BYD INTERESSADA EM FÁBRICA DA VOLKSWAGEN NA EUROPA
2026-05-04 21:09:15

Volkswagen nega rumores com BYD. Mas o seu CEO já admitiu que partilhar a capacidade industrial instalada pode ser uma possibilidade. A ofensiva das marcas chinesas no mercado europeu já não se faz apenas pelo lado do comércio automóvel. Vários grupos - BYD, Leapmotor, Geely, SAIC (MG/Maxus), GAC (Aion), e Chery Auto (Omoda e Jaecoo) - têm planos industriais desenhados para a Europa. Agora, a BYD poderá estar de olho num dos espaços industriais mais simbólicos da Alemanha: a Gläserne Manufaktur, a Fábrica Transparente da Volkswagen, em Dresden. Segundo avança a CarNewsChina, o construtor chinês estará em conversações com a empresa alemã para assumir parte desta unidade, onde poderá vir a produzir veículos elétricos destinados ao mercado europeu. A publicação cita uma fonte próxima do processo, mas a informação não foi confirmada oficialmente. Contactada pela CarNewsChina, a BYD não quis comentar, enquanto a Volkswagen classificou a notícia como incorreta, ainda que declarações recentes de Oliver Blume, diretor-executivo do Grupo, (que recordamos mais adiante) sugiram um cenário diferente. Regresso de Desdren à produção A confirmar-se, este seria o regresso ao ativo desta fábrica alemã. Recordamos que a Volkswagen terminou a produção automóvel em Dresden a 16 de dezembro de 2025, depois de 24 anos de atividade. A fábrica deverá agora ser parcialmente convertida num campus de inovação, em parceria com a Universidade Técnica de Dresden e o estado da Saxónia. De acordo com a empresa, a marca continuará a operar o edifício e a manter presença no local, mas a produção automóvel irá manter-se suspensa. Inaugurada em 2002, Desdren nasceu como fábrica de prestígio para o Volkswagen Phaeton, tendo também produzido modelos Bentley, o e-Golf e, mais recentemente, o ID.3. Para a BYD, produzir na Alemanha teria várias vantagens. Desde logo, permitiria reforçar a imagem da marca num mercado onde os construtores locais continuam a dominar por larga margem. Recordamos que em março, a BYD registou quase 3500 automóveis na Alemanha, uma subida homóloga superior a 300%, embora ainda muito distante da Volkswagen que no mesmo período registou 50 mil unidades. No que diz respeito ao Grupo Volkswagen (que inclui Skoda, Audi, SEAT, Porsche, etc), a empresa manteve-se como líder absoluto, com uma quota de mercado de 41,6% no primeiro trimestre de 2026 Escapar às tarifas europeias Atualmente, os automóveis de passageiros da BYD vendidos na Europa são importados da China e estão sujeitos à tarifa aduaneira normal de 10%, à qual acresce a tarifa anti-subvenções aplicada pela União Europeia aos veículos elétricos chineses. No caso da BYD, essa taxa adicional é de 17%. A BYD já está a construir uma fábrica na Hungria e tem também uma unidade prevista para a Turquia, país que não está sujeito às tarifas adicionais aplicadas pela União Europeia aos veículos importados da China. XPeng também namora com a Volkswagen A BYD não será a única marca chinesa a olhar para a capacidade industrial disponível da Volkswagen na Europa. A XPeng também estará a estudar possibilidades semelhantes. © Razão Automóvel No caso da XPeng, a ligação à Volkswagen é ainda mais direta: a marca alemã detém 5% da empresa chinesa e as duas estão a partilhar tecnologias e plataformas no mercado chinês. Independentemente da marca envolvida - caso este cenário se venha a concretizar - a própria Volkswagen já abriu a porta a este tipo de solução. No passado mês de abril, Blume disse que partilhar capacidade industrial europeia não utilizada com construtores chineses poderia ser uma solução “inteligente” para reduzir custos e lidar com excesso de capacidade. Segundo a Reuters, o grupo alemão quer reduzir a sua capacidade global de produção de 12 milhões para 9 milhões de automóveis, numa estratégia de redução de volume e procura por margens mais elevadas por unidade. Descubra o seu próximo automóvel: Guilherme Costa