UNIÃO DE SINDICATOS DE AVEIRO COMPROMETIDA COM GREVE GERAL A 3 DE JUNHO.
2026-05-04 21:09:15

Trabalhadores de todo o distrito desceram a Avenida Dr. Lourenço Peixinho, em Aveiro, e deixaram palavras de contestação ao pacote laboral em concentração no Largo do Rossio anunciando uma Greve Geral no país a 3 de Junho sob o lema “Derrotar o Pacote Laboral! Não ao retrocesso! Por mais salário, mais direitos, mais serviços públicos”. “Resistência” e “luta por melhores salários e direitos” foram o mote para a tarde de protesto nas ruas de Aveiro. No ano em que se comemorou o 52 aniversário do 25 de Abril e se assinalam os 140 anos da greve na cidade norte-americana de Chicago com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, melhorias e benefícios para os trabalhadores, nomeadamente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava às 17 horas, e da qual resultaram prisões e mortes de trabalhadores, os trabalhadores nacionais saíram a rua em várias cidades do país. A União dos Sindicatos de Aveiro/CGTP-IN mobilizou trabalhadores de todo o distrito em marcha de protesto em defesa de direitos e exigência de melhores condições de vida e de trabalho. “O Pacote Laboral é Retrocesso Social!; Só mais um empurrão, e o Pacote vai ao chão!; Não vamos desistir, o Pacote é p ra cair!; Não podemos aceitar empobrecer a trabalhar!; Para os patrões são milhões, para os salários só tostões!; Mais salário! melhores pensões!; O custo de vida aumenta o povo não aguenta!; Queremos Paz, Pão e o Direito à habitação! e Público é de todos! privado é só de alguns!” foram algumas das palavras de ordem ouvidas na tarde de Aveiro. Já no Largo do Rossio, Bernardo Santos, dirigente da Interjovem, afirmou que “querem fazer crer que aquilo que os jovens precisam mesmo é da legalização dos despedimentos sem justa causa e de trabalhar uma vida toda a contratos a termo”. “Querem que os jovens acreditem que é nos estágios, contratos a termo, recibos verdes, ou na subcontratação que está a receita para que sejam eternamente livres e jovens, e para que nunca passem do nível zero da sua carreira. É assim que nos querem, para sempre com salários baixos, sem poder comprar casa, com menos direitos e mais vulneráveis. Chamam-lhe de modernidade”. A voz dos jovens deixou claro que a luta vai continuar. “Lutar porque é esse o caminho da transformação das nossas vidas, lutamos porque sabemos que o Pacote é para cair mas também pela vida a que temos direito, pelo aumento dos salários, pelo direito a ser jovem, pela estabilidade que precisamos para nos emancipar e termos nas nossas mãos o destino das nossas vidas”. Adelino Nunes, Coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, começou por saudar os manifestantes e as mais de 32 iniciativas que a CGTP-IN realiza por todo o País. Afirma que o governo PSD/CDS, com o apoio do CH e IL, tem em marcha uma “política de assalto aos direitos fundamentais e de afronta à Constituição da República Portuguesa que atinge quem trabalha e trabalhou, fragiliza os serviços públicos e compromete as funções sociais do Estado”. “A estratégia em curso procura enfraquecer os direitos laborais e pôr em casa direitos essenciais, como a saúde, a educação, a protecção social e a habitação, entre outros”. A USA nota que ao aumento do custo de vida, soma-se, ainda, a degradação dos serviços públicos, em particular, do Serviço Nacional de Saúde, que exige investimento, valorização dos profissionais e reforço da capacidade de resposta pública. Um quadro que vê agravado pela intenção de mudar leis laborais. “É neste quadro que o Governo insiste em impor o Pacote Laboral, procurando abrir caminho para o agravamento da política de direita ao serviço dos grupos económicos e financeiros, para o aumento da exploração, cumprindo assim os compromissos assumidos com o patronato”. “Trata-se de piorar uma lei que já hoje é muito prejudicial para quem trabalha e, deste modo, perpetuar os baixos salários, impor a legalização dos despedimentos sem justa causa, agravar e eternizar a precariedade, desregular e prolongar, ainda mais, os horários de trabalho, atacar os direitos de maternidade e paternidade, destruir a contratação colectiva e os direitos nela consagrados, atacar a liberdade sindical e o direito de greve”. A luta desenvolvida “exige a retirada do Pacote Laboral” e o “abandono, por parte do Governo, da sua intenção de agravar ainda mais uma legislação que contribui para o aumento da exploração, aprofunda as desigualdades e perpetua os atrasos do país”.