PARA CHEGAR AO CORAÇÃO DOS CLIENTES É PRECISO ABRIR AS PORTAS
2026-05-05 21:06:06

A 2.ª edição da Solarshop Experience quase duplicou o número de visitantes em relação a 2025, afirmando o crescimento da empresa distribuidora de soluções para o mercado solar fotoelétrico, agora mais internacional, fruto da sua ligação ao Grupo francês Axdis Pro. O evento resume uma estratégia comercial ancorada na proximidade com os clientes. “Para chegar ao coração de alguém é preciso abrir a porta e a nossa está sempre aberta”, diz-nos Tiago Cardoso, Diretor de Marketing da Solarshop. A Solarshop Experience que se realizou entre os dias 12 e 14 de março, na sede da Solarshop, na Junqueira, arredores de Ansião, recebeu cerca de 800 clientes, instaladores e convidados em geral, na maioria ligados ao setor solar fotoelétrico, que durante os três dias do evento puderam avaliar soluções para os seus negócios, trocar experiências, conhecer novidades, esclarecer dúvidas e conviver. Com várias apresentações em forma de open table [mesa aberta], um modelo que estimula a participação da assistência numa atmosfera descontraída e informal, o evento profissional incluiu uma feira técnica de equipamento com a participação de uma quinzena de marcas fabricantes que integram o portefólio de distribuição da Solarshop. Numa zona preparada para o efeito com espaço de acolhimento próprio estiveram representadas as marcas TW Solar, HD-Hyundai Energy Solutions, DAH Solar, Sunwoda Energy, Solis, Hoymiles, Huawei, Weco, Thaleos, Solplanet, DMEGC Solar, Titan Frame, Enstall e FOX Ess. Na ocasião, os visitantes puderam tomar contacto com novos produtos e soluções e solicitar esclarecimentos junto dos representantes das marcas, bem como dos colaboradores da Solarshop. Entretanto, cerca de uma dezena de oradores participou nas open table , oferecendo uma abordagem dinâmica sobre o andamento do mercado e as soluções disponíveis, com muitas dúvidas e respetivos esclarecimentos a surgirem da interação entre oradores e assistência. Em linha com o seu ADN de origem, a Solarshop valida, deste modo, uma estratégia de crescimento sustentado, diversificação ativa do negócio e uma operação desenhada para estar próxima dos clientes e das suas necessidades práticas, promovendo as pontes necessárias entre as marcas que distribui e essa proximidade eficiente de serviço em todas as suas etapas comerciais. Conversa aberta As open table do primeiro dia iniciaram-se com a intervenção de André Pedro, Diretor de Marketing da Fox Ess, fabricante de inversores e soluções de armazenamento de energia, marca detida pelo Grupo chinês Tsingshan, o maior produtor mundial de aço inox e níquel. André Pedro salientou a importância de “fazer o trabalho bem feito, separando o trigo do joio”, assegurando níveis adequados de profissionalismo na montagem de equipamentos, e recomendou maturação necessária como condição para uma eficaz integração de Inteligência Artificial, ainda que considere imperativo “adaptar os equipamentos à exigência dos clientes, às suas expectativas e necessidades.” Duarte Ribeiro, Gestor Comercial da Solis em Portugal, explicou os novos rumos estratégicos da companhia, terceira maior fabricante mundial de inversores fotovoltaicos e que agora se lança no segmento do armazenamento de energia. Frederic da Fonseca, responsável da Thaleos e administrador na Solarshop, partilhou a história da marca francesa que começou a produzir equipamentos para hotéis de luxo e tem hoje um variado portefólio onde se incluem bombas de calor, equipamentos de climatização e um invulgar AC com uma lâmpada LED que destrói bactérias. As sessões do segundo dia contaram com quatro intervenções. Pedro Lima, CEO da Solarshop falou sobre instalações off-grid, traçando um quadro de desenvolvimento do setor num contexto de sucessivas crises de energia; Tiago Antunes centrou a sua intervenção na importância da proximidade comercial com instaladores e a preparação técnica no setor solar; José Toscano, Chefe de Divisão na DIEC (Divisão de Instalações Eléctricas