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FARMÁCIA A. GUERRA PEDROSA , VIEIRA DE LEIRIA - DEPOIS DA TEMPESTADE, A PROXIMIDADE DE SEMPRE

Farmácia Distribuição

2026-05-05 21:06:06

Farmácia A. Guerra Pedrosa , Vieira de Leiria Depois da tempestade, a proximidade de sempre A tempestade Kristin deixou marcas visíveis em Vieira de Leiria e expôs a importância de uma farmácia de proximidade num território abalado. Na Farmácia A. Guerra Pedrosa, manter a porta aberta foi a expressão de um compromisso antigo com a comunidade. Há quatro gerações na mesma família, esta casa centenária soube renovar-se: reorganizou espaços, reforçou serviços e aprofundou o acompanhamento farmacêutico, numa forma de cuidar que não se esgota no balcão. Durante semanas, Vieira de Leiria viveu entre telhados feridos, falhas elétricas, comunicações instáveis e um quotidiano suspenso, feito de reparações, incerteza e cansaço. A tempestade Kristin varreu a vila com violência, mas deixou também outra marca, menos visível. «Agora as coisas estão a mudar, mas durante muito tempo notámos uma espécie de luto», observa Alexandre Santos, diretor técnico da Farmácia A. Guerra Pedrosa. Isto diz muito sobre o que ficou depois daquela fatídica madrugada de 27 para 28 de janeiro. Não apenas os danos materiais, mas uma sensação coletiva de abalo, visível num território que já traz na memória outros episódios duros, como os incêndios de 2017 ou a tempestade Leslie, em 2018. Foi esse cenário que trouxe a reportagem até ao centro da vila. Mas bastaram poucos minutos de conversa para perceber que esta é também a história de uma farmácia com mais de um século, recentemente ampliada, que continua a afirmar-se como ponto de apoio numa comunidade que a conhece pelo nome, pelo lugar e pela forma como cuida. à entrada, um diploma datado de 1903 e um retrato de Aníbal Guerra Pedrosa assinalam de imediato a espessura histórica da casa. Um caminho que se foi “afinando” «o meu percurso académico? E, no mínimo, pouco convencional, e nada linear», assume Alexandre Santos. Quando concluiu o ensino secundário, em 1992, frequentou, em Paris, o curso preparatório à entrada em Medicina, no Hospital Universitário Pitié Salpêtriére. Mas a cabeça, nessa altura, estava dividida e a opção recaiu nas Letras Modernas, curso que acabaria por interromper quando decidiu vir viver para Portugal. A intenção era continuar os estudos, mas o contexto académico da época não facilitou essa passagem. «Isso foi antes dos acordos de Bolonha, não existia equivalência direta dos cursos, e teria de repetir uma série de cadeiras, pelo que, bem ou mal, desisti do curso e fui trabalhar», explica. Em Lisboa, passou por várias áreas e aperfeiçoou a afinação de pianos, uma paixão antiga. A ligação à área da Saúde, porém, nunca desapareceu por completo. Já com vida familiar feita e depois da experiência de uma parafarmácia com a mulher, farmacêutica, voltou a tentar. Preparou equivalências, regressou às disciplinas do ensino secundário e candidatou-se ao ensino superior. O resultado foi outro, mas decisivo. «Apesar de não ter conseguido média para Medicina, consegui entrar em Ciências Farmacêuticas», o que, reconhece, «foi o ponto de viragem mais importante da minha vida». O curso foi feito em «linha reta», como trabalhador-estudante, e concluído em 2014. Depois do estágio curricular na Farmácia Paiva, em Pombal, onde já trabalhava desde o segundo ano do mestrado integrado, passou por outras duas farmácias até chegar, em 2016, à Vieira de Leiria. Foi então que encontrou «o sítio certo para mim». Do outro lado, Manuel Branco procurava alguém capaz de vir a suceder à sua mãe na direção técnica da Farmácia A. Guerra Pedrosa e de aprofundar uma visão de farmácia centrada no acompanhamento dos utentes. Deste lado, Alexandre Santos «procurava uma farmácia ética e com valores humanos, queria progredir na carreira e deixar de ser guiado por objetivos comerciais vazios». «A sintonia foi imediata. Estávamos, sem o saber, à procura um do outro», declara o farmacêutico, que viria a assumir a direção técnica em 2018, «quando