números que, segundo o relatório, “sugerem que podem ter atualmente problemas de disponibilidade de camas, que poderiam ser resolvidos com a ativação das camas já instaladas”. Ora, os próprios diretores dos SMI, quando inquiridos para este trabalho, referiram em 51,2% das instituições haver doentes a beneficiar de internamento em cuidados intensivos, o que os autores interpretam como um potencial gap entre o que é preciso e o que efetivamente se oferece. A ativação de todas as camas paradas, defendem, poderia reduzir essa dívida assistencial e melhorar os rácios de camas de SMI por camas de agudos e por habitante, aproximando-os da recomendação da OCDE - que é de dez para cada 100 mil habitantes, embora se admita alguma flutuação conforme a tipologia e a dimensão de cada hospital. O grupo de trabalho recomendou a abertura ainda em 2025 das camas instaladas e inativas em várias unidades: ULS Entre-Douro-Vouga, São João, Trás-os-Montes e Alto Douro, Viseu-Dão-Lafões, Santa Maria, Amadora/Sintra, Estuário do Tejo, Beatriz Ângelo, Alentejo Central, Algarve, Baixo Alentejo e ainda no Hospital de Cascais. Para o mesmo ano, sugeriu a abertura do SMI do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, e num horizonte de três anos a do SMI da ULS do Oeste, com o objetivo de aliviar a pressão sobre a ULS Coimbra e sobre os hospitais polo da região de Lisboa, respetivamente. A ULS Braga, por seu turno, deve aumentar o número de camas com capacidade para nível 3 de cuidados. No capítulo dos recursos humanos, a situação é desigual. Dos médicos atualmente nos SMI, 72,7% são especialistas em Medicina Intensiva. A meta que agora se propõe é ambiciosa: pelo menos 95% dos quadros médicos devem ser constituídos por especialistas. Há também que melhorar os rácios assistenciais, que em 59% dos serviços oscilam entre um médico para quatro ou um médico para cinco camas. Cerca de metade dos SMI recorrem a médicos em regime de prestação de serviços para conseguir cobrir as escalas, sendo este fenómeno mais frequente em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Na enfermagem, a proposta avança com um rácio médio de um enfermeiro para 1,5 doentes em cuidados intensivos. Mas há carências: 24,4% dos SMI não têm enfermeiros de reabilitação, e na maioria dos restantes a cobertura diária é limitada, com o rácio mais comum a ser de um para oito a 12 doentes. Em 26% dos SMI não existe apoio de psicologia, e em 21% não há serviço social - ao passo que todos dispõem de fisioterapia. A par disto, a nova rede prevê a implementação de sistemas de alerta precoce para detetar deterioração clínica nas enfermarias, bem como a criação de sistemas de telemetria entre estas e os SMI. Outra ideia é um sistema nacional de transporte secundário de doentes críticos, com ambulâncias medicalizadas e equipas dedicadas, além de um sistema de informação em tempo real sobre a disponibilidade de camas e a carga assistencial. O documento defende ainda que todos os SMI devem praticar a gestão integrada de camas e doentes de nível 2 e 3 de cuidados, algo que já acontece em 95,1% dos serviços, mas com a meta de se atingir os 100% num ano. Por fim, a proposta fixa 11 polos de referenciação em Medicina Intensiva e aponta para um sistema colaborativo de avaliação da qualidade, com indicadores comuns para todos os SMI. NR/HN/Lusa Proposta em consulta pública até 20 de maio prevê ligar 21 serviços com camas inativas, fixar 95% de intensivistas nos quadros e criar sistema de alerta precoce para doentes em risco [Additional Text]: Hospital intensive care unit with beds equipment. Health center