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A CHINA DITA AS NOVAS REGRAS DA MOBILIDADE ELÉCTRICA E INTELIGENTE

Público

2026-05-04 21:09:17

O Auto China em Pequim serviu para demonstrar que a autonomia e a velocidade de carregamento deixaram de ser obstáculos técnicos, enquanto a condução autónoma se prepara para chegar às ruas. Sérgio Magno, em Pequim a A edição de 2026 do Auto China marcou um momento de consolidação para a indústria automóvel global, reafirmando Pequim como o epicentro das decisões tecnológicas do sector. O Centro de Exposições Internacional da China apresentou números que ajudam a compreender a escala deste evento: uma área de exposição que atingiu os 380 mil metros quadrados, distribuída por pavilhões que acolheram mais de uma centena de marcas distintas. E, com uma afluência de visitantes que superou a marca dos 800 mil, o certame de Pequim ultrapassou em dimensão e relevância os tradicionais salões europeus e norte-americanos. A organização centrou a dinâmica do evento na integração de sistemas inteligentes e na sustentabilidade, num ambiente onde a presença de fabricantes locais e internacionais revelou um equilíbrio de forças cada vez mais favorável à engenharia oriental. Este cenário não se limita apenas à exibição de novos modelos, servindo como barómetro para o que os condutores poderão encontrar nos concessionários nos próximos anos. A ascensão do segmento premium Ao percorrer os diversos pavilhões, torna-se evidente que a electrificação deixou de ser uma tendência de futuro para se tornar o padrão actual da indústria. A discussão já não se centra na viabilidade dos motores eléctricos, mas sim na eficiência dos sistemas de gestão de energia e na redução dos tempos de imobilização para carregamento. Paralelamente, a condução autónoma registou avanços significativos, com a demonstração de sistemas de nível 3 e 4, que utilizam inteligência artificial para interpretar o ambiente rodoviário com uma precisão que, há poucos anos, parecia impossível fora de ambientes controlados. Estes sistemas dependem agora de arquitecturas de computação centralizada e de sensores Lidar de nova geração, que foram apresentados por diversos fornecedores tecnológicos durante o certame. Outro aspecto relevante deste salão foi a mudança de estratégia dos fabricantes chineses, que abandonaram definitivamente a imagem de produtores de veículos de baixo custo para apostar no segmento premium. Esta transição é defendida através de uma qualidade de construção que rivaliza com as marcas históricas europeias e da inclusão de tecnologias de bordo que transformam o habitáculo numa extensão do espaço digital do utilizador. O recurso a materiais nobres e o cuidado com a ergonomia indicam que estas marcas pretendem captar clientes que, até aqui, eram fiéis a insígnias alemãs ou britânicas. A justificação para este movimento assenta na necessidade de maiores margens de lucro e na percepção de que a tecnologia é, actualmente, o principal factor de diferenciação no mercado de luxo. Modelos em destaque No topo das inovações apresentadas em Pequim surge o EVA Cab, um projecto que redefine a utilidade dos veículos urbanos. Desenvolvido para operar em redes de transporte autó- nomo, este modelo abdica da confi# guração tradicional de um automóvel privado para maximizar o conforto dos passageiros. O interior foi desenhado para facilitar a mobilidade em centros urbanos congestionados, utilizando uma plataforma eléctrica optimizada para o uso intensivo. A ausência de controlos físicos para o condutor permite uma reorganização total do espaço, transformando cada viagem numa experiência de produtividade ou repouso. A exploração da mobilidade aérea também teve uma representação marcante com o Xpeng Aircraft Land Aircraft Carrier. Este sistema modular é composto por um veículo terrestre de seis rodas e uma pequena aeronave eléctrica que pode descolar verticalmente a partir da secção traseira. O conjunto, que tem um valor de referência de cerca de 290 mil euros, visa oferecer uma solução para trajectos onde a infra-estrutura rodoviária se revela insuficiente, permitindo que a aeronave realize voos de curta distância enquanto o veículo de apoio assegura o transporte terrestre e o carregamento das baterias do módulo voador. Para o mercado europeu, e especificamente para o contexto urbano português, o Smart #2 assume um papel de relevo. Este novo modelo marca o regresso da marca ao conceito de dois lugares, respeitando as dimensões compactas que tornaram o Smart original num sucesso nas cidades. A tracção é exclusivamente eléctrica e a arquitectura interna foi simplificada para oferecer uma maior agilidade. O design actualiza as linhas clássicas com uma estética mais fluida, mantendo a facilidade de estacionamento como o principal argumento para quem circula diariamente nas cidades europeias. A Hyundai apresentou em Pequim o Ioniq V, um modelo que importa não confundir com uma evolução do conhecido Ioniq 5. A letra V lê-se como a letra do alfabeto e não como o numeral romano. Este automóvel é uma proposta futurista e altamente tecnológica que, por agora, será um exclusivo do mercado chinês. O Ioniq V destaca-se por uma lingua-gem de design radicalmente diferente e por um interior que parece saído de um filme de ficção científica, focando-se numa integração profunda com os ecossistemas digitais locais. É uma demonstração de como os fabricantes globais estão