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PLANO OU SEGURO DE SAÚDE? A RESPOSTA ESTÁ NAS NECESSIDADES DO CONSUMIDOR

Jornal de Leiria

2026-05-04 21:09:15

Cláudia Gameiro redaccao@jornaldeleiria.pt Dados de 2025 apontam que Portugal ocupa o terceiro lugar na União Europeia com maior proporção de doenças crónicas ou problemas de saúde prolongados. Tal traduz-se em 42,3% dos residentes no País, com 16 anos ou mais, que necessitam de recorrer a cuidados médicos com frequência. Numa sociedade cada vez mais medicalizada e onde o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nem sempre consegue dar resposta, os planos e seguros de saúde desempenham um papel de facilitadores no acesso a cuidados necessários a uma vida funcional e equilibrada. Respondem, porém, a diferentes necessidades. Embora para o observador menos atento possam facilmente assemelhar-se, são ferramentas que se distinguem nos elementos contratuais com o consumidor, informação esta consultável nas páginas online das várias seguradoras do mercado. Os seguros de saúde só podem ser vendidos por entidades registadas na Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, sendo um produto de seguradoras e de mediadores, estes últimos com frequência os bancos. Só os seguros cobrem os riscos de saúde, em resultado de dependerem de um questionário ou avaliação médica ao consumidor e do pagamento de um valor (o prémio) que é calculado de acordo com o risco avaliado. Com base nestes critérios defne-se então a cobertura do seguro, com a hospitalização a ser uma opção frequente, assim como consultas, cirurgias, partos ou tratamentos. Neste sentido, os seguros podem ter restrições relativas à idade de adesão e permanência, embora também existam seguros para a terceira idade. A Multicare, por exemplo, tem disponível um seguro “60+”. Já os planos de saúde são produtos mais simples, não necessitando de nenhum questionário ou avaliação médica para adesão. Estes são vendidos por empresas de diferentes sectores (hospitais, banca, telecomunicações, etc.) e permitem aceder sobretudo a consultas e exames, não envolvendo a cobertura de risco. Os planos tendem a não ter período de carência (ao contrário dos seguros), sendo também menos restritivos em relação à idade. Neste cenário, consoante a idade e os problemas pré-existentes, os seguros podem ser substancialmente mais caros para o consumidor do que os planos de saúde, que tendem a ter um preço fxo. Os seguros são, porém, mais abrangentes ao nível da escolha dos médicos, hospitais e clínicas, uma vez que pode ser realizado um reembolso, mediante a apresentação da factura ou documentos comprovativos, caso se opte por um profssional que não tenha acordo. Já os planos de saúde obedecem a uma rede convencionada e oferecem sobretudo descontos. Outra diferença está no IRS. Os seguros podem ser considerados despesas de saúde, enquanto os planos de saúde estão dependentes do código de actividade económica (CAE) da empresa que o comercializa. No que toca aos pagamentos dos prémios, os seguros são mais flexíveis, podendo ser mensais, trimestrais, semestrais ou anuais. Os planos de saúde são pagos anualmente, embora possam ser parcelados mensalmente. Apesar da existência de limites de cobertura, os seguros cobrem situações inesperadas e dispendiosas nos cuidados de saúde privados, como internamentos e cirurgias. Tal não é tão comum nos planos de saúde, embora o “Plano+CUF”, da rede CUF, inclua internamento e cirurgia em todas as especialidades. Assim, apesar de os seguros serem, em teoria, uma escolha mais racional ou preferível numa lógica de longo prazo, tal pode colidir com os recursos dos consumidores. Os planos de saúde tendem a ser, no imediato, mais económicos e são transversais a todas as idades, com uma contratualização menos complexa. Os seguros, consoante a idade e a condição de saúde do consumidor, podem ter prémios mais elevados, embora depois também ofereçam mais respostas, em particular perante imprevistos graves. FREEPIK Cláudia Gameiro