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IGAS INVESTIGA ALEGADAS MORTES DE DOENTES A AGUARDAR CIRURGIA CARDÍACA NO HOSPITAL DE SANTO ANTÓNIO

Verdade Online (A)

2026-05-04 21:09:12

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) instaurou um processo para averiguar os alegados óbitos de doentes que se encontravam em lista de espera para cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto. O processo de esclarecimento, formalizado por despacho a 6 de abril, surge na sequência de notícias divulgadas em fevereiro deste ano. O foco principal da IGAS é apurar a veracidade das informações relativas à morte de 10 utentes entre 2022 e 2025, alegadamente devido ao tempo de espera demasiado elevado nesta unidade de saúde. O alerta público foi dado a 19 de fevereiro: O diretor do serviço de Cardiologia da ULSSA, André Luz, denunciou a situação numa entrevista à RTP; No mesmo dia, diretores de cardiologia de quatro hospitais do Norte (Santo António, Tâmega e Sousa, Matosinhos e Trás-os-Montes e Alto Douro) subscreveram uma carta dirigida à ministra da Saúde, alertando para a grave situação da lista de espera para cirurgias e implantação de válvulas aórticas. Reações e intervenção de outras entidades A denúncia gerou forte preocupação no setor, motivando a intervenção de outras entidades competentes no panorama da saúde em Portugal: Ordem dos Médicos (OM): A 20 de fevereiro, o bastonário Carlos Cortes exigiu à Direção-Executiva do SNS a avaliação imediata da situação, afirmando que a OM desconhecia que estivessem a "morrer pessoas" por falta de resposta; Entidade Reguladora da Saúde (ERS): A 25 de fevereiro, abriu o seu próprio processo de avaliação para averiguar ao detalhe os alegados constrangimentos no acesso a estas cirurgias. O debate sobre a criação de um novo centro de referência Toda esta polémica coincide com a ambição da ULSSA em constituir-se como um centro de referência nesta área. No entanto, responsáveis de centros já existentes e a própria Ordem dos Médicos alertaram para a escassez de recursos humanos e para o risco de esvaziamento das atuais unidades (São João, Gaia/Espinho e Braga). Apesar dos avisos, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, defendeu no Parlamento (a 22 de abril) que o Hospital de Santo António reúne as condições necessárias para atuar como centro afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI). A governante lamentou ainda o facto de a ULSSA ter um cirurgião cardíaco contratado desde 2016 que está "impedido de operar", frisando que bastaria a contratação de mais um especialista e restante equipa para viabilizar a resposta interna. Redação