LUCRO DA ADSE CAI 18,8% PARA 109 ME EM 2025, O VALOR MAIS BAIXO DESDE 2019
2026-05-04 21:09:15

O resultado líquido da ADSE caiu 18,8%, para 109 milhões de euros, em 2025 face a 2024, registando o valor mais baixo desde 2019, segundo dados divulgados pelo subsistema de saúde dos funcionários públicos Foi divulgado o relatório de contas do instituto público, que gere a saúde de centenas de milhar de funcionários públicos e respetivos familiares. E os números, coitados, não são propriamente animadores para quem gosta de ver as contas sempre a crescer. O lucro de 109 milhões de euros representa uma quebra significativa face aos 134 milhões registados no ano anterior, algo que a própria ADSE admite sem grande alarde, preferindo destacar outros indicadores. No comunicado enviado às redações, o subsistema fala num saldo orçamental de 171,5 milhões de euros em 2025 , um conceito diferente do resultado líquido, atenção , e numa subida do número de beneficiários em cerca de 34 mil pessoas. Afinal, mais gente a usar o sistema, mais despesa, certo? Certo. “Estes resultados evidenciam a sustentabilidade financeira deste subsistema, o que lhe tem permitido alargar o acesso aos cuidados de saúde e acelerar a modernização digital dos seus serviços”, lê-se no documento, que faz questão de enquadrar tudo num “contexto de exigência crescente sobre o Sistema Nacional de Saúde [SNS]”. Traduzindo: com o SNS a rebentar pelas costuras, a ADSE tem sido uma válvula de escape para muitos, e isso custa dinheiro. Entretanto, a utilização do regime convencionado , aquele em que o beneficiário escolhe o médico ou hospital privado conveniado , aumentou em 24.117 pessoas face a 2024, o que corresponde a uma subida de 2,6%. O custo médio por beneficiário fixou-se nos 617,81 euros, refletindo as melhorias introduzidas nas tabelas e no acesso aos cuidados. Uma das medidas mais aplaudidas, e que a ADSE faz questão de sublinhar, foi a introdução do copagamento máximo de 500 euros em cirurgias no regime convencionado. Dizem os gestores que a medida beneficiou 23.143 utentes e gerou uma poupança global superior a 16 milhões de euros, o que dá uma média de cerca de 704 euros por beneficiário. Contas feitas, quem fez cirurgias poupou, em média, mais de 200 euros para além do teto de 500. A atualização do preço das consultas no regime convencionado também deu frutos, ao que parece. A ADSE regista um crescimento de 14,9% no número de consultas realizadas e de 10,3% nos locais de prestação abrangidos. Ou seja, os médicos aderiram mais, os utentes marcaram mais. A rede de prestadores, essa, continua a alargar-se como massa levedada: atingiu 1.543 entidades convencionadas e 3.436 locais de prestação. E os médicos associados às convenções? Subiram para 16.838, mais 950 do que no final de 2024. Não é todos os dias que se vê uma rede privada a crescer desta forma, convenhamos. Na frente digital, o tal Processamento Automático de Faturas (PAF) parece estar a ganhar tração. Foram submetidas 822.818 faturas em 2025. Destas, 72% permitiram codificação de atos médicos e 85,9% foram processadas e aprovadas automaticamente, sem necessidade de intervenção humana. A eficiência, coitada, até assusta , máquinas a aprovar despesas de saúde sem um humano a carimbar? Pois é, os tempos são outros. E já que se fala em controlo, a ADSE também apertou o cerco a abusos e desperdícios. O número de auditorias realizadas a prestadores e beneficiários aumentou 75,5% face a 2024. Quem andava a aproveitar-se, pelos vistos, começou a ter mais dores de cabeça. NR/HN/Lusa O resultado líquido da ADSE caiu 18,8%, para 109 milhões de euros, em 2025 face a 2024, registando o valor mais baixo desde 2019, segundo dados divulgados pelo subsistema de saúde dos funcionários públicos [Additional Text]: ADSE