e Combustíveis) na Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), trouxe ao evento uma abordagem técnica sobre a certificação de instalações elétricas de serviço particular alimentadas em média tensão de tipo B e autoconsumo associado UPAC; Manuel Cardoso, Solar Pv Channel Manager na Huawei, encerrou as open table enquadrando a oferta da gigante global chinesa no mercado solar. No terceiro e último dia do evento, mais duas intervenções em auditório. Tiago Cardoso, Diretor de Marketing da Solarshop, apresentou a nova marca Titan Frame, uma linha de estruturas em alumínio anodizado para fixação de painéis solares em edifícios residenciais, um projeto desenvolvido internamente pela empresa de Ansião e que agora chega ao mercado. Sebastián González, Country Manager para Portugal e Espanha na Hoymiles, falou da oferta comercial da marca no segmento dos micro inversores e soluções de armazenamento. E como a vida não é só trabalho, a Solarshop Experiente 2026 terminou em festa, com a atuação do cantor Toy. Tiago Cardoso: “queremos desenvolver marcas e soluções próprias” O Diretor de Marketing da Solarshop reforça a ambição que já se tornou motor de uma empresa que viajou de Ansião para o mundo, agora integrada num porta-aviões global. Já este ano, a Solarshop lançou uma marca própria de estruturas para projetos solares e estão em marcha novos projetos de serviços de manutenção e consumíveis técnicos. Inalterável mantém-se a filosofia de proximidade com os clientes. Renováveis Magazine (RM): Esta é a 2.ª edição da Solarshop Experience. O que é que ficou da 1.ª edição para justificar uma 2.ª maratona? Tiago Cardoso (TC): Ficou uma ideia que temos fomentado cada vez mais, que é a proximidade com os nossos clientes. Não ser apenas uma distribuidora de produtos, mas também de serviços e companheirismo. E isto é cada vez mais diferenciador. É algo que nem todas as empresas estão dispostas a fazer e nós aqui queremos e sabemos como fazer. Os frutos que colhemos são importantes. Não se trata apenas de fidelizar clientes, de garantir volume, faturação, entre outros. Claro que isso é vital, pois sem faturação nenhuma empresa sobrevive, mas isto é a família alargada Solarshop. Temos clientes que estão sempre presentes em qualquer evento. São como se fossem da família, pois esse cliente, mesmo que um dia, por variadas razões, decida comprar equipamento a outra empresa, mantém sempre uma linha de contacto. E muitas vezes volta. Até porque percebeu a diferença. E também há os clientes que estão connosco desde o início e dificilmente mudarão. Para além de termos o coração aberto, temos sempre as portas abertas. Para chegar ao coração das pessoas é preciso abrir primeiro a porta. Para que os nossos clientes percebam como funciona o processo interno, percebam como são efetuados e executados os seus pedidos e conheçam as pessoas que aqui trabalham, desde o CEO ao colaborador que lhes atende o telefone. RM: Quantas pessoas passaram por aqui nestes três dias? TC: Na edição do ano passado tivemos mais de 500 pessoas e este ano foram cerca de 800 visitantes, o que torna o evento muito significativo. Basta lembrar que a feira de maior volume no mercado nacional neste setor, a ENERH20, na EXPONOR, recebe cerca de 2300 pessoas em dois dias. E estamos a falar de uma organização de outra dimensão. As pessoas não vão lá apenas ver a Solarshop, mas uma infinidade de marcas e expositores. RM: Agora já não é apenas a frequência dos eventos climáticos extremos, mas passámos a ter eventos geopolíticos extremos também frequentes, o caso das guerras. Como é que na vossa área de negócio têm enfrentado estes embates? TC: A guerra na Ucrânia, por exemplo, aumentou a procura de sistemas de auto-sustentação energética. As pessoas procuraram alternativas à dependência exclusiva da rede pública. Mas acrescentaria que, nesta perspetiva de impacto no mercado, a guerra da Ucrânia se transformou num não tema . Todos os mercados se adaptaram entretanto. Já sobre o Médio Oriente, há impactos mais presentes e já sentimos