a Dra. Lina deixou de poder assumir as suas funções». Quatro gerações, a mesma vocação de cuidar Fundada em 1908, sob direção de Aníbal Guerra Pedrosa, a “Farmácia Atual” desta edição atravessou mais de um século sem sair do mesmo lugar nem da mesma família. Hoje pertence a Manuel Branco, bisneto do fundador e técnico de farmácia aposentado = trabalhou nesta farmácia entre 1987 e 2022 e à sua esposa, Isabel Branco. «Na família há quatro gerações, a nossa farmácia mantém um compromisso sólido com a saúde e o bem-estar da comunidade», frisam os proprietários. Para Alexandre Santos, a questão das quatro gerações «não pesa nos meus ombros». «o único peso que sinto e assumo é o do meu compromisso com o melhor serviço possível para com a comunidade», afirma. Foi precisamente essa afinidade de visão que Manuel Branco identificou logo no primeiro contacto. «Percebemos imediatamente que O Dr. Alexandre partilhava da nossa forma de estar na farmácia: uma visão virada para o utente, e não para a componente comercial», recorda. A decisão acabou por surgir com naturalidade: «A entrevista durou mais de duas horas e, no final, a sua contratação selou-se com um aperto de mãos». Esta sintonia pessoal foi determinante, mas não eliminou as exigências próprias de uma farmácia com história, rotinas consolidadas e relações antigas. «Não se entra sem mais nem menos numa família. Tive de conquistar a confiança técnica e humana da equipa», revive o farmacêutico. Nesse percurso, foram decisivos «o feedback positivo da população e a confiança indefetível do Sr. Manuel». Apesar de já existir «um histórico de programas de intervenção farmacêutica vindo da cultura do Grupo Holon», existia também «alguma resistência por parte da equipa». Ainda assim, considera que o percurso feito consolidou uma nova etapa. «Passados alguns anos, acredito que fazemos parte das farmácias que, de facto, fazem alguma coisa neste campo», indica o diretor técnico desta farmácia que se juntou à Ezfy em 2019. Mudar para servir melhor A transformação mais visível dos últimos anos está na recente ampliação da Farmácia A. Guerra Pedrosa, inaugurada em junho de 2025, que alterou profundamente a organização do espaço e criou condições para um atendimento mais confortável e mais ajustado à diversidade de serviços que ali se prestam. Alexandre Santos não hesita em descrever o alcance dessa mudança: «Passámos de uma farmácia estruturalmente disfuncional para uma farmácia em que o fluxo de trabalho foi todo pensado». A área da farmácia ultrapassa os 400 metros quadrados, com cerca de 160 dedicados ao atendimento ao público, um espaço que, nas palavras do diretor técnico, «quase duplicou e está muito mais moderno e arejado». A nova configuração inclui cinco balcões, dois deles sentados, uma zona de dermofarmácia premium, que se destaca claramente, e um espaço para exposição de artigos de ortopedia. O backoffice começa com uma zona de receção de encomendas, seguida da zona de armazenamento. Existe ainda o escritório da direção técnica e um pátio interior, onde é possível realizar workshops e exposições. A ampliação ainda está em curso. «Estão a ser acabados os futuros gabinetes que idealizámos para os nossos serviços e para atendimentos que precisem de mais privacidade», explana. Muito para lá da “simples dispensa” «A “simples dispensa” é aquela que não questiona o que vem na receita ou o que o utente pede». Alexandre Santos usa esta frase para marcar uma diferença essencial: «o nosso atendimento procura ir mais longe. Tratando-se de uma receita, temos várias oportunidades de intervenção: nos doentes polimedicados, mas também, e sobretudo, nos doentes que iniciam a toma de um novo medicamento, além de todo e qualquer caso de doença não controlada». A prática traduz-se em gestos muito concretos. «Não deixamos sair um utente se vemos que está mal disposto ou frágil. Não deixamos sair alguém que dá sinais de défice cognitivo sem garantirmos que está a ser seguido pelo médico, que tem o apoio de um familiar ou de uma instituição», garante. Se necessário, acompanha-se a pessoa até ao carro ou até casa, contacta-se o médico, liga-se aos familiares, reorganiza-se a medicação e propõem-se consultas farmacêuticas. A preparação individualizada da medicaçaO (PIM) é um dos exemplos mais claros dessa aposta. A farmácia acompanha cerca de 100 pessoas com o serviço, entre utentes de balcão e doentes institucionalizados, integrando esse trabalho numa visão mais ampla de consulta farmacêutica, reconciliação terapêutica e acompanhamento farmacoterapêutico. o mesmo se aplica à entrega ao domicílio, assegurada com carro elétrico num raio de cinco quilómetros, aos testes rápidos, à consulta de nutrição clínica, à podologia e à dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade. Este último serviço é prestado desde 2016 e continua, nas palavras do diretor técnico, a ser realizado «de forma não remunerada apesar do âmbito da dispensa hospitalar estar legislado e em vigor há mais de um ano». Esta farmácia é ainda uma Unidade de Apoio ao HipertenSO (UAH) e colabora em programas de acompanhamento desenvolvidos pela Ezfy e pelo Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (CEFAR) da Associação Nacional das Farmácias (ANF). Mas, mais do que a lista de serviços, interessa a lógica que os sustenta. «A nossa preocupação em ajudar é o ingrediente principal de um atendimento de qualidade», atesta, revelando que «este tipo de atendimento é tanto mais importante e gratificante quando praticado com pessoas mais necessitadas ou com menos literacia». Ao ritmo da vila e das suas necessidades No Largo da República, a meio caminho entre a igreja matriz e a junta de freguesia, a Farmácia A. Guerra Pedrosa ocupa um lugar central no mapa da Vieira de Leiria. A vila, pertencente ao concelho da Marinha Grande, no distrito de Leiria, com perto de 5 500 habitantes, imprime à farmácia um ritmo próprio, feito de proximidade, reconhecimento mútuo e adaptação constante às necessidades locais. «Temos utentes de todas as faixas etárias, mas maioritariamente idosos», esclarece Alexandre Santos. Ao longo do ano, a clientela é composta essencialmente pela população local: «Temos, entre outros, muitos professores, algumas peixeiras e pescadores, operários fabris, operadores dos supermercados e dos cafés, restaurantes e lojas da zona». O retrato é variado, mas revelador da inserção da farmácia na vida económica e social da região. Entre as necessidades mais frequentes destacam-se «os medicamentos para hipertensão e diabetes». Depois, «os produtos mais procurados são os anti-inflamatórios tópicos» e, nesta altura, «os anti-histamínicos e descongestionantes nasais também adquirem mais expresSão», detalha. Há também «muita procura» pelo serviço de podologia. Ao mesmo tempo, outras áreas ganham peso: «A categoria Bebé & Mamã tem vindo a crescer bastante, e a maquilhagem para peles sensíveis e atópicas, que não tínhamos, também tem sido um sucesso». Na época estival, o cenário altera-se. A proximidade da Praia da Vieira traz outro tipo de procura e outro volume de movimento à farmácia. «Assim que começa o verão, o fluxo de turistas altera completamente o padrão. Aumenta a procura dos produtos cosméticos e de proteção solar, dos reparadores pós-queimadura solar, bem como dos pensos e materiais de primeiros socorros. Também aumenta a procura das pilulas anticoncecionais e, com uma frequência não negligenciável, surgem pedidos de medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) esquecidos em casa, quer por quem vem do norte ou do sul de Portugal, quer da Europa ou do Brasil», conta. Situações que classifica como «um quebra-cabeças ainda por resolver». «Pelo menos a nível europeu, esperamos por um sistema que simplifique a prescrição e dispensa entre estados», anseia. A ligação ao território faz-se também fora de portas, através de rastreios e ações de educação para a saúde. A farmácia junta-se a diversas iniciativas locais, mas é no trabalho com as escolas que a dimensão comunitária se torna particularmente evidente. A equipa visita todos os anos as turmas das escolas primárias da Vieira de Leiria e da Praia da Vieira. «o que os professores mais nos pedem, neste momento, são temas como “Bullying e Cyberbullying” e “Distúrbios dos Jogos Eletrónicos”», nota, sinalizando preocupações que se afastam dos temas mais tradicionais, como a proteção solar, a higiene oral ou a alimentação saudável. O futuro faz-se de proximidade A Farmácia A. Guerra Pedrosa trabalha hoje com uma equipa de dez elementos, incluindo quatro farmacêuticos, que foi crescendo com estabilidade e beneficia agora de uma organização mais especializada. «o meu papel, desde 2024, tem sido partilhado entre a direção técnica propriamente dita e a gestão da empresa. Temos especialistas em áreas diversas, tais como a veterinária, a dermofarmácia, a fitoterapia, a intervenção farmacêutica, bem como tarefas recorrentes distribuídas entre todos. Quando a equipa era mais pequena, fazia mais sentido todos saberem fazer tudo, mas com o crescimento, as vantagens da especialização sobrepõem-se», elucida Alexandre Santos. Essa estabilidade também se reflete no recrutamento: «Ouvimos falar regularmente da dificuldade de atrair e reter talentos a nível nacional. Felizmente, não tem sido essa a nossa realidade». As três contratações mais recentes resultaram de estágios realizados na própria farmácia. A descrição que faz da equipa tem traços muito distintos. «Já referi que é uma equipa só de mulheres?», pergunta com humor. ? logo acrescenta: «Não me levam ao colo, nem me facilitam sempre as coisas, mas já faço parte da família. São mulheres muito pragmáticas. Filhas e netas de mulheres da terra e do mar, para usar um cliché local». Hoje, fala de uma equipa que se «complementa perfeitamente» e em que «as relações de amizade se têm reforçado cada vez mais». «Simpatia, dedicação e preocupação genuína», resume, SAO OS valores que promovem. A formação contínua é outra prioridade. «Não só porque há constantemente novidades terapêuticas e lançamentos de produtos, como para refrescar conhecimentos adormecidos e reativar sazonalmente protocolos de atendimento», anota. Nos últimos tempos, a equipa tem-se focado nas formações relativas às situações clínicas ligeiras, sem deixar de aproveitar outras oportunidades promovidas por laboratórios e pela ANF. Entre a ambição e os constrangimentos Quanto ao futuro do setor, a convicção é clara. «Não tenho dúvidas que o papel das farmácias é cada vez mais central. ê o primeiro agente de saúde que a população procura no dia a dia», realça Alexandre Santos. No seu entender, a Farmácia Comunitária tenderá a assumir um peso ainda maior nos próximos anos: «A hegemonia do setor da prescrição tem os dias contados, não só porque a inteligência artificial vai alterar os padrões na prática do diagnóstico parece-me inevitável =, como porque a intervenção humana se vai concentrar cada vez mais nas farmácias, que são os estabelecimentos de saúde com mais portas abertas e com mais capacidade de assistência à população». Embora admita que este papel «ainda não é totalmente reconhecido», acredita que a evolução será nesse sentido. «A abordagem sistemática das situações clínicas ligeiras vai ajudar a desafogar as urgências, ampliando o círculo virtuoso da ida à farmácia», perspetiva. Nesse caminho, considera que os serviços prestados pelas farmácias no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) se Vão «multiplicar». «Temos vontade, capacidade e competência», salienta. Se o horizonte lhe parece promissor, o presente continua, ainda assim, a impor dificuldades muito concretas ao balcão. «A principal dificuldade é, sem dúvida, a gestão permanente de ruturas e rateios. Uma parte substancial do nosso trabalho consiste em gerir reservas e listas de espera desses medicamentos, e reforçar dia após dia pedidos de produto», desabafa. O problema, adita, tem consequências práticas e éticas: «Não é, de todo, fácil, ao balcão, recusar pedidos e explicar aos nossos utentes que “esta semana só recebemos uma embalagem"». Para Alexandre Santos, esta é, de longe, a fragilidade mais penalizadora no quotidiano da farmácia. «Ao lado desse, todos os restantes desafios são fáceis de ultrapassar», remata. Inovar sem perder o foco Quanto ao futuro, a prioridade está no «serviço farmacêutico de proximidade», afiança Alexandre Santos, designadamente «aprofundar a consulta farmacêutica, o acompanhamento farmacoterapêutico, as entregas ao domicílio e o eventual apoio domiciliário», mas também alargar o leque de respostas disponíveis. «o que queremos é multiplicar estas intervenções individualizadas e personalizadas, e desenvolver e promover novos serviços», anuncia, apontando como possibilidades o reforço dos primeiros socorros e dos serviços de enfermagem. E esta ambição de continuar a evoluir que, para o diretor técnico, faz da Farmácia A. Guerra Pedrosa uma verdadeira “Farmácia Atual, que «além de implementar todos os recursos tecnológicos disponíveis hoje em dia, procura inovar, sempre com foco no doente, em prol da sua literacia e da mais fácil gestão da sua jornada de saúde». No fim, é também essa convicção que partilha com os colegas de profissão. «o nosso foco define a nossa realidade. Então, temos de nos focar no que é essencial», defende. ? conclui: «Com a nossa competência técnica, com toda a nossa capacidade de análise, vamos focar-nos com simpatia e empatia em quem precisa de nós, e vai continuar a precisar: o doente , e, tanto quanto possível, todos os nossos doentes». 10. Farmácia Atual Farmácia A. Guerra Pedrosa , Vieira de Leiria Depois da tempestade, a proximidade de sempre «Na família há quatro gerações, a nossa farmácia mantém um compromisso sólido com a saúde e o bem-estar da comunidade», frisam os proprietários Manuel e Isabel Branco A transformação mais visível dos últimos anos está na recente ampliação da farmácia: alterou profundamente a organização do espaço e criou condições para um atendimento mais ajustado à diversidade de serviços que ali se prestam «A nossa preocupação em ajudar é o ingrediente principal de um atendimento de qualidade», atesta o diretor técnico Alexandre Santos, revelando que «este tipo de atendimento é tanto mais importante , e gratificante quando praticado com pessoas mais necessitadas ou com menos literacia» Kristin: a farmácia que ficou de porta aberta Ulies A tempestade Kristin deixou a sua marca em toda a Vieira de Leiria e a Farmácia A. Guerra Pedrosa não ficou imune, embora tenha escapado a danos mais graves. «A nossa farmácia teve mais sorte do que outras. O telhado foi afetado, mas também foi reparado rapidamente, de modo que não houve estragos no interior», relata Alexandre Santos. O sistema de senhas, esse, não resistiu. Mais aparatoso foi o destino do reclame exterior, que, como descreve, «voou literalmente e despedaçou-se na via pública». A farmácia conseguiu manter-se sempre "operacional". «Graças ao nosso gerador automático, que já temos há largos anos, mantivemos a porta aberta fomos durante uns dias, a par dos bombeiros, a luz que nunca se apaga», testemunha. Durante duas semanas, a equipa reorganizou-se em espelho, com metade dos elementos a trabalhar de manhã e a outra metade à tarde, num contexto em que também as suas casas sofreram danos. O impacto mais profundo fez-se sentir, porém, fora das paredes. «A vila esteve em reparações durante esse período = e ainda está num caos que ninguém iria imaginar», ilustra. As consequências da tempestade, adverte, «ainda nos vão afetar durante muito tempo», sobretudo «a nível psicológico, mais do que a nível material». Apesar do abalo sentido na comunidade, as necessidades mais diretamente ligadas à procura farmacêutica não tiveram a expressão que poderia esperar-se. «Surgiram algumas feridas menos usuais, pequenos cortes, contusões diversas depois das quedas dos escadotes e dos telhados, mas sem grande expressão», tendo-se registado também casos pontuais de medicação perdida ou estragada. A maior dificuldade acabou por ser a falha prolongada de internet, «necessária para quase todos os processos hoje em dia, e principalmente para a validação de receituário e a realização de encomendas». «Tínhamos algum stock de produtos e medicamentos para fazer face aos primeiros pedidos, mas rapidamente sentimos a necessidade urgente de fazer encomendas», lembra. Passados cinco dias, quando surgiram os primeiros sinais de rede móvel na Marinha Grande, a solução foi improvisada: «Fomos para lá à noite, vários dias consecutivos, para tentar comunicar com os nossos filhos e enviar uma foto do nosso pedido diário ao armazenista». A chegada da primeira encomenda, passados esses dias de isolamento e improviso, ficou gravada como um momento de alívio. «Foi uma espécie de milagre», confessa, acrescentando que «o transportador referiu, além da dificuldade em chegar à nossa farmácia devido aos cortes nas estradas, que só duas em 30 farmácias da sua rota estavam abertas». o episódio ajudou a consolidar uma convicção: em territórios vulneráveis, a proximidade não basta ser proclamada. Tem de ser preparada. Por isso, a farmácia reforçou a reserva de gasóleo e tenciona implementar um plano de emergência para a equipa. Mais importante, defende, será «estabelecer protocolos com OS armazenistas em situações de calamidade». Questionário de Proust Alexandre Santos Qual a primeira memória que guarda de uma farmácia? o ambiente do atendimento ao balcão. Se fosse um princípio ativo, seria... porquê? Seria o ibuprofeno, para ser útil a muita gente, desde os mais novos aos mais idosos. Qual a fórmula (decisão) mais inovadora que implementou? Nunca baixar os braços. Se pudesse desenvolver um medicamento revolucionário, qual seria? Teria de ser um protetor dos telómeros, algo para prolongar a esperança de vida com qualidade. Quem é a sua maior referência na área da Farmácia? o professor Fernando Ramos, sem sombra de dúvida. Qual é o grande desafio que um farmacêutico comunitário enfrenta atualmente? O excesso de informação nas mãos de utentes desinformados, assertivos e à espera de uma assertividade ainda maior. Se pudesse alterar um aspeto da Farmácia Comunitária, qual seria? Um dos aspetos mais importantes seria legislar = e implementar! , a obrigatoriedade de um canal de comunicação entre os médicos prescritores e as farmácias. Qual é a descoberta mais revolucionária feita por um farmacêutico? ê quando descobre que a empatia é mais eficiente que a autoridade. Se não fosse farmacêutico, que profissão escolheria? Escritor, pintor e chefe de orquestra, entre outras, em simultâneo. Que conselho daria a um futuro farmacêutico comunitário? Novamente: nunca baixar os braços. Ajudar a encontrar a solução é quase sempre mais importante, e mais gratificante, do que conhecer soluções. Farmácia A. Guerra Pedrosa Propriedade Farmácia A. Guerra Pedrosa, Lda. Sócio Manuel José Oliveira da Silva Branco Sócia-gerente Maria Isabel Cabaço Rego de Sousa Silva Branco Diretor técnico e gerente Alexandre Santos Diretora técnica adjunta Vanessa Santos Farmacêuticas Carolina Grácio Diana Monteiro Técnica de farmácia licenciada Filipa Marquês Técnicas de farmácia Isilda Ferreira Sónia Farto Técnicas auxiliares de farmácia Fernanda Santos Mimi Nunes Rita Miguel Morada Largo da República, 12 2430-795 Vieira de Leiria Horário Dias úteis: 09h00-13h00 / 14h0021h00 Sábados e feriados: 09h00-13h00 / 15h00-19h00 Domingos: 09h00-13h00 Telefone 244 695 139 / 925 635 223 E-mail geral@farmaciaguerrapedrosapt Website www.farmaciaguerrapedrosa.pt Facebook www.facebook.com/ Farmaciaguerrapedrosa Instagram @farmaciaaguerrapedrosa Vox POP Franklim Pereira Inácio 71 anos, eletricista aposentado «Conheço esta farmácia desde sempre e é aqui que venho quando preciso. E onde me sinto bem atendido. A equipa é excelente. o espaço agora está mais acolhedor e mais confortável, e há bancos onde nos podemos sentar enquanto esperamos pela nossa vez, coisa que antigamente não havia. Melhorou muito. Faço aqui as minhas vacinas. só posso dizer bem: há simpatia, amabilidade e disponibilidade. Quando algum medicamento está esgotado, fazem os possíveis e impossíveis para arranjar. Estão sempre prontos a ajudar. Felizmente, por causa da tempestade Kristin, não precisei da farmácia em termos de medicação ou tratamentos. Mas foi uma situação complicada e ainda hoje se nota que nem tudo voltou ao normal. Houve muito voluntariado, e agradeço a todo o pessoal que veio ajudar a nossa comunidade.»