a criar produtos específicos para responder à sofisticação do mercado asiático. AZeekrconfirmouemPequimque o novo 7GT chegará a Portugal mais para o final do corrente ano. Este modelo apresenta-se como uma proposta de elevado desempenho, com-binando a versatilidade de uma carrinha desportiva com a eficiência de um motor eléctrico de última geração. O habitáculo destaca-se pelo minimalismo e pela integração de sistemas de assistência à condução que prometem elevar os padrões de segurança. A chegada deste modelo ao mercado nacional será um momento importante para avaliar a receptividade do público português a novas marcas de posicionamento elevado. Outra novidade com destino confirmado para as estradas portuguesas é o Geely EX2 (ou E2). De acordo com informações obtidas junto de fontes próximas da operação, este modelo compacto será uma das peças centrais da expansão da marca no nosso país. O E2/EX2 foca-se na funcionalidade e na acessibilidade, oferecendo uma solução eléctrica para famílias que procuram um veículo prático para o dia-a-dia sem os custos elevados de modelos de segmentos superiores. A simplicidade de construção e a robustez do sistema eléctrico são os pontos que a marca destaca para este lançamento. No campo das baterias, a CATL apresentou novas células que estabelecem um recorde de densidade energética para produção em série. Estas baterias utilizam uma química avançada que permite reduzir o peso e o volume dos pacotes energéticos sem sacrificar a capacidade. De acordo com a empresa, a tecnologia permite atingir autonomias que eliminam a preocupação com o carregamento em viagens de longa distância. A implementação destas células em modelos de produção deverá ocorrer já no próximo ano, beneficiando directamente a eficiência de diversos fabricantes que utilizam os componentes deste fornecedor. Ainda no domínio do armazenamento de energia, a CALB apresentou um protótipo de bateria de estado sólido que reclama a maior densidade energética da feira, atingindo os 600 Wh/kg. Este valor representa um salto significativo face às baterias de iões de lítio actuais (normalmente na casa dos 200 Wh/kg), prometendo veículos mais leves e com uma segurança térmica muito superior. Embora a produção em larga escala ainda enfrente desafios de custos, a demonstração desta tecnologia em Pequim prova que a barreira técnica para os mil quilómetros de autonomia real está prestes a ser ultrapassada através de novas abordagens químicas. A BMW aproveitou o palco chinês para revelar a nova variante do i7, adaptada às exigências tecnológicas daquele mercado, mas com implicações globais. O sedan de luxo da marca bávara reforça a componente digital, com sistemas de entretenimento traseiro e funções de automação que podem ser operadas via comandos de voz avançados. A integração de novos módulos de inteligência artificial, desenvolvidos em parceria com a Rimac para o sistema de bateria, permite uma densidade energética 20% superior. Esta versão demonstra o esforço da marca em manter a liderança no segmento de luxo face à crescente concorrência local. A Audi chinesa até o logótipo é diferente apresentou em estreia mundial o E7X, o segundo modelo de produção da sua nova marca exclusiva para o mercado chinês, desenvolvida em parceria com a SAIC. Este SUV de grandes dimensões, com mais de cinco metros de comprimento, utiliza a Advanced Digitized Platform e conta com uma bateria de 109 kWh, permitindo uma autonomia superior a 750 quilómetros no ciclo CLTC. O interior destaca-se pelo Audi Assistant, um companheiro de viagem movido por inteligência artificial, e por um ecrã de 21,4 polegadas que desce do tejadilho para os passageiros traseiros. É um exemplo de como a marca está a fundir a engenharia alemã com a sofisticação digital exigida pelo mercado asiático. Um dos destaques mais imponentes para o futuro do mercado nacional é o M-Hero 817. Sabemos ser muito provável que este modelo chegue a Portugal brevemente e a razão é técnica: ao contrário da versão anterior, que ultrapassava as 3,5 toneladas e exigia carta de condução de pesados, o novo 817 apresenta um peso em ordem de marcha de cerca de 2,9 toneladas. Esta redução permite que o veículo seja conduzido com uma carta comum de ligeiros de passageiros, eliminando uma barreira importante para o sucesso deste todo-o-terreno de luxo em território europeu. O modelo mantém a estética robusta e a capacidade de ultrapassar obstáculos exigentes, mas agora num pacote mais compatível com a legislação de condução do dia-a-dia. Finalmente, a BYD demonstrou a sua tecnologia Flash Charging, que se foca na rapidez de transferência de energia. Durante o certame, a marca comprovou que o sistema consegue lidar com condições meteorológicas extremas, mantendo a eficácia mesmo em carregamentos efectuados a temperaturas de 30 graus negativos. Graças a um sistema de aquecimento inteligente por impulsos, a bateria consegue atingir a temperatura ideal de recepção de carga em poucos minutos, permitindo recuperar dos 20 aos 97 por cento da capacidade em cerca de 12 minutos, mesmo em pleno Inverno árctico. Esta demonstração é crucial para mercados com climas rigorosos e para garantir que a infraestrutura de carregamento mantém a fiabilidade independentemente da estação do ano. A Fugas viajou a convite da Salvador Caetano Ao lado, um robô humanóide e um cão-robô no stand da Deepal e o Smart #2; em baixo, o BMW i7 e o Ioniq V Sérgio Magno