alguma matéria-prima a querer escalar preços. Ainda existe muito stock mas já se fala numa taxa aplicável ao transporte marítimo de cerca de 150 dólares para contentores de 20 pés e 300 dólares para contentores de 40 pés. Isto representa mais de 10% do que custa o envio médio de um contentor desde a China para a Europa. Se o conflito se arrastar é certo que os preços vão subir, o que já está a acontecer com os combustíveis e, por essa via, vai ter impacto no preço final de bens e equipamentos. RM: Na sua opinião poderá existir uma contaminação indireta que afete outras cadeias de abastecimento? TC: Esperemos que as perturbações permaneçam naquele eixo e não virem para o Egipto, nesse caso afetando o Suez. Nesse cenário, teríamos rutura de abastecimento, pois a maioria do equipamento que vendemos no fotovoltaico é de origem asiática. E substituir a rota do Canal do Suez pelo sul de África, demoraria mais tempo, implicando o aumento de custos para os produtos transportados. RM: Na nossa última conversa, em Maio passado, dizia-me que o apagão tinha impulsionado a procura de baterias e sistemas de backup. Que balanço é possível fazer agora? TC: Foi sendo um crescendo contrariedades. Primeiro o apagão , depois a isenção da taxa reduzida de IVA, que representou um aumento de 17% à cabeça para o cliente final. Num sistema fotovoltaico, esse valor já representa, em média, uma soma considerável. Chegamos a 2026 e a região centro é varrida pelo comboio de tempestades . Houve habitações que estiveram um mês sem energia elétrica e os geradores não resolveram tudo. Ora, se pudermos ter um bom sistema solar fotovoltaico, com inversor, um bom sistema de backup e baterias que nos dá para enfrentar eventualidades e, ainda nos beneficia em termos de despesa energética, é fácil perceber as vantagens. Um sistema fotovoltaico representa um investimento inicial, de facto, mas tem uma rentabilidade/ retorno muito superior a que qualquer banco asseguraria se aquele dinheiro estivesse depositado. No momento atual de mercado, dependendo da complexidade e dimensão do sistema, pode pagar-se entre ano e meio e cinco anos. Mas também é verdade que, sobretudo na zona centro, as pessoas e empresas que tiveram casas destruídas e estragos de vulto nas suas habitações e instalações, compreensivelmente, vão querer canalizar as ajudas e os investimentos para reconstruir e terão menos disponibilidade para investir em sistemas de poupança de energia. Mas também haverá outros menos afetados que agora pretenderão assegurar sistemas de poupança e acumulação de energia que os protejam em relação a eventos futuros. RM: É diferente o tempo de retorno do investimento, seja no mercado residencial, comercial ou industrial? TC: Sim, é verdade. O investimento é diferente e em regra os sistemas comerciais e industriais são desenhados para assegurarem 24 horas de função. Em nossas casas, se o sistema instalado incluir apenas painéis, sem baterias, temos a disponibilidade da energia durante o período do dia e à noite estamos a gastar energia de outra fonte, pois o sistema está inativo. Se incluir bateria, já conseguimos usar a energia acumulada durante o dia. As fábricas otimizadas requerem muita potência e as baterias também são otimizadas para que, por vezes, até possam ser carregadas quando a energia está a preços mais reduzidos. Claro que os níveis de investimento são diferentes, mas as possibilidades de gestão também. Em casa pode investir 5 mil euros e na fábrica meio milhão, mas pode acontecer que a fábrica consiga obter o retorno do investimento mais rapidamente do que o cliente residencial. Cada caso é diferente. RM: Em relação aos dinheiros do PRR, já tem referido que muitas empresas tinham projetos fotovoltaicos em suspenso devido aos atrasos na chegada do dinheiro. A situação melhorou entretanto? TC: Diria que melhorou. Alguns projetos que tínhamos em carteira avançaram entretanto, entre final do ano passado e início de 2026. Diria que a situação, não sendo perfeita, já é positiva. RM: A integração da Solarshop no Grupo francês AXDIS Pro mudou a vossa vida empresarial? TC: Continuamos a ter o ADN Solarshop. As pessoas são as mesmas e a linha de pensamento estratégico segue o seu rumo. O grupo trouxe, obviamente, uma visibilidade diferente, mais-valias de negócio e mais parceiros a quererem trabalhar connosco. É um Grupo que já fatura quase um bilião de euros e isso dá robustez e acesso a outros mercados. O mercado francês já estava muito trabalhado, mas em relação a Espanha temos expandido o negócio, trazendo nós essa componente geográfica para dentro do grupo no seu conjunto. RM: Como é que está a correr? TC: Muito bem. Já tínhamos alguns negócios em Espanha ainda antes desta integração, mas, entretanto, aumentámos a nossa presença e contratámos uma comercial de origem espanhola, a Rosario Sarasqueta. RM: A Solarshop também comercializa equipamentos para a mobilidade elétrica (carregadores VE e outros). A que ritmo têm desenvolvido essa área de negócio? TC: Durante muito tempo, esse mercado público foi regulado por uma entidade única, a Mobi.E. Tudo passava por ali até 2026, quando esta entidade deixou de ser a gestora central e única da rede de carregamento de veículos, abrindo mais possibilidades de introdução no negócio, se bem que nós estamos mais presentes no mercado residencial ou no mercado empresarial de baixa potência. Os grandes projetos são tratados diretamente entre os fabricantes e as empresas usuárias. Em regra não passa pelo distribuidor. RM: Falemos de Titan Frame. Aliás, fez uma apresentação sobre o tema nesta Solarshop Experience. TC: Titan Frame foi um devaneio [risos..]. RM: há grandes negócios que nascem de devaneios TC: Mais a sério foi uma ideia ousada, digamos, algo que eu já tinha pensado quando entrei para a Solarshop, pois tinha feito antes o desenvolvimento de uma estrutura, trazia contactos e conhecimento. Estamos a falar de um sistema de estruturas de fixação para painéis solares residenciais que se diferencia no mercado pelo facto de ser totalmente fabricada em alumínio anodizado, oferecendo uma grande capacidade protetora face aos elementos climáticos presentes em Portugal, como a alta salinidade costeira, a humidade e, em geral, a variação de temperatura. A marca foi, entretanto, registada sob alçada da Solarshop. O processo começou em dezembro de 2024 e apresentámos a marca durante este evento. Isto dá a ideia do cuidado e do tempo que investimos na escolha dos materiais e do fornecedor, na produção e no acabamento final. Além disso, posso dizer que teremos uma abordagem de preços muito agressiva em relação ao que é normal no mercado. RM: Desafios para 2026/27? TC: Cada vez mais pensarmos a Solarshop como um parceiro de soluções integradas e complementares. Já temos no Grupo a Thaleos, que se ocupa de sistemas de climatização, agora a Titan Frame na parte das estruturas. Queremos continuar com as marcas parceiras de longa data mas, de certa forma, começar a traçar caminho próprio com algumas marcas e modelos de negócio que se possam enquadrar e que sejam nossos, da Solarshop. Por exemplo, já vendemos milhares de painéis fotovoltaicos e inversores, mas estes equipamentos precisam de manutenção e de planos de manutenção, de produtos específicos adequados a essa manutenção, entre outros. Nos próximos meses vamos ter marca própria ou produto próprio para essa área e cada vez mais vai ser esta a nossa estratégia, ou seja, fornecer a solução em termos de equipamento e tudo o que seja necessário no seu tempo de vida. A Solarshop comercializa módulos solares, inversores, baterias, soluções off-grid e kit s de autoconsumo, serviços de planeamento de instalações e assistência técnica. Tem dois centros de distribuição - em Junqueira, Ansião, e na Venda do Pinheiro em Lisboa - e presença física em Espanha. Começou a atividade em 2011 como empresa instaladora criada pelo atual CEO, Pedro Lima, e no ano seguinte era já uma plataforma de compras online de equipamentos fotoelétricos. Em abril de 2025 a Solarshop foi integrada no Grupo Axdis Pro. Carlos Saraiva