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MÉDICOS DO SNS MANIFESTAM-SE HOJE NO PORTO CONTRA O COLAPSO DO SISTEMA DE SAÚDE

Executive Digest Online

2026-05-04 21:09:17

Ouça este artigo Clique para reproduzir O Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa uma das fases mais críticas da sua história, marcada por falhas estruturais que afetam diretamente milhões de portugueses. Este Dia Internacional do Trabalhador, 1.º de Maio, será palco de uma manifestação dos médicos do Norte do país, que se concentrarão na Avenida dos Aliados, no Porto, para exigir medidas imediatas que garantam a sustentabilidade do SNS e condições laborais dignas para os profissionais de saúde. A crise do SNS reflete-se em múltiplos indicadores preocupantes. Mais de 1,6 milhões de utentes não possuem médico de família, o que revela uma deterioração profunda dos cuidados de saúde primários e hospitalares. A situação agrava-se com o aumento das listas de espera para consultas e cirurgias, encerramentos permanentes de serviços de urgência e relatos de partos realizados em ambulâncias, símbolos de uma infraestrutura à beira do colapso. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem sido alvo de críticas por canalizar recursos públicos para prestadores privados. Em 2025, foram transferidos cerca de 250 milhões de euros para operadores externos, enquanto o Governo promoveu o regresso a Parcerias Público-Privadas e a entrega de hospitais a misericórdias. Estas decisões, segundo os sindicatos, prejudicam sobretudo doentes com patologias complexas, incluindo pacientes oncológicos, pessoas infetadas pelo VIH/Sida e portadores de doenças raras, aumentando a desigualdade no acesso a cuidados de saúde. O desinvestimento tem contribuído para um aumento do recurso a seguros de saúde privados, já utilizados por cerca de quatro milhões de portugueses, numa consequência direta da fragilização do SNS. Para os médicos, esta tendência representa um sinal alarmante do desvio de serviços públicos essenciais para o sector privado, comprometendo o direito universal à saúde. Condições de trabalho sob pressão Paralelamente à crise estrutural, os profissionais de saúde enfrentam alterações laborais que pioram significativamente as condições de trabalho. A reforma laboral em curso permite semanas de trabalho de até 50 horas, a imposição de bancos de horas, aumento da precariedade, horários desregulados e restrições ao exercício de direitos fundamentais como a parentalidade, a contratação coletiva, a greve e a ação sindical. Continue a ler após a publicidade O Sindicato dos Médicos do Norte sublinha que estas medidas representam uma ameaça não apenas à sustentabilidade do trabalho médico, mas também ao próprio SNS, tornando inviável a prestação de cuidados de saúde seguros e de qualidade. Em comunicado, o sindicato apelou “à participação de todos os profissionais de saúde e à cobertura mediática do protesto, para dar visibilidade a esta grave situação”. Protesto como exigência de soluções concretas A concentração prevista para a Avenida dos Aliados servirá como palco de reivindicações concretas: reforço imediato do SNS com equipas completas, vínculos laborais estáveis e dignos, e condições de trabalho justas. Os médicos consideram que só com estas medidas será possível garantir a continuidade e qualidade do serviço público de saúde. O Dia do Trabalhador assume assim, para a classe médica, um papel simbólico e estratégico: não se trata apenas de um protesto, mas de um alerta ao Governo e à sociedade sobre a urgência de investir no SNS e proteger os profissionais que mantêm o sistema a funcionar em circunstâncias cada vez mais adversas. Continue a ler após a publicidade Segundo o Sindicato dos Médicos do Norte, “é essencial que a população compreenda que a crise do SNS afeta todos, e que a mobilização dos médicos é uma forma de pressionar por soluções urgentes e estruturais”. Pedro Gonçalves