SNS SOB PRESSÃO: PRODUÇÃO A SUBIR, LISTAS DE ESPERA TAMBÉM
2026-05-05 21:06:08

O acesso à saúde continua a ser um dos principais desafios globais e nacionais, com desigualdades persistentes e pressões crescentes sobre os sistemas públicos, sendo Portugal um exemplo de resiliência, mas também de forte tensão. Foi uma das reflexões deixadas na conferência “Economia na Saúde”, que decorreu esta quarta-feira e foi organizada pelo JE. O setor da saúde é um mercado que vale 9,8 mil milhões de dólares. Contudo, não é acessível a todos. Para ter uma ideia, a nível global, mais de metade da população mundial, cerca de 74,5%, não tem acesso a cuidados de saúde essenciais, ao mesmo tempo que 79% dos países de alto rendimento concentram a maior parte da despesa global em saúde, evidenciando fortes assimetrias. E em Portugal? Qual o estado de arte da saúde? “Em Portugal, a despesa em saúde atingiu 29,2 mil milhões de euros, o equivalente a 10,2% do PIB, acima da média da OCDE que é de 9,3%, tendo registado crescimentos significativos de 23% e 8% em anos recentes, o que aumenta a pressão sobre o financiamento do sistema”, diz Hermano Rodrigues, Ey parthenon durante a conferência “Economia na Saúde: Sustentabilidade e Inovação”, organizada pelo Jornal Económico em parceria com a Morais Leitão, que decorreu esta terça-feira, 5 de maio, em Lisboa. “O Serviço Nacional de Saúde encontra-se sob pressão, com cerca de 1,6 milhões de pessoas sem médico de família, aproximadamente 1 milhão de utentes em lista de espera para consultas hospitalares e entre 25 mil e 64 mil pessoas à espera de cirurgia, com tempos de resposta que podem atingir entre 3,5 e os 5 meses. O sistema conta atualmente com 39 unidades locais de saúde e cerca de 155 mil profissionais, mais 4000 desde 2024. As despesas do SNS em 2025, rondaram os 25 mil milhões de euros, incluindo 1378 milhões de euros aos hospitais. Em paralelo, o setor privado tem registado uma dinâmica de crescimento significativa, com investimentos superiores a 200 milhões de euros previstos para 2025. Os hospitais privados tiveram um investimento recorde de 312 milhões de euros, em 2025. A despesa nos hospitais privados cresceu 12,4% no ano. Segundo o responsável, o país enfrenta ainda desafios demográficos relevantes, com uma esperança média de vida de 82,5 anos, acima da média da OCDE de 81 anos, mas com uma elevada incidência de doenças crónicas na população com mais de 16 anos, colocando Portugal entre os piores registos europeus neste indicador. Em 2022 existiam quase seis idosos por cada jovem, sendo que se projeta que em 2050 cerca de 34,5% da população tenha 65 ou mais anos. Desafios para o futuro Entre os principais desafios identificados estão a fragmentação e falta de interoperabilidade dos dados, os elevados custos de contexto, a complexidade dos processos de certificação, a dificuldade na implementação de modelos de saúde baseados em resultados, a fraca valorização dos ensaios clínicos, a limitada maturidade digital e as lacunas na literacia digital tanto de profissionais como da população. Ainda assim, existe margem para aproveitar oportunidades associadas à colaboração entre setores, à digitalização e à resposta ao envelhecimento da população. Teresa Cotrim