PAÍS - MILHARES ASSINALAM DIA DO TRABALHADOR
2026-05-04 21:09:17

Pelas ruas de Lisboa, milhares de pessoas manifestaram-se contra o pacote laboral. CGTP convoca greve geral para 3 de Junho Milhares de pessoas assinalaram ontem O Dia do Trabalhador nas ruas de Lisboa, onde se manifestaram contra o pacote laboral e com a greve geral marcada para 3 de Junho no horizonte. As milhares de pessoas que participaram nas comemorações do 1.0 Maio da CGTP desfilaram durante a tarde entre o Martim Mo-niz e a Alameda D. Afonso Henriques, onde foi promovido um comício sindical, que teve como orador principal o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira. Em passo lento, sindicalistas, trabalhadores, jovens e reformados empunhando tarjas, bandeiras e cartazes gritaram a uma só voz palavras de ordem como: “Não vamos desistir, o pacote é para cair”, “só interessa ao capital, o pacote laboral”, “o pacote laboral é retrocesso social” e “o povo está na rua, a luta continua”. Em declarações à Lusa, Tiago Oliveira afirmou que a principal reivindicação é a rejeição total dos trabalhadores ao pacote laboral”, sustentando que passados noves meses O conteúdo da legislação de alteração à lei do trabalho continua igual. “Sabemos que esta luta é prolongada, porque é um Governo que não vive as dificuldades de quem trabalha, não sabe qual a realidade da maioria dos trabalhadores e está de mãos dadas com a maioria dos patrões e tudo quer fazer para levar a cabo uma refor-ma laboral que é extremamente penalizadora para os trabalhadores”, disse, avançando que por isso a CGTP vai avançar com uma greve geral para 3 de Junho para “dar continuidade a esta luta”. “Vamos realizar uma grande greve geral. Vamos continuar a trilhar este caminho de denúncia, mas também de luta por uma vida melhor. Vamos continuar a trilhar este caminho de exigência da retirada do pacote laboral e que comecemos a discutir, isso sim, questões que permitam aos trabalhadores sair das circunstâncias que hoje se encontram”, declarou ainda o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses. O líder da CGTP estava a referir-se ao pacote laboral que o Governo pretende apresentar ao parlamento para introduzir mudanças pa Lei do Trabalho. “e sempre importante o dia 1 de Maio. e um momento de festa e de comemoração, mas é um momento de luta”, afirmou Oliveira. Segundo o secretário-geral da CGTP, o sindicato tem denunciado as grandes dificuldades que os trabalhadores estão a enfrentar actualmente. Tiago Oliveira destacou a importância de celebrar o 7 de Maio. UGT MANTeM POSIçAO CONTRA REFORMA LABORAL O secretário-geral da UGT garantiu que não vai ceder perante as "traves mestras” do Governo na reforma laboral, afirmou que as tentativas de dividir a UGT falharam e colocou a responsabilidade pelo resultado das negociações no executivo. Durante o discurso do 1.0 de Maio na festa dos trabalhadores organizada pela central no Centro Desportivo do Jamor, em Oeiras, Mário Mourão disse, sem nomear, que procuraram dividir a UGT, mas que a organização está hoje mais unida do que nunca e, de seguida, lembrou o que se passou desde que em Julho de 2025 o Governo de Luís Montenegro apresentou o anteprojeto de reforma laboral. MINISTRO PEDE PARECER IPGR SOBRE OBRAS ILEGAIS JUNTO A DEPÓSITO DA NATO O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, pediu um parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a "proliferação de construções ilegais” na zona de servidão militar do Depósito de Munições NATO de Lisboa. Em comunicado, o Ministério da Defesa refere que, "sendo preocupação do actual Governo a procura de uma resolução para esta questão", Nuno Melo remeteu há um mês, em 2 de Abril, um pedido de parecer ao Conselho Consultivo da PGR. Na nota, o ministério refere que "nos últimos 50 anos, tem-se verificado uma proliferação de construções ilegais” na zona de servidão militar do Depósito de Munições NATO de Lisboa, que "tem sido objecto de fiscalização pela Marinha, de levantamento de autos de notícia e de consequente despacho de embargo e/ou demolição, acções que têm vindo a ser reforçadas no decurso deste Governo”. PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEFENDE TRABALHO COM VIDA DIGNA O Presidente da República alertou para os actuais desafios enfrentados pelos trabalhadores, criticando a precariedade e defendendo um trabalho que assegure condições de vida dignas, numa mensagem do Dia do Trabalhador que evoca a luta por direitos. Numa nota divulgada pela Presidência da República por ocasião do 1.0 de Maio, António José Seguro sublinhou que "é através do trabalho” que cada um "constrói a sua vida, afirma a sua dignidade e contribui para a comunidade”, considerando que este dia não representa apenas uma data no calendário, mas a "afirmação de que a dignidade do trabalho é inseparável da dignidade humana”. “Este ano, O Dia do Trabalhador encontra-nos num tempo de muitas inquietações”, numa conjuntura marcada por guerras, desaceleração económica e aumento do custo de vida, uma inflação que "corrói o salário antes de ele chegar ao fim do mês” e um contexto em que "a inteligência artificial e a robótica estão a transformar o mundo do trabalho a uma velocidade que nenhuma geração anterior conheceu”. Acresce a isto a precariedade, que se instalou "em demasiados contratos, em demasiadas vidas, como se fosse uma inevitabilidade”, criticou o chefe de Estado. 1,5 MILHôES DE AUTODECLARAçôES DE DOENçA EM TReS ANOS O SNS 24 emitiu cerca de 1,5 milhões de autodeclarações de doença nos primeiros três anos do serviço, correspondendo a cerca de 1.350 declarações por dia, segundo um balanço dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS). Desde que a medida entrou em vigor no dia 7 de Maio de 2023, perto de 284 mil utentes atingiram o limite de duas baixas até três dias por ano, revelam os dados avançados à agência Lusa. Segundo os dados, O SNS 24 emitiu, entre os dias 1 de Maio de 2023 e 31 de Março de 2026, 1.424.665 autodeclarações de doença (ADD), sendo os canais digitais, nomeadamente a App e o Portal, os meios preferenciais para pedir a declaração.