CAMPANHA - LISBOA: FARMÁCIAS REFORÇAM RASTREIO DO CANCRO COLORRETAL
2026-05-05 21:06:06

Mais de 130 farmácias lisboetas estão a disponibilizar rastreios gratuitos ao cancro colorretal, numa campanha que pretende aumentar a adesão a um dos programas de prevenção com menor participação em Portugal. Farmácia Morais Sarmento, em Lisboa, foi escolhida para o arranque formal da campanha “Lisboa unida na luta contra o cancro colorretal”, que disponibiliza rastreios gratuitos em farmácias do concelho até 30 de abril. A iniciativa é promovida pela MovSaúde Associação Pela Prevenção da Doença Oncológica, em parceria com a Europacolon Portugal e a Associação Nacional das Farmácias (ANF), com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Numa visita de acompanhamento da iniciativa, realizada a 24 de março, foi possível observar o funcionamento na prática. Entre os primeiros participantes esteve Maria João Carvalho, utente da farmácia, que já realizava este exame em contexto hospitalar por recomendação do médico assistente. Desta vez, optou pela farmácia Morais Sarmento, destacando a conveniência e a facilidade de acesso. Joana Moreira, diretora-técnica da Farmácia Morais Sarmento, destaca que «contactamos diariamente com muitos cidadãos, o que constitui uma oportunidade única de alargar estes rastreios a pessoas que, de outra forma, dificilmente teriam acesso a eles». A confiança dos utentes é outro fator determinante: «confiam nos farmacêuticos e nos nossos conselhos. Explicamos o processo, desmistificamos o exame e acabam por perceber que é simples, prático e realizado num local que lhes é familiar». A operacionalização do rastreio exigiu organização interna, com uma farmacêutica dedicada à logística e acompanhamento do processo. No entanto, toda a equipa está envolvida, sabendo como informar e agir. Carolina Rodrigues, a farmacêutica responsável pelo rastreio, confirma a adesão: «Recebemos, inicialmente, 15 kits e todos já estão reservados». O rastreio destina-se a pessoas entre OS 45 e OS 64 anos e é divulgado diretamente no atendimento, bem como atrav/és de materiais informativos. O conhecimento prévio dos utentes, aliado à orientação dos farmacêuticos, facilita a participação. Carolina Rodrigues revela como o procedimento é simples: após uma breve explicação do processo, o utente leva o kit para casa, recolhe a amostra e entrega-a posteriormente na farmácia. Os resultados ficam disponíveis entre uma e duas semanas e, em caso de resultado positivo, a Europacolon entra em contacto com a pessoa, assegurando um acompanhamento personalizado. Farmácias têm infraestruturas e equipas preparadas O rastreio do cancro colorretal é um dos três rastreios populacionais em vigor em Portugal. No entanto, a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, alerta que «as taxas de adesão são muito baixas». O objetivo da campanha passa por demonstrar que, através do envolvimento das farmácias e da articulação com o poder local, é possível «potenciar a divulgação da pertinência deste rastreio junto da população elegível e facilitar não apenas a entrega do kit, mas também a sensibilização de quem deve realizá-lo e de que forma o pode fazer». «A nossa intenção é mostrar que esta iniciativa resulta e que, de facto, conseguimos identificar pessoas que, de outra forma, não teriam realizado o rastreio, devendo ser reencaminhadas atempadamente para cuidados médicos», acrescenta Ema Paulino.com OS resultados obtidos, será possível sensibilizar os decisores políticos e, eventualmente, alargar o modelo a outras autarquias «para abranger uma maior fatia da população». Do ponto de vista das infraestruturas, «as farmácias estão preparadas» e, no que diz respeito à preparação das equipas, «realizámos um webinar com todos os parceiros», que permitiu atualizar competências já existentes nas equipas e garantir a execução consistente do processo. Pedro Silva, responsável pelas Parcerias Estratégicas da ANF, destaca a forte adesão das farmácias. No total, foram disponibilizados 4 000 kits nas 131 farmácias aderentes. CML encara farmácias como parceiro estratégico Na perspetiva da vereadora da Saúde da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Simões Silva, «as farmácias são um parceiro estratégico e de proximidade». Sobre o cancro colorretal, uma doença «muitas vezes silenciosa», alerta que as taxas de rastreio «ainda estão aquém do esperado». Quando detetada precocemente, apresenta taxas de sobrevivência superiores a 90%, mas em fases avançadas «as consequências são gravíssimas para a vida das pessoas». A autarca adianta a intenção de expandir este tipo de iniciativas a outras áreas, como a dermatologia, possivelmente ainda este verão, contando novamente com a participação das farmácias. Francisco Morais, presidente interino da MovSaúde, reconhece que a adesão a este rastreio continua a ser um desafio. «Levar o rastreio às farmácias é essencial, pois os farmacêuticos são o elo de proximidade com os utentes». O responsável destaca também a articulação com a Europacolon: «o rastreio não substitui o diagnóstico médico, e é crucial que os utentes completem todos os passos seguintes, incluindo consultas e exames quando necessário». Por último, Sofia Silva, da Europacolon Portugal, reforça que a doença continua a ser um tabu em Portugal, com muito desconhecimento e falta de informação. Defende a adesão ao rastreio e garante que os casos positivos são acompanhados «até ao fim do ciclo», incluindo a marcação de consultas e exames, como colonoscopias, através de protocolos com o SNS. «os farmacêuticos são um ativo de comunicação essencial, pois são pessoas em quem os utentes confiam e que podem incentivar a prevenção e a deteção precoce. A confiança no farmacêutico facilita a adesão ao rastreio, razão pela qual escolhemos as farmácias como parceiros», remata. +