SOCIEDADE DE OBSTETRÍCIA ALERTA PARA EXCESSO DE CESARIANAS NO SETOR PRIVADO
2026-05-05 21:06:06

A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF), Luísa Pinto, afirmou esta terça-feira, 5 de maio, perante a comissão parlamentar de Saúde, que existe um excesso de cesarianas no setor privado em Portugal. A especialista reconheceu ser "muito difícil de entender" a discrepância de valores face ao setor público. Discrepância entre os setores público e privado De acordo com os dados apresentados, embora as cesarianas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) tenham aumentado em 2025 (representando cerca de 33% do total de partos), as unidades dos setores privado e social registam uma taxa que é aproximadamente o dobro da verificada no público. Luísa Pinto apontou fatores económicos e logísticos para esta diferença: Remuneração: Uma cesariana é "bastante mais bem paga" do que um parto vaginal, o que a especialista defende que deveria ser regulamentado; Gestão de tempo: Uma cesariana demora cerca de uma hora, ao passo que um trabalho de parto pode prolongar-se entre 24 a 48 horas. Impacto da crise nas urgências e falta de dados A presidente da SPOMMF admitiu que a atual crise nas urgências de obstetrícia, com encerramentos, transferências de grávidas e equipas deficitárias, tem influência direta nas taxas de cesarianas registadas no país. Portugal encontra-se distante dos números de países do norte da Europa, onde as taxas se fixam entre os 16% e 17%. A especialista defendeu ainda: A criação de um repositório centralizado de dados nacional, uma vez que a fragmentação atual da informação dificulta a compreensão das causas reais do aumento; Esta necessidade de dados foi também corroborada pela diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, que admitiu que a DGS depende de "recolha manual" e não possui um sistema integrado para o setor público e privado. Contraponto da Direção Executiva do SNS Em sentido contrário, o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, rejeitou que exista uma relação direta entre a falta de recursos públicos em obstetrícia e o aumento deste procedimento. O responsável sublinhou que, nos hospitais públicos com maiores dificuldades de recursos, a taxa de cesarianas até diminuiu comparativamente a 2023. Redação