SINDICATO ESTIMA ADESÃO DE 60% NA GREVE DOS TRABALHADORES DA SAÚDE
2026-05-04 21:09:18

A greve dos trabalhadores da saúde, iniciada esta segunda-feira, regista uma adesão estimada em cerca de 60%, segundo o sindicato. A paralisação já se faz sentir em consultas externas e cirurgias programadas em vários hospitais. Os profissionais denunciam ainda alegadas pressões e mantêm as reivindicações por melhores condições de trabalho. (Em atualização) Os trabalhadores da saúde iniciam esta segunda-feira uma greve de dois dias para reivindicar melhores salários e condições dignas de trabalho, um protesto que inclui também uma manifestação em Lisboa. “A greve abrangerá todos os trabalhadores do setor da saúde, independentemente do vínculo, carreira ou filiação sindical, e decorrerá entre as 00h00 e as 24h00 dos dias 4 e 5 de maio”, refere o pré-aviso do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS). Com esta paralisação, o sindicato exige do Governo e das entidades empregadoras a “reposição dos pontos retirados aos trabalhadores” no âmbito do sistema de avaliação, a “contratação urgente” de pessoal, que permita terminar com o "uso e abuso dos turnos suplementares e cargas horárias de 14 e 16 horas de serviço contínuo", e a reposição das “horas não pagas e não gozadas”. A estrutura sindical justifica ainda os dois dias de greve, que está sujeita a serviços mínimos, com a necessidade de os trabalhadores do setor se manifestarem contra o pacote laboral apresentado pelo Governo, estando agendada para a manhã desta segunda-feira uma manifestação junto ao Hospital Santa Maria, em Lisboa. Greve dos trabalhadores da saúde com 60% de adesão O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS) estimou esta segunda-feira que a greve dos trabalhadores da saúde esteja a ter uma adesão de 60%. “Neste momento (pelas 10h00) estamos com uma adesão de 60%. Ainda é muito cedo, há mudanças de turnos às 15h00, portanto teremos números mais exatos por volta desse horário”, disse aos jornalistas Mário Rui no início de uma concentração em frente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Na concentração de trabalhadores com cerca de 20 pessoas, Mário Rui adiantou que as consultas externas e as cirurgias programadas são alguns dos serviços afetados pela greve. Mário Rui disse que espera uma “forte adesão” porque já ocorreram tentativas para “desviar os trabalhadores da greve” no Hospital de Braga, Hospital de São Teotónio (Viseu) e no Hospital de São José (Lisboa). “Fomos confrontados com algumas tentativas por parte das administrações e das chefias que estão a tentar desviar os trabalhadores da greve, com ameaças de processos disciplinares. Não os deixaram faltar ao serviço, ligaram-lhes para casa”, explicou Mário Rui. O responsável disse que a greve abrange todos os trabalhadores da saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos, auxiliares de saúde e assistentes operacionais. Em relação às revindicações da greve, explicou que “há um problema grande em relação ao pagamento das horas extraordinárias” e que os trabalhadores da saúde “querem realmente ser ouvidos”. A falta de progressão nas carreiras e do correspondente aumento de salários também foi apontado pelo dirigente, que lembrou que há casos pendentes desde 2023. O presidente do STTS disse também que os trabalhadores exigem uma carreira nova para os técnicos auxiliares de saúde, que não é revista “há muito tempo”. “Os trabalhadores estão cansados. Neste momento muitos deles nem sequer as horas extras têm em dia”, exemplificou Mário Rui. Referiu ainda que quando foi lançando o pré-aviso de greve, na quarta-feira passada, foi enviado um pedido reunião para o Governo com a hipótese de suspender a greve, mas o sindicato não obteve nenhuma resposta. Para 12 de maio já foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) uma outra greve nacional, que vai abranger os setores público, privado e social para exigir ao Governo que “resolva vários problemas” para dignificar a profissão. Greve na saúde adia consultas e sindicato denuncia pressões sobre funcionários A greve de trabalhadores da saúde levou a que consultas marcadas há um ano fossem desmarcadas e, segundo o sindicato que convocou a paralisação, alguns funcionários foram pressionados a trabalhar pelas chefias. “Eu tinha uma consulta de oftalmologia marcada há um ano e entretanto cheguei cá e o médico não apareceu”, disse à Lusa Emília Alves, 65 anos, à saída do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. A paralisação, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS), vai decorrer segunda e terça-feira entre 00:00 e as 24:00. Por volta das 10:00, o presidente do STTS, Mário Rui disse que a greve estava com uma adesão de 60% e que as consultas externas e as cirurgias programadas são alguns dos serviços afetados pela greve. Emília Alves disse que esperou uma hora pelo médico e que não sabe para quando a consulta será remarcada. “Tirei um dia de férias para isto”, lamentou. Outro utente, Fernando Bernardes, de 78 anos, que vive em Torres Vedras, foi ao Hospital de Santa Maria fazer análises, mas não conseguiu. “Eu tinha análises marcadas para as 08:57. Já passava da hora e disseram-me que estavam em greve e que não faziam análises”, disse Fernando Bernardes. Na terça-feira, o utente fará nova tentativa de fazer as análises, embora sem certezas uma vez que a greve se estende até esse dia. Apesar das consultas e análises adiadas por causa da greve, a dirigente sindical da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins públicos (Fesap) Cristina Guerreiro disse que há auxiliares e técnicos de saúde a serem pressionados a trabalhar durante a greve. Na Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental uma “enfermeira-chefe está a impedir os auxiliares de fazerem greve”, disse Cristina Guerreiro, indicando que recebeu telefonemas a reportar a situação. A dirigente sindical da Fesap, a federação que integra o STTS, indicou que a enfermeira chefe da ULS Lisboa Ocidental também não está a deixar os enfermeiros fazer greve. “[A enfermeira chefe] diz que têm que ficar. Que têm que ficar, que as pessoas não podem ir embora. [Os funcionários] têm que fazer as coisas, isto é ridículo” e na opinião de Cristina Guerreiro constitui uma imposição. Segundo a dirigente sindical, os casos de funcionários pressionados a ir trabalhar acontecem no Hospital Egas Moniz e no Hospital de São Francisco Xavier, que fazem parte da ULS Lisboa Ocidental. Por outro lado, o presidente STTS, Mário Rui disse que há situações de trabalhadores a receberem ameaças de processos disciplinares se fizerem greve no Hospital de Braga, Hospital de São Teotónio (Viseu) e no Hospital de São José (Lisboa). “Fomos confrontados com algumas tentativas por parte das administrações e das chefias que estão a tentar desviar os trabalhadores da greve, com ameaças de processos disciplinares. Não os deixaram faltar ao serviço, ligaram-lhes para casa”, contou o presidente do sindicato. O responsável disse que a greve pelo pagamento de horas extras e progressão nas carreiras abrange todos os trabalhadores da saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos, auxiliares de saúde e assistentes operacionais Para 12 de maio já foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) uma outra greve nacional, que vai abranger os setores público, privado e social para exigir ao Governo que “resolva vários problemas” para dignificar a profissão. [Additional Text]: Trabalhadores da saúde iniciam greve nacional de dois dias por melhores salários e condições de trabalho Profissionais de saúde num hospital Agência Lusa