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SOCIEDADE DE OBSTETRÍCIA ALERTA PARA EXCESSO DE CESARIANAS NO SETOR PRIVADO EM PORTUGAL

MundialFM Online

2026-05-05 21:06:07

A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) reconheceu esta terça-feira que existe um excesso de cesarianas realizadas no setor privado em Portugal, sublinhando a forte discrepância face ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em audição na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PS, Luísa Pinto afirmou que a diferença entre os dois setores é “muito difícil de entender”, apontando que no privado a taxa de cesarianas é cerca de metade da observada nos hospitais públicos. De acordo com os dados mais recentes, as cesarianas no SNS representaram quase 33% dos partos em 2025, enquanto no setor privado e social a proporção é significativamente superior, segundo a responsável. A especialista alertou ainda para fatores estruturais e económicos que podem influenciar estas decisões clínicas, referindo que uma cesariana é “mais bem paga” do que um parto vaginal e também mais rápida de executar em termos organizacionais. Esse conjunto de fatores, defendeu, deve ser alvo de maior regulamentação e escrutínio. Luísa Pinto destacou também que a crise nas urgências de obstetrícia em Portugal, com encerramentos e falta de equipas, pode estar a contribuir para o aumento destes procedimentos. Acrescentou que a realidade de equipas mais jovens e a dependência de prestadores de serviços pode influenciar as práticas clínicas. A presidente da SPOMMF defendeu ainda a criação de um sistema nacional de dados integrado sobre cuidados obstétricos, alertando que atualmente a informação é fragmentada e muitas vezes recolhida de forma manual, o que dificulta a análise rigorosa da situação. A Direção-Geral da Saúde já tinha admitido limitações semelhantes na monitorização global dos dados entre setores público e privado, enquanto o diretor executivo do SNS rejeita uma relação direta entre falta de recursos e aumento das cesarianas. O tema continua a gerar debate político e clínico sobre a necessidade de uniformizar práticas e garantir maior transparência nos cuidados obstétricos em Portugal.