PROCURAM-SE DEPUTADOS PARA O PARLAMENTO DA SAÚDE
2026-05-04 21:09:11

Lançamento. O Health Parliament Portugal voltou e as candidaturas para a nova edição já estão abertas. Na cerimónia de arranque fez-se o balanço das edições anteriores, apontaram-se os velhos problemas e os novos desafios para o sector Há problemas na saúde que resistem ao tempo e soluções que tardam em sair do papel. Também há novos desafios que exigem respostas diferentes. O sistema está sob pressão, em crise, e, como qualquer doente, pede diagnóstico e resposta. É neste contexto que regressa o Health Parliament Portugal (HPP), o único parlamento em Portugal dedicado inteiramente às questões da saúde, que reúne 60 participantes para analisar problemas, cruzar perspetivas e trabalhar em recomendações para o sector. Das duas edições anteriores saíram propostas que encontraram (ou estão em vias de encontrar) tradução em políticas públicas, como o regime de pensionista automático ou a simplificação de procedimentos nas juntas médicas. A razão para o sucesso das recomendações do HPP? Interdisciplinaridade e participação cívica. “A saúde não é só um assunto que se resolve nos hospitais”, declarou Paulo Pereira na sessão de lançamento da terceira edição. O reitor da Universidade Nova de Lisboa sublinhou a necessidade de uma abordagem mais transversal. A discussão, segundo Paulo Pereira, deve envolver pessoas de diferentes áreas e sair dos espaços tradicionais de decisão. A dimensão participativa foi também destacada por Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Johnson & Johnson Innovative Medicine Portugal, que apontou para o impacto concreto de algumas das recomendações já produzidas. “A participação cívica tem permitido uma pluralidade de ideias”, referiu, acrescentando que muitas propostas foram “acarinhadas por diversos governos” e que “há talento disponível para pensar e para contribuir”. O regime de pensionista automático foi uma das propostas do HPP adotadas Já para David Dinis, diretor-adjunto do Expresso, o valor do projeto está no tempo e na continuidade do debate. “É preciso juntar pessoas em sessões consecutivas e debater com profundidade para tentar chegar a soluções melhores.” Numa altura em que se discute um Pacto Estratégico para a Saúde, o jornalista considera que a terceira edição “acontece no momento certo” e sublinha a importância de os deputados selecionados acompanharem esse processo. Também Andres Ortola, general manager da Microsoft, destacou o potencial do HPP, defendendo que “este pode ter uma missão muito especial”. Prevenir, aceder, concretizar Feito o enquadramento, a discussão seguiu para os bloqueios que persistem. Muito do que precisa de ser feito (e que já está identificado), o que falha é a concretização. “Temos os computadores todos disponíveis, inteligência artificial e tudo mais. E continuamos a escrever processos clínicos? Não faz sentido”, afirmou a médica Ana Gomes, presidente da primeira edição do HPP, apontando falhas na articulação entre sistemas. A prevenção é outra das suas preocupações: “Custa muitíssimo mais curar do que custa prevenir.” Também no acesso, o diagnóstico não é novo. “Temos um sistema de saúde, hoje em dia, que tem muita qualidade. O que é difícil é entrar. Aliás, as barreiras no acesso eram um dos temas da primeira edição deste parlamento”, mencionou Francisco Goiana da Silva, presidente... da segunda edição. Mas o tópico mais abordado pelo médico foi mesmo a questão geracional. “Nós não somos a próxima geração da saúde. Nós somos a geração atual dos líderes da saúde que só não assume mais cargos de liderança porque os antigos não os libertam e estão agarrados ao poder”, começou por dizer. “Nós temos um problema de discriminação geracional nas lideranças do Serviço Nacional de Saúde, que não é baseado nem no médico, nem na competência técnica, nem na capacidade de gestão”, continuou. E acrescentou: “As empresas mais prósperas do mundo (...) são geridas por pessoas de 20 ou 30 anos. Devíamos aprender com isso.” É precisamente essa a faixa etária abrangida pelas candidaturas para a nova edição do Health Parliament Portugal, abertas a participantes entre os 21 e os 40 anos (ver caixa). As candidaturas arrancam hoje, 1 de maio, e a iniciativa culmina com a apresentação de um conjunto de recomendações para a saúde. O que tem de saber para entrar no HPP Candidaturas Arrancam a 1 de maio e decorrem até 15 de junho, através de formulário online do Health Parliament Portugal. Requisitos Podem candidatar-se pessoas com idades entre os 21 e os 40 anos, residentes em Portugal continental e com habilitação mínima de bacharelato. Seleção Os 60 participantes escolhidos serão anunciados até ao final de julho. Comissões Trabalho organizado em seis áreas: dados e IA em saúde, acesso e integração de cuidados, inovação e valor da saúde, oncologia, prevenção e diagnóstico, e saúde mental. Eventos Quatro plenários presenciais e visitas de campo entre setembro de 2026 e início de 2027. Saiba tudo Acompanhe, até fevereiro de 2027, o projeto em expresso.pt/health-parliament-portugal Teresa David Jornalista Teresa David