FÁBRICA DA VOLKSWAGEN PODERÁ FAZER PEÇAS PARA MÍSSEIS EM VEZ DE CARROS
2026-05-05 21:06:08

Começou como um rumor, mas agora parece quase certo: uma das fábricas da Volkswagen poderá começar a produzir componentes militares O que começou por ser um rumor, agora parece ser mais certo: a fábrica que produz Volkswagen T-Roc Cabrio poderá começar a produzir componentes militares. O que em março não parecia mais do que um rumor acabou de tomar contornos mais concretos. A Rafael Advanced Defence Systems, empresa detida pelo Estado de Israel e um dos principais parceiros no desenvolvimento dos sistemas de defesa Iron Dome, Arrow e David s Sling, terá assinado uma carta de intenções com a Volkswagen para adquirir a fábrica de Osnabrück, na Alemanha, avançou a Reuters com base em duas fontes familiarizadas com o processo. Nem a Volkswagen nem a Rafael quiseram comentar, mas o diretor-executivo do Grupo, Oliver Blume, confirmou no dia 30 de abril, durante uma chamada com investidores, que estavam em curso “negociações avançadas com empresas de defesa” sobre o futuro das instalações. A fábrica, que emprega cerca de 2300 pessoas, produz atualmente o T-Roc Cabriolet, que deverá terminar a sua produção no próximo ano, sem sucessor previsto. © Volkswagen A confirmar-se, a produção de componentes para o Iron Dome deverá arrancar dentro de 12 a 18 meses, mediante a aprovação dos trabalhadores de passar a produzir componentes militares. “O objetivo é salvar toda a gente, talvez até crescer. O potencial é muito grande. Mas isto é também uma decisão individual dos trabalhadores”, disse uma fonte próxima (fonte: Financial Times). Desde 2024 que o Grupo procura ativamente uma solução para o espaço. Negociações para uma eventual venda chegaram a avançar no final do ano passado, mas acabaram por ser interrompidas sem acordo. Mísseis em vez de descapotáveis Segundo as mesmas fontes, a empresa israelita concentrará a sua produção em componentes de mísseis, nomeadamente motores, ficando a produção de explosivos reservada a instalações separadas, por razões de segurança. Recorde-se que a Volkswagen já tinha descartado a produção de armas. O Governo alemão estará a acompanhar de perto o processo, com o objetivo de garantir que o controlo sobre a tecnologia de defesa permanece em território nacional. Berlim terá reservado centenas de milhares de milhões de euros para reconstruir as suas capacidades militares após décadas de subinvestimento, e as fábricas automóveis, com as suas infraestruturas de engenharia, mão de obra especializada e capacidade de produção em escala, tornaram-se parceiros atrativos para as empresas do setor da defesa. Descubra o seu próximo automóvel: A unidade de Osnabrück não é nova no universo da Volkswagen. Inaugurada em 1935, foi durante décadas o berço do Karmann Ghia, um dos modelos mais icónicos da marca. Mais recentemente, produziu também os Porsche Cayman e Boxster, antes de a produção destes modelos ser transferida para Zuffenhausen em 2026. A Volkswagen adquiriu a fábrica em 2009. Historicamente, não seria a primeira vez que a Volkswagen se envolve em produção para fins militares, dado o papel de Wolfsburgo na produção de armamento durante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, a gigante alemã produz camiões militares através de uma parceria entre a MAN, construtor de veículos pesados detido pelo grupo alemão, e a Rheinmetall, a maior empresa de defesa e armamento da Alemanha. Mariana Teles