PRESCRIÇÃO GENÉRICA DE SENSORES DE GLICOSE: ORDEM DOS MÉDICOS ALERTA PARA PERIGO REAL
2026-05-04 21:09:14

A Ordem dos Médicos rejeita a nova norma do INFARMED que impõe a prescrição por descrição genérica dos sensores de monitorização contínua da glicose, considerando-a um retrocesso na segurança dos doentes A Ordem dos Médicos veio a público manifestar uma discordância que não é de somenos face à decisão do INFARMED sobre os sensores de glucose , peço desculpa, glicose. A questão é esta: equiparar dispositivos médicos de monitorização contínua a medicamentos genéricos? Não faz sentido do ponto de vista clínico, alega a Ordem. E com argumentos. É que ao contrário do que acontece com um comprimido genérico, que tem de provar bioequivalência, os sensores não são intercambiáveis. Diferem na precisão, nos algoritmos, na necessidade ou não de calibração, nos alarmes, nas aplicações digitais, até na duração que trazem colada à pele. E depois há a forma como a informação é apresentada e interpretada. Trocar um sensor não é como trocar uma caixa de paracetamol. Quem tem diabetes , e sei que estou a ser óbvio , usa aquilo todos os dias para decisões críticas: quanto insulina administrar, se há risco de hipoglicemia, se o controlo metabólico está ou não nos eixos. O presidente do Colégio de Endocrinologia e Nutrição, Manuel Carlos Lemos, é taxativo: “A decisão anunciada pelo INFARMED, embora bem-intencionada, constitui um retrocesso e um perigo real para a segurança dos doentes porque trata sensores de glicose como se fossem todos iguais, quando na prática têm diferenças importantes que podem influenciar decisões críticas no tratamento.” E remata: “ao limitar a possibilidade de escolha do médico, a medida compromete a individualização dos cuidados e pode prejudicar o controlo da doença, com consequências que podem sair mais caras para todos.” Por seu turno, o bastonário Carlos Cortes lembra que a gestão eficiente dos recursos do SNS é uma obrigação ética , sim, isso ninguém põe em causa , mas que a eficiência não pode ser confundida com decisões cegas. “Estamos a defender os doentes, a segurança clínica, a responsabilidade médica e a qualidade dos cuidados. O acesso às tecnologias é fundamental, mas o acesso sem adequação clínica pode transformar uma boa intenção numa má decisão”, acrescenta. A Ordem defende, assim, a revogação urgente da decisão do INFARMED e a abertura imediata de um processo de diálogo. Quem tem de sentar-se à mesa? Associações profissionais, sociedades científicas, médicos prescritores, farmacêuticos, associações de doentes. Toda a gente. Para se obter uma fundamentação técnica e científica. A inovação em saúde , e isto é um lugar-comum, mas verdadeiro , só vale quando melhora vidas, reforça a segurança e respeita a decisão clínica. Na diabetes, mais do que noutras áreas, a tecnologia não é um detalhe administrativo. É parte importante do tratamento, da autonomia e da segurança diária dos doentes. PR/HN/MM A Ordem dos Médicos rejeita a nova norma do INFARMED que impõe a prescrição por descrição genérica dos sensores de monitorização contínua da glicose, considerando-a um retrocesso na segurança dos doentes [Additional Text]: Sensor de Glicose_sensor-on-arm-with-white-shirt-sleeve-2026-03-13-01-41-59-utc_ENVATO