ADEUS V6 SILENCIOSOS, OLÁ V8 RUIDOSOS: F1 MUDA MOTORES ATÉ 2031
2026-05-04 21:09:17

Os actuais V6 híbridos acumulam queixas dos pilotos, obrigados a levantar o pé do acelerador nas curvas rápidas para permitir que o motor de combustão recarregue a bateria. A Fórmula 1 vai mudar dos actuais motores híbridos V6 para V8 mais ruidosos até 2031. Esta mudança poderá ocorrer possivelmente já em 2030, de acordo com o presidente do organismo que tutela a modalidade. Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), afirmou no Grande Prémio de Miami que a mudança vai certamente acontecer. “Está a caminho. No fim de contas, é uma questão de tempo”, disse o emiradense, falando no seu gabinete com vista para a pista no Hard Rock Stadium. “Em 2031, os V8, a FIA terá autoridade para o fazer, sem qualquer votação dos PUMs (Fabricantes de Unidades de Potência). É o que dizem os regulamentos. Mas queremos introduzi-lo um ano mais cedo, que é aquilo que todos agora pedem.” A Fórmula 1 entrou esta época numa nova era de motores, com unidades divididas aproximadamente 50/50 entre energia eléctrica e combustão, e a utilizar combustível totalmente sustentável. Alguns pilotos queixaram-se de terem de levantar o pé do acelerador nas curvas rápidas para permitir que o motor de combustão recarregue a bateria, e manifestaram preocupações de segurança relativamente ao arranque e às diferenças de velocidade durante a corrida. As regras, já ajustadas a tempo de Miami, tornaram-se também cada vez mais complexas, obrigando os adeptos a familiarizarem-se com novos conceitos como “superclipping” e a quantidade de megajoules permitida na recarga. Não é a primeira vez que Ben Sulayem defende uma mudança para V8 ou V10 - ainda com combustível sustentável - mas agora parece enfrentar menos resistência. O ciclo de motores actual deverá vigorar durante os próximos cinco anos. “A missão será menos complicação, não como agora”, afirmou. O presidente acrescentou que, segundo as regras, a mudança pode ser feita para 2030 se uma super-maioria de quatro dos seis fabricantes, incluindo o parceiro da Cadillac, a General Motors, votar a favor. Caso contrário, a FIA pode impor a mudança em 2031. A Mercedes fornece actualmente quatro equipas, a Ferrari três e a Red Bull duas em parceria com a Ford, enquanto a Honda e a Audi têm uma cada. A General Motors planeia produzir o seu próprio motor para a Cadillac, que actualmente corre com unidades Ferrari. Ben Sulayem disse que um V10 não é uma opção viável e que os V8 são os mais populares, além de estarem presentes em muitos automóveis de estrada. A Fórmula 1 utilizou pela última vez os ruidosos motores V8 entre 2006 e 2013, quando foram substituídos pelos muito mais silenciosos V6 de 1.6 litros turbo-híbridos. O V8 DFV da Cosworth foi amplamente usado desde os anos 60 até ao início dos anos 80. “Ganha-se o som, menos complexidade, menor peso”, disse Ben Sulayem sobre os V8. “Vão ouvir falar disto muito em breve e terá uma electrificação muito, muito reduzida. Estou optimista, eles querem que aconteça. Mas imaginemos que os fabricantes não aprovam (para 2030). No ano seguinte, acontece. Em 2031 está feito de qualquer forma. Vai acontecer. O V8 está a chegar.” Pilotos de Fórmula 1 reclamaram das mudanças de velocidade com novos motores Brian Snyder / REUTERS